quarta-feira, dezembro 30, 2009

SAX4TETS 4

KOLNER SAXOPHON MAFIA



Deste quarteto gosto de tudo, a começar pelo nome. Vi-os em Serralves há uns anos e fiquei fã . Da música e do humor constantemente presente no que fazem. E não me refiro a piada musical ou efeito cómico de resultado fácil. Falo de um constante jogo com as espectativas que vão sendo criadas pela música, um constante "não-levar-a-sério" os intrincados arranjos e os solos demolidores que vão acontecendo. No meu top dos 4tetos!




http://www.wollie-kaiser.de

SAX4TETS 3

BL!NDMAN QUARTET




É belga um dos mais conceptualmente sofisticados quartetos de saxofones que conheço. Fundado em 1988 e com uma forte atitude multidisciplinar, o grupo desdobra-se em projectos, colaborações com artistas de outras áreas projectando uma noção de espectáculo global que não é frequente em quartetos de saxofones, seja em que parte do mundo fôr. A coerência do conceito é de tal forma forte que permite passar de Bach á improvisação atonal sem que isso soe a "variedades" (como muitas vezes acontece quando um grupo tenta parecer "versátil", se me faço entender...) Pois é. Mas este grupo não tem a improvisação como expressão principal, dirão os meus amigos. Tanto pior. É um grupo cuja música -apesar de ser maioritáriamente escrita - é tão arriscada quanto se fosse improvisada... e eu gosto imenso. Uma visita ao site é fundamental.









terça-feira, dezembro 29, 2009

SAX4TETS 2


rOvA SaXOPhONE qUaRTET

De San Francisco, capital mundial do saxofone (dizem eles....) vêm um dos mais criativos quartetos do mundo. Não há como ouvir esta composição (de 1989) em colaboração com Anthony Braxton para perceber porquê. No site do grupo, muito completo e informativo, merece(-me) especial atenção a página "Food for Thought". Com vários projectos em curso, uns mais activos que outros, os Rova estiveram no Jazz em Agosto 2006 em versão alargada (Orkestrova) com o espectáculo "Electric Ascension", uma comemoração caótica e imprevisivel do disco "Ascension" de John Coltrane. Um complexo jogo de sonoro no qual, tenho a certeza, o próprio Coltrane, não desdenharia ter mergulhado.
Larry Ochs (o tal acusado de não tocar jazz por um espectador espanhol) ,Jon Raskin, Steve Adams e Bruce Ackley:

segunda-feira, dezembro 28, 2009

SAX4TETS 1

De alto a baixo do nosso rectângulo portuga, são já em número considerável os quartetos de saxofone com actividade regular. Formados no seio de bandas filarmónicas, big bands de jazz ou escolas de música estes grupos lutam com várias dificuldades umas das quais relaciona-se com repertório. Quem escreva para quarteto de cordas não abunda. Assim, arranjos "jazzy" (em português, ajazzados...) de temas conhecidos (estou a lembrar-me da "Pantera côr-de-rosa" ou do "Tico-Tico no Fubá") , de temas de jazz arranjados integralmente (ou seja, sem ponta de improvisação) e temas - óptimos, de resto - do Piazzolla constituem o repertório da maioria dos quartetos de saxofones em actividade no País. São arranjos que, fácilmente encomendáveis, garantem uma base de funcionamento estável e regular para um quarteto começar (e continuar ...) a trabalhar. E nem sequer são caros... São raras (por isso honrosas) as excepções a esta regra. O quarteto Saxofínia e os Artemsax têm o mérito de ter encontrado um lugar especial neste cenário. Não só pela longevidade mas também pela qualidade da proposta musical.
Os Saxofínia, com muitas composições a eles dedicadas e com um repertório que vai de Antonio Pinho Vargas a Bob Mintzer passando por Scarlatti são o grupo de referência nacional neste tipo de formação.Pena que estejam tão mal divulgados on-line, sem site próprio e com uma apresentação um pouco descuidada no site dos seus agentes. Os Artemsax focados na música de Carlos Paredes com um trabalho musical de qualidade e com cuidados de imagem e apresentação online são o outro exemplo de um grupo com ideias neste pequeno mundo dos quartetos de saxofone. Outros haverão que desconheço. Desaconselho a visita a http://www.qsporto[ponto]com/, site indicado pelo Quarteto de saxofones do Porto como seu. Tem virus. Nada que o avast não resolva.
Quartetos de saxofone cujo conceito coloque a improvisação num papel central são raros.Diria até que inexistentes. As experiências que conheço nessa área- Quarteto de Saxofones do Porto (versão 1.0) e UBU sax4tet - foram instigadas por este que vos escreve (your's truly) juntamente com o José Nogueira, no caso do 4teto de saxes do Porto e padeceram ambos de problemas de vária ordem dos quais seria interessante discorrer um dia destes. Por cá, e embora não falte domínio técnico nem saxofonistas, ainda não apareceu um quarteto que junte no mesmo parágrafo "improvisação" e "quarteto de saxofones"... ou já e eu ainda não reparei.... Se não reparei, por favor informem-me...
Assim, sendo este post e os próximos dedicados ao qaurteto de saxofones (o post podia chamar-se "os meus quartetos de saxofone preferidos") ,começo por um monumento, comparável ao Mount Rushmore ou á Sagrada Família. É isso, á sagrada família dos saxofones... Os World Saxophone Quartet (WSQ). Brutais. Domínio técnico absoluto sem os excessos virtuosisticos de que costumam enfermar muitas destas formações. A técnica ao serviço do que interessa...... Advinharam! ... da Música.


Julius Hemphill, Oliver Lake, David Murray e Hamiett Bluiett na formação original:


Chris Potter : Voice leading orgy





All things you are (Chris Potter)
versão completa

Kurt Rosenwinkel


Gravada durante um workshop de Kurt Rosenwinkel em S. Paulo com uma secção rítmica local esta versão de "Falling Grace" (Gary Burton) é um exemplo de toda a capacidade de invenção melódica e harmónica do guitarrista e de um domínio técnico do instrumento a toda a prova. Um solo de um bom gosto e fluência de ideias irrepreensivel



sexta-feira, dezembro 25, 2009

Ear to the Ground Project

Na Natureza o silêncio está, tal como as espécies, em vias de extinção. Contudo, se nos afastarmos, se nos afastarmos muito, ainda o podemos encontrar.
Uma viagem pela ecologia acústica de um mundo sem ruídos feitos pelo Homem. AQUI


terça-feira, dezembro 22, 2009

INCÊNDIO NO PRÉDIO DO HOT CLUB


O prédio que alberga o Hot Clube ardeu na noite passada. A cave não foi afectada mas a água inutilizou não só o espaço do hot como todo o material. O Hot fechou e não se sabe quando voltará a abrir.
Faço votos para que, finalmente , a Câmara Municipal dê a devida atenção a uma instituição que, pelo muito que fez e fa, merece apoio.
Abraço ao Luis Hilário e a todos (nós) para quem o Hot é um local fundamental.
Reportagem aqui
Na declarações á imprensa a directora do Hot Club há 6 meses em funções, confirmou que houve contactos recentes com a Câmara de Lisboa para recuperar todo o edifício, mas nada estava decidido. “A ideia era instaurar uma casa de jazz. Um sítio que passasse a ser o centro de jazz do país, com um espaço museológico e concertos”, adiantou.
Cruzes canhoto! A ideia de ter uma casa que "fosse o centro de jazz do nosso país com um espaço museológico e concertos” dá-me arrepios.
Não vou com centralismos, desculpem lá. Sempre deram mau resultado.
O Jazz quer-se em Salvaterra de Magos, em Condeixa, em Vila Real de Santo António, na Brandoa, em Vila Nova de Cerveira. O jazz não tem centro. Que o Hot se ponha bom depressa.De um incêndio o Hot recuperará. De ideias dessas é que não.... que não vá parar ao museu. Esse sim, seria o seu fim.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Solo de Keith Jarrett em Cascais 1971


Muita coisa já foi dita sobre a primeira edição do Cascais Jazz em 1971. Já conhecemos muitos dos episódios de bastidores, dos escândalos políticos, das peripécias organizativas desse acontecimento musical que marcou o advento de uma modernidade portuguesa. Felizmente tem havido quem se preocupe em pesquisar documentos, em trazer ao conhecimento do público os factos que estiveram na génese do festival, ajudando assim a desvendar a história desse passado (ainda) recente do Jazz em Portugal.
Infelizmente (e inexplicávelmente para mim) a música que se tocou nesse festival não tem merecido a mesma atenção. Edição discográfica ou videográfica, tratamento e digitalização dos registos audio e video ou livre acesso aos ficheiros da RTP seriam passos fundamentais para uma mais completa história do CascaisJazz 71 e motivo de grande alegria para os fãs da fase eléctrica de Miles Davis ou dos Giants of Jazz de Blakey.
Daí o prazer que o post de hoje me dá. Estou convencido que, mais do que raro, é material único na net. Jarrett improvisa e arrasta com ele o público de Cascais. Em Dezembro de 71 Jorge Lima Barreto descrevia (na revista "MC") a postura de Jarrett ao piano "como uma cegonha em acto sexual". Quando, com os meus 14 anos, li esta descrição, fiquei atónito e indeciso: ou tirava a limpo o que era isso do Jazz ou investigava mais sobre ornitologia.Decidi-me pelo Jazz.
Com o post de hoje e com video que aqui deixo, deixo também um abraço ao Villas Boas. Por ter juntado no mesmo palco modernidade e tradição. Por ter ouvido para a música.E acima de tudo por ter posto a qualidade do jazz acima das filiações vanguardistas ou clássicas dos grupos que nos apresentou. A essa atitude de abertura deve o festival a sua importância. CascaisJazz é agora marca registada. Mas registar uma marca não é só usar um logotipo (ou é?). É acima de tudo, permanecer fiel a uma concepção. Á concepção do Villas, para quem o importante era a qualidade da música....fosse ela a mais provocadora das vanguardas ou a mais provocadora das tradições.

video

sábado, dezembro 12, 2009

Espectador denuncia músico de jazz por não tocar jazz


NO EL PAÍS DE 9 DE DEZEMBRO


CHEMA G. MARTÍNEZ - Sigüenza - 09/12/2009

Larry Ochs despertó ayer por la mañana tras una noche de pesadilla. Tras medio siglo en la primera línea del jazz más creativo, y próximo a su jubilación como músico en ejercicio, el fundador del influyente grupo Rova Quartet no se había visto en nada parecido a lo vivido la noche del lunes en una pequeña localidad castellana. Su concierto, que ponía el punto final al V Festival de Jazz de Sigüenza, a punto estuvo de ser cancelado manu militari por la autoridad competente. Motivo: la música del saxofonista, a juicio de un espectador y sus acompañantes, no era jazz sino "música contemporánea", género que el denunciante tiene "contraindicado psicológicamente" por prescripción facultativa. Así consta en la hoja de reclamación cumplimentada en el lugar de los hechos, previa a la denuncia.
La que se formó fue de órdago, con la presencia de dos números de la Guardia Civil. Medió hasta el requerimiento del munícipe de la ciudad, presente en el acto.
Mas no quedó ahí la cosa, sino que, según lo expresado por este último, uno de los uniformados, tal vez sobrado de conocimientos sobre la materia, sometió la música de Ochs a una suerte de juicio sumarísimo. Lo más sorprendente, se llegó a una conclusión coincidente con la del denunciante: la música del saxofonista no es jazz.
La sesión se fue así en un ir y venir de los implicados, ante el estupor de los intérpretes, que a duras penas podían explicarse el espectáculo que se les ofrecía. "Yo creía haberlo visto todo", declaró después Ochs, "pero es obvio que estaba equivocado".
El hecho resulta tanto más notable cuanto que, en las noches precedentes del festival, se habían escuchado otras propuestas tanto o más jazzísticamente cuestionables que la de Ochs, si es que puede hablarse en tales términos, a cargo de Digital Primitives, Brigada Bravo y Díaz y el dúo de baterías Daniel Humair y Ramón López. Superada su "crisis de identidad", Ochs decidió tomarse el incidente con filosofía: "Después de esto, ya tengo algo que contar a mis nietos".

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Prática Creativa com Ed Neumeister - 1 de 5

5 episódios de um workshop de Ed Neumeister sobre a práctica do instrumento, postura, criatividade e muito mais.


Prática Creativa com Ed Neumeister - 2 de 5

Prática Creativa com Ed Neumeister - 3 de 5

terça-feira, dezembro 08, 2009

Prática Creativa com Ed Neumeister - 4 de 5

Prática Creativa com Ed Neumeister - 5 de 5


Entrevista com Woody Shaw por Louise Gilbreth 106.7 Jazz Masters WRVR .
Woody por ele próprio.
AQUI

sábado, dezembro 05, 2009


A história é a seguinte :
Eugene Smith, fotógrafo, convenceu-se que ouvir rádio enquanto revelava, melhorava a qualidade das suas fotografias. Apaixonou-se pelo jazz durante as intermináveis horas na câmara escura.
De resto, apaixonou-se por tudo. Tudo o que podia ser ouvido. Música, poesia, sons da rua, enfim, qualquer tipo de som.
Em 1957, para além de fotografar em todas as direcções, passou a grava tudo á sua volta. Compulsivamente.
“Armadilhou” com microfones os 5 andares do prédio onde vivia. Morava num loft no Flower district de Nova York, um daqueles enormes open spaces que se vêm nos filmes.
O edifício –the Jazz Loft - era frequentado por inúmeros músicos de jazz que vinham tocar, estudar e aprender uns com os outros, discutir isto ou aquilo ou simplesmente estar. Caixas e mais caixas com fita gravada foram-se empilhando nos cantos da sua casa. Eugene morreu em 1978. Durante 20 anos essas caixas ficaram esquecidas até que Sam Stephenson, um melómano e estudioso, as descobrir e começou, pacientemente, a ouvir todo o seu conteúdo.
Uma mina de ouro para os amantes de Jazz.
Desde gatos a miar, ou gente a discutir, há horas e horas de jam sessions, de músicos a ensinar temas uns aos outros, Monk a tocar com os amigos, horas de aulas de Hall Overton, famoso professor da Julliard durante o dia e professor “lá em casa” durante a noite. A “jóia da coroa” destas fitas é a gravação do ensaio de Monk para o seu famoso concerto no Town Hall. Fabuloso por ouvir momentos musicalmente tão tão intímos do trabalho de Monk. A série de programas agora estreada - “the Jazz Loft Project” - pode ser ouvida AQUI

quarta-feira, dezembro 02, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Baritone Army

Só este exército pode controlar a situação de caos total que alastra no planeta.
Gente corajosa que, com risco da própria vida, luta contra malfeitores, assassinos, corruptos e (mais importante ainda...) contra o tédio. E não fazem prisioneiros.
Tens um barítono? Vem saltar connosco!
Alista-te. Alista-te e conhece o mundo.
Baritone Army Wants You!!
www.youtube.com/baritonearmy


sábado, novembro 14, 2009

COLTRANE

O Mestre em 3 videos muito recentemente colocados online e (creio eu) inéditos até aí.
Soberbo.









sábado, outubro 24, 2009

Pequeno ensaio sobre autoridade

Autoridade e poder são palavras que despertam em nós (em mim, seguramente) sentimentos muitas vezes ambivalentes.
Uma orquestra é um micrcosmos onde poder, liderança, autoridade são negociados todos os dias, em todos os momentos. Diferentes maestros, diferentes formas de controle, formas diversas de seduzir e comandar é o que Itay Talgam nos mostra através do exemplo da arte de conduzir de vários maestros famosos. Comoventes os últimos momentos do filme em que Bernstein, sem conduzir a orquestra, se deixa ele próprio conduzir pela música e nos passa, a nós e aos músicos, a enorme alegria de escutar.
“If you love somebody let him free…”

segunda-feira, outubro 05, 2009

Ouvido Absoluto




Devo que confessar que sempre desconfiei dos cursos que garantem a pés juntos que se comprarmos a série de não-sei-quantos CDs mais respectivos livros e seguirmos escrupulosamente o regime que esses cursos propõe, ficamos - mais tardar em 10 dias - com ouvido absoluto.
Talvez devido ao conceito gráfico (deplorável, diga-se...) com que a publicidade a esses cursos se apresentava nas páginas da Downbeat, revista de referência dentro das publicações de jazz e que compro há não sei quantos anos ou talvez devido á irritantemente bem aparada barbicha do fulano que sorria para a câmara no referido anúncio nunca pude com aquilo. Digam-me lá se não é uma carinha de estalo?
Ele é muita bandeira americana, ele é muito "como descobri o segredo", ele é muito " também você pode descobrir as delícias do ouvido absoluto". Tem qualquer coisa de seita religiosa, grupo de auto-ajuda ou Associação dos Propietários de Armas de Fogos (do qual o Ben-Hur faz parte...) Enfim. Mexe com a minha natureza anti-clerical, anti-militarista e anti-imperialista. É verdade. Talvez seja apenas inveja mas sempre considerei o ouvido absoluto uma manha do imperialismo, do imperialismo musical, pelo menos (que palavra tão fora de moda, não é?). É que nunca vi ou ouvi (talvez seja desatenção minha...) grandes ideias musicais serem produzidas pelo facto do compositor/improvisador ter ouvido absoluto. Encontro com muita frequência ideias absolutamente fantásticas produzidas por quem possui (e sabe usar) o seu ouvido relativo. Estava eu nisto quando descubro no blog Musical Perceptions um teste tipo Deco aos cursos de ouvido absoluto. É treta? É verdade? será que um tipo fica mesmo a reconhecer a nota produzida por uma travessa de arroz de lulas quando cai ao chão? Qual é o melhor? qual é o pior? Validado por uma camada (embora fina) de verniz científico a coisa fica um pouco mais suportável.
Aqui fica um teste isento e imparcial (dizem eles...já não me acredito em nada) sobre os cursos de ouvido absoluto.
Depois digam-me alguma coisa que estou sem paciência para o ler...

terça-feira, setembro 29, 2009

VAI UM COPO?



Cheguei ás 10 mil visitas e nem reparei...(a maior parte sou eu que a partir das 2h da manhã entro e saio, entro e saio só para aumentar o web traffic...)

Vai um copo?

CRÍTICA ??!!

Vai ainda demorar algum tempo até que seja feita a história da crítica de Jazz em Portugal.
Quem são os críticos? Que formação têm? São músicos? Foram músicos? Como acederam á “profissão”? As aspas têm a ver com a dúvida: existe uma profissão de “crítico de Jazz” em Portugal? Pagam-se as contas do mês com a crítica dos discos de Jazz? Como é avaliada a qualidade do trabalho de crítico de Jazz? Não digo pelo público, que, de uma forma geral, toma como boa a opinião de quem tem o seu parecer impresso num jornal ou revista. O raciocínio de que “se aquele sr. escreve no jornal deve saber do que fala” basta tranquilizar o público em geral. Falo antes da avaliação por parte do “patrão”, pelo chefe de redacção do jornal ou revista onde a opinião do crítico se faz publicar.
É mesmo curiosidade minha: Como será avaliada a qualidade do trabalho do crítico de jazz ao serviço de um jornal ou revista? Pelas opiniões emitidas, pela escolha de material para rever, número de erros ortográficos por texto? (este último critério não deve contar já que o Word tem um revisor de texto bestial).... . Percebem a minha dúvida? Ou será apenas pelo currículo apresentado á data de início de funções e depois a “coisa” rola sem que o trabalho do crítico seja avaliado?.
A minha curiosidade sobre como se alguém se torna crítico está um pouco mais satisfeita já que tenho uma noção mais clara do processo.
A situação veio ter comigo quando, após a morte de um conceituado crítico de música ao serviço do jornal” Público”, me foi proposto o envio de um texto meu sobre Jazz, de 500 palavras (mais coisa menos coisa...) de forma a ser apreciado pelo chefe de redacção. Oh senhores, imaginei-me dali a uns anos, um pouco mais gordo (já que mais careca não será possível....) Hotel á pála (pequeno almoço incluído, claro), despesas de viagem e representação, lugar na primeira fila da plateia (os lugares mais caros... ) em muitos (todos?) os concertos deste país....De enigmático sorriso nos lábios iria assistir aos concertos e depois, músicos portugueses (e mesmo estrangeiros) seriam passados pelo apertado escrutínio da minha “lupa” musical, meu veredicto prantado num jornal de grande tiragem...
Acordei a transpirar e corri prá casa de banho.
Depois de reposta a respiração, decidi que na manhã seguinte, com um telefonema, iria declinar o convite e acabar com o equívoco. Mas fiquei a saber. Texto de 500 palavras sobre jazz e um gajo é crítico...e do jornal nacional de maior tiragem....
Outra estória sobre o acesso á “profissão” (as aspas continuam, já que, desde há pouco, ainda não consegui perceber se “crítico de jazz” é profissão) :
Certa publicação não recebe os discos de certa editora (nomes para quê? São artistas portugueses...). O director da revista estranha o facto e telefona ao da editora. “Pra que mandar discos, pá? Vocês não gramam a nossa música... Só iriam dizer mal.”
O da revista: “ Não há problema pá. A gente arranja alguém que grame o tipo de música que vocês fazem e que escreva sobre isso. Conheces alguém?”
O da editora: “Claro, mando-te o contacto.”
Ok. Mais uma forma de chegar a crítico.
Mas afinal isto tudo á volta da crítica vem a propósito de quê ?
Basicamente, a propósito do que li a páginas 25 da última edição da revista “Jazz.pt” texto assinado por Paulo Barbosa (PB) que analisa a prestação do pianista António Pinho Vargas na 7ª Festa do Jazz do São Luiz.
A forma grosseira, boçal, insultuosa, como o pianista e respectivo trabalho é descrito chocam a minha sensibilidade de leitor não só de crítica musical mas de qualquer outra forma de trabalho jornalístico. E acrescento que o que aqui escrevo não é motivado por qualquer espécie de amizade ou relação de proximidade com o pianista. Nem de amizade nem de proximidade. Não tenho especial simpatia pela pessoa mas tenho a noção de quanto o seu trabalho foi (é) importante para a definição de uma identidade musical não só do próprio pianista mas de uma ou mais gerações de improvisadores que lhe seguiram. A falta de respeito com que PB trata o pianista descrevendo-o como um “Jarrett falhado” ou declararando a sua mão direita é incapaz de “debitar” notas é insultuosa. E não falo na perspectiva do pianista. O sr. Pinho Vargas não precisará que o defendam. Falo na perspectiva do leitor. Sinto-me incomodado ao ler esse tipo de crítica publicada na única revista de jazz português, que, por ser única, tem responsabilidades acrescidas na divulgação, na formação de novos públicos e na forma como decide abordar a crítica da especialidade.. Não me interessa nada que PB goste ou não de Pinho Vargas. Não interessa nada que eu goste ou não de Pinho Vargas. É contudo, inadmissível, ver alguém que merece respeito artístico e pessoal ser tratado publicamente como um falhado.
O mesmo PB descreve uma versão de “Straight no Chaser” de Maria Viana como tendo deixado “Thelonious Monk ás voltas no túmulo” ... E , mais uma vez, este tipo de abordagem me choca enquanto leitor. Mais uma vez é irrelevante se gosto ou não da versão de Maria Viana (que não ouvi) mas isto não é, pura e simplesmente, linguagem para criticar o trabalho de seja que artista fôr. È uma coisa baixa, é agressão. Apenas revela a falta de recursos quer literários quer musicais mas especialmente de pura educação e respeito para com o trabalho dos outros demonstrada por PB.
A Jazz.pt é importante especialmente por ser única pelo que uma muito atenta avaliação deve ser feita ao trabalho dos seus redactores.
E volto á questão: Quem avalia o trabalho do “crítico”? (agora as aspas questionam mesmo se quem escreve textos como o que PB escreveu seja, realmente, crítico de Jazz.)

domingo, setembro 06, 2009

Sobre a afinação do saxofone

"E posto isto, se o conjunto boquilha/palheta/instrumento não constitui obstáculo natural á passagem do ar, não deverão haver discrepâncias de maior no que respeita a afinação. Os tipos de música que requerem uma afinação rigorosa são minoritários comparados com os mundos musicais que não a exigem. Mesmo quando toco com o "pai de todos os instrumentos desafinados" - os nossos queridos pianos - prefiro ouvir um som encorpado de saxofone com alguns "problemas" de afinação do que o oposto - o som "constipated" * , pseudo-clássico dolorosamente próximo das teclas temperadas do piano mas que nos deixa desesperados por whyskey ou com vontade de cometer um bom homicídio logo a seguir ao concerto, só para relaxar...."

* constipation=prisão de ventre

in http://www.softspeakers.com/

sexta-feira, agosto 14, 2009

Les Paul morre aos 94

O lendário guitarrista e inventor Les Paul, precursor das guitarras elétricas que levam seu nome, morreu na quinta-feira num hospital de Nova York, vítima de pneumonia, aos 94 anos.
Continuava a ter um gig regular num clube, mas ultimamente "ia entrando e saindo do hospital".

quinta-feira, agosto 06, 2009

Ser saxofonista não dá saúde nenhuma...

Mais um curioso estudo intitulado
"Medical Problems of Saxophonists: Physical and Psychosocial Dysfunction among Classical and Non-Classical Performers" publicada no Saxophone Symposium, Volume 24 do ano de 1999.

Os resultados não são encorajadores da practica do saxofone, especialmente na vertente erudita do assunto. 50% dos nossos colegas "da clássica" sofrerão de depressão enquanto que 35% deles viverão num estado de ansiedade aguda. Por sua vez os saxofonistas de jazz reportam maior stress relacionado com o trabalho, cigarros e consumo de álcool . Enfim. Muito pouco saudável este instrumento. Não admira que se acabe a carreira a tocar blues ...
O artigo completo aqui.

"The results of this study identify numerous physical problems experienced by saxophone
players and illustrate differences in frequency and severity of problems between classical and
non-classical players. Both groups demonstrated frequent problems in upper body areas,
especially the right and left areas of the neck and in the right upper back. This issue may be
related to the unique practice of saxophonists, transferring the weight of heavy brass instruments to the neck and back area through the use of neckstraps. Another problem for saxophonists was the right wrist, an area identified as the most significant problem for performers of the clarinet (Thrasher & Chesky, 1998). In the case of saxophonists, classical players experienced problems at significantly higher levels than non-classical performers. In all musculoskeletal areas, classical players demonstrated higher percentages of problems at greater levels of severity than did non-classical players, an aspect of performance not dealt with in saxophone literature.
The leading non-musculoskeletal concerns for saxophonists were fatigue, headaches, and
depression. Classical players again reported much higher and more severe problem levels than did non-classical players. Over 50% of classical saxophonists suffered from depression, and
almost 35% suffered from acute anxiety. Although non-classical players experienced higher
levels of work-related stress and alcohol and cigarette use, they tended to report being in better condition both physically and psychologically
."

A estranha origem do Saxofone













"O Saxofone: as suas estranhas origens

O aparelho inventado por Adolph Antoine Sax por volta de 1860 foi inicialmente pensado como um processo de cura da asma.
Consistia num tubo em forma de “S” com uma ampola na extremidade onde era colocadoa medicação (provavelmente mentol ou laúdano). Era receitado ao paciente que inalasse e expirasse pelo tubo durante 20 minutos de manhã e á noite. Contudo, poucos tinham a paciência para o fazer e assim o sr. Sax teve a ideia de adicionar uma boquilha com palheta e as chaves necessárias para que o paciente pudesse tocar pequenas melodias sem ter de aprender música. Esperava manter as pessoas ocupadas tempo suficiente para que o tratamento fosse efectivo. Deu ao invento o seu nome e veio a morrer numa instituição psiquiátrica."

Artigo da autoria de Al Rose, especialista em música de New-Orleans
retirado da
African American Review, Vol. 29, No. 2, Special Issues on The Music (Summer, 1995), p. 233











O sr. Al Rose e a esposa.

quarta-feira, julho 29, 2009

sábado, julho 25, 2009

CODE MD - As frases codificadas do período eléctrico de Miles Davis


Um excelente trabalho de Enrico Merlin sobre o período eléctrico de Miles Davis foi apresentado no ciclo de conferências "Miles Davis na cultura Americana" da Universidade de Washington no ano de 1996. Este estudo centra-se no repertório das várias formações deste período - que incluiu o "nosso" concerto de Miles no Cascais Jazz de 71 - e também na forma de organização dos diferentes temas habitualmente encadeados nessa altura numa estrutura de medley.
Miles recorria a um sistema de sinais e códigos misicais para fazer o grupo mudar de direcção musical, regressar ao uma parte do tema ou transitar para o seguinte.
Belíssimo e aturado trabalho de pesquisa, de audição atenta, um trabalho que reflete o enorme apreço de Enrico pela músico do trompetista.
De referir que Enrico Merlin é um dos principais discógrafos de Miles Davis.
Aqui fica o link para o estudo em causa

quarta-feira, julho 22, 2009

Ethan Iverson entrevista Keith Jarrett













Vale a pena esta entrevista a Keith Jarrett conduzida por Ethan Iverson, dos Bad Plus e publicada na edição desta semana do excelente "Jazz on 3" da BBC.
Uma das (raras) oportunidades de saber mais sobre Jarrett na primeira pessoa, sobre os seus tempos de Berklee e como aos 15 anos ouviu Evans pela 1ª primeira. Ou sobre como descreve o caos dos tempos do quarteto americano, que tão extraordinária música produziu. E muito mais...

sábado, julho 11, 2009

Miles Davis no Cascais Jazz 71

Dá-me um prazer especial o post de hoje. Creio ser único na net o clip que aqui vos deixo.
Extraido do concerto de Miles Davis no 1º Festival de Jazz de Cascais em 1971 este foi um concerto que povoou a imaginação de muitos amantes portugueses de Jazz... a minha, seguramente.
Com Miles no trompete, Gary Bartz no sax alto, o fabuloso Jarrett no fender Rhodes (que hoje é do Mário Delgado? o Rhodes, não o Jarrett...), Michael Henderson no baixo, Ndugu Chancler na bateria e Mtume na percussão. Os comentários iniciais são de um jovem Carlos Cruz e pode sentir-se a energia de um público sedento de cultura e modernidade como era aquele de 71. Obrigado ao Laurent Filipe por me ter oferecido a gravação integral deste concerto.

quarta-feira, julho 08, 2009

Tim Ries «The Rolling Stones Project»


Não costumo usar este blog para anunciar concertos mas o espectáculo que a seguir se anuncia parece-me suficientemente mal divulgado, de resto como é habitual em muitas das produções da câmara de Lisboa/EGEAC. E estou a lembrar-me de um extraordinário concerto do quarteto de Kenny Garrett aqui há uns anos no auditório Keil do Amaral em Monsanto assistido por um punhado de felizardos que calharam de tropeçar no minúsculo flyer municipal.
É de Tim Ries que falamos. Ries é um versátil e inspirado saxofonista e compositor, com mais de 100 obras escritas, tanto na área do Jazz como em linguagens mais clássicas. Tem colaborado com músicos como Phil Woods, All Foster, John Patitucci, Maria Schneider, Dave Liebman, Maynard Ferguson entre muitos outros, tendo mesmo ganho um "Grammy" numa gravação para a Verve com a Big Band de Joe Henderson. Actuou e gravou com nomes como Paul Simon, Sheryl Crow, Stevie Wonder, Incognito, Blood Sweat & Tears, David Lee Roth e acaba de fazer a segunda tournée mundial com os Rolling Stones, tocando saxofone e teclados. Já com 5 discos originais editados, Tim orientou agora as suas energias para a interpretação de Rock standards. A música de Jagger e Richards serviu de inspiração para o seu último trabalho - «The Rolling Stones Project», trabalho que será apresentado no Cinema São Jorge, em Lisboa, amanhã dia 9 de Julho ás 21h30 .
O grupo em palco será constituido por :
a voz de ANA MOURA que será acompanhada pelos seus guitarra e violas habituais.
TIM RIES (saxofone tenor e soprano), ele
BERNARD FOWLER (voz),
FRANCK AMSALLEM (piano)
JORDI BONELL (guitarras),
DARRYL JONES (contrabaixo e baixo eléctrico) e
MARC MIRALTA (bateria)
e ainda ANA MOURA que será acompanhada pelos seus guitarra e violas habituais
Reservas: 213103400

O blog de Ronan Ronan Guilfoyle


Ronan Guilfoyle, já aqui referido anteriormente, é um músico de excepção. Conheci-o por volta de 1983 (ou seria 84?) quando passou alguns dias no Porto, onde juntamente com o seu irmão Connor na bateria, Mike Nielsen na guitarra e Richie Buckley no sax tenor orientou um workshop de jazz e tocou 2 ou 3 noites num local hoje histórico para todos os que viveram aqueles tempos de aprendizagem :o "Churrasquinho". Primeiramente local de criação e abate de galináceos, depois restaurante especializado em (adivinharam...) frango e depois e ao mesmo tempo a primeira escola de jazz a norte do rio Trancão... Tudo isto no rés do chão já que no 1º andar morava a família que geria ambos os negócios, o dos frangos e o do jazz...uma família de músicos talentosos que, precocemente marcou a música em Portugal - os Barreiros. O Mário, o Pedro e o Eugénio. Desde os "Mini-Pop", grupo musical infantil e fenómeno nacional á época, até aos "Bandemónio" do Abrunhosa, passando pelos "Jáfumega" ou pelo grupo de António Pinho Vargas, estes 3 irmãos deixaram a sua marca de qualidade musical e de verdadeira paixão pelo Jazz.
Mas...Oops...perdi-me do que queria falar. De Ronan Guilfoyle. Ronan que tem um blog do melhor. Os seus posts mais recentes são especialmente interessantes : Uma entrevista a David Liebman sobre a época em que tocou com Elvin Jones e um outro post sobre o sistema de ensino do Jazz, suas contradições e mais-valias. Também o artigo "Art and Science of Time" vale a pena ser lido por todos mas especialmente por aqueles que partilham as suas vidas com um metrónomo. Tudo isto para dizer: Blog interessante AQUI !

domingo, julho 05, 2009

7ª Festa do Jazz



A Festa do Jazz afirma-se, de ano para ano, como o acontecimento mais significativo do Jazz nacional. O nível musical apresentado pelos alunos das escolas de jazz presentes a concurso não pára de surpreender quem tem acompanhado a "Festa" nesta sete edições. Pela primeira vez este ano, a competição pelos prémios de "melhor combo" e "melhor solista" pôde contar com 2 "escalões" - superior, em que competiram os cursos de Jazz da Escola Superior de Música de Lisboa, o curso de Jazz da ESMAE, do Porto e o Curso de Jazz da Univ. de Évora - e secundário, em que competiram todas as outras escolas de Jazz presentes. Não falando já do alto nível de competência e domínio técnico e conceptual dos melhores, espanta, isso sim, que o nível dos "menos bons" seja, mesmo assim , já tão elevado. Fantástico progresso nos últimos 7 anos.

Vencedores da competição de nível Superior:

Melhor Combo: Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), Porto.

Melhores Instrumentistas: ex-aequo Luís Cunha (trombone), da Escola Superior de Música de Lisboa e Fernando Bouzón (sax tenor), da ESMAE.

Concurso das Escolas de Música:

Melhor Combo: Escola de Jazz Luiz Villas-Boas/ Hot Clube de Portugal, Lisboa.

Menção Honrosa: Escola de Música Valentim de Carvalho, Porto.

Melhores Instrumentistas: Francisco Brito (contrabaixo), da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas
Diogo Diniz (contrabaixo), da Escola de Jazz, Porto e Nuno Oliveira (bateria), da Escola de Jazz, Porto.

O júri foi composto por Tomás Pimentel, Rui Neves e Jerónimo Belo.





Para além da componente competitiva, muito estimulante para todos - alunos, escolas e professores a componente artística revelou esta edição da Festa do Jazz como um ano de "boa colheita" especialmente no que respeita á revelação - pelo menos para mim - de dois jovens e excelentes compositores - André Matos e Ricardo Pinheiro. Cada um deles encorporando no seu espectáculo um músico convidado- em ambos os casos saxofonista e americano, George Garzone e Chris Cheek, respectivamente - e em ambos os casos recorrendo ao mesmo "núcleo duro" na secção rítmica : Demian Cabaud no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Se bem que a repetição deste figurino possa indicar alguma ausência de soluções, a música em ambos os espectáculos foi de alta qualidade.
André Matos revelou-se(-me) um muito interessante compositor e um excelente gestor de espaços. Criou uma música solene, uma arquitectura de grandes espaços (as grandes salas de Piranesi estiveram quase sempre presentes na minha imaginação), uma lentidão de acontecimentos musicais própria de um ritual de que se conhecem bem os gestos. Que dizer de um dos meus saxofonistas preferidos? Tudo o que Garzone toca tem o peso da autoridade e da visão musical de um mestre, obviamente. Mas estou convencido que Garzone raramente visita o tipo de conceito musical "habitado" por André Matos. Para mim foi claro o esforço consciente de Garzone em acentuar a melodia e em criar espaço. E é nestas coisas que se revela a inteligência artística de um grande músico na adaptação - intuitiva ou consciente - a uma nova (ou menos visitada) linguagem. De resto já tinha revelado as preocupações com espaço e melodia no workshop que dera na tarde anterior ao concerto . Suspeito que Garzone, durante o workshop falou para todos, é certo ... mas especialmente para ele. Há coisas que têm de ser ouvidas em voz alta...
Na noite seguinte, a última desta Festa do Jazz, Ricardo Pinheiro, cuja música me era de todo desconhecida, apresentou uma música complexa na forma, marcadamente modal e ritmicamente muito fluida (seja o que fôr que isto queira dizer mas , de momento é ao que me soa...). A primeira grande vitória de Pinheiro consistiu em reunir em palco gente da craveira de Laginha, Cabaud, Frazão, Chris Cheek e... João Paulo Esteves da Silva. Este último toca de uma forma cada vez mais inspirada, mais liberta de conceitos tão prosaicos como dissonância ou barra de compasso. As suas linhas e ritmos fluem apenas... e é emocionante ouvi-lo improvisar. Óbviamente que Laginha esteve em grande forma e Chris Cheek confirmou-se como o inspirado construtor de melodias que já me tinha surpreendido em "a Girl named Joe" e, especialmente no CD com a Big Band de Matosinhos.
Do que assisti do espectáculo "Vozes3" ressalta(-me) quanto o projecto me parece conceptualmente débil. Independentemente da qualidade das cantoras e músicos envolvidos está patente uma diferença de atitudes musicais e estilos que acabam por não se fundir nem comunicar entre si.
A Orquestra de Jazz de Matosinhos apresentou-se na sala principal do S. Luiz no fim da tarde de domingo. Um repertório preenchido com obras de compositores portugueses encomendadas pela OJM. De destacar a composta por Pedro Guedes e da qual, lamentávelmente, não fixei o título. Que dizer do trabalho desenvolvido por Carlos Azevedo e Pedro Guedes á frente desta orquestra ao longo dos últimos anos? Extraordinário. Conquistar a confiança musical de gente como Lee Kontiz, Chris Cheek, Mark Turner, Kurt Rosenwinkel, John Hollenbeck, Dieter Glawischnig, Maria Schneider, Rich Perry, Dee Dee Bridgwater ou Jim McNeely não é coisa pouca especialmente num país em que a vocação internacional do seu Jazz é ainda restrita aos 2 ou 3 nomes do costume.
A meu ver esta 7ª edição da Festa do Jazz foi uma das mais importantes desde a estreia deste evento : pela qualidade da música apresenta pelas escolas a concurso, pelo alargamento do número de escolas participantes de nível superior mas também pela apresentação a um público mais alargado de vários projectos nacionais em estreia mais é de estranhar a ausência de interesse que o balanço desta edição da Festa suscitou nos blogs de referência, pelo menos até agora. Diga-se bem , diga-se mal mas diga-se....

quarta-feira, julho 01, 2009

Pina Bausch

Quarteto de Joris Roelof - Background Music

O tema é uma daquelas pequenas preciosidades "inventadas" por Warne Marsh. Foram precisos 50 para a música desse saxofonista genial produzisse descendência. Mas quando apareceu foi de primeira qualidade. Mark Turner é disso o exemplo, não é?

Aqui fica referência a mais um jovem saxofonista "do caraças" : Joris Roelof


terça-feira, junho 30, 2009

Subconscious-Lee ou os prazeres da contrafacção




Standard Frisell



Um link interessante: as transcrições dos solos de Bill Frisell nos grupos de Paul Motion.
Uma abordagem fresca e original aos standards por um dos maiores inovadores da guitarra.

domingo, junho 28, 2009

terça-feira, junho 23, 2009

Perico with strings


















Um remake de "Bird with strings" por Perico Sambeat (sax alto), Mário Laginha (piano) e Orquestra Filarmonia das Beiras dirigida por Robert Sadin . Gravado a 19 de Setembro de 2006 no Teatro José Lúcio em Leiria, espectáculo integrado no IV Festival de Jazz da Alta Estremadura.

link para o mp3 da gravação do concerto aqui

quinta-feira, junho 18, 2009

Charlie Mariano 1923 / 2009

Uma triste notícia. Charlie Mariano deixou-nos.



segunda-feira, junho 01, 2009

Smalls is Beautiful





O "Smalls", um dos maiores clubes de Nova York, ocupa uma pequeníssima sala na esquina da 10th st. com a 7th av. Já são lendárias as noites de jam session ou os concertos que regularmente aí são apresentados. A gerência decidiu colocar á disposição, no site do club, as gravações de muitos concertos, tudo muito bem organizado por instrumentos e músicos. è só lá ir e escavar. Uma mina. Dos consagrados aos next-big-thing é só escolher em "artists+audio archive".





sábado, maio 30, 2009

Nota da Redacção

Para esclarecimento dos meus queridos leitores (todos os 3...) e evitar mais (justificada!) indignação, aí fica o esclarecimento sobre o post do workshop de Kenny Werner sobre Free Jazz.
Esse post não configura nenhuma exploração do trabalho alheio , neste caso do sr. Werner, trabalho e pessoa que muito admiro, nem violação da lei do copyright. Limitei-me a postar de uma forma ordenada e seguida uma série de videos que já estavam graciosamente acessíveis, embora dispersos, no interessante site http://www.artistshousemusic.org/ . Os videos foram disponibilizados nesse site pelo próprio sr. Werner para exibição com intuitos didácticos, os mesmos com que eu próprio os postei neste blog.

quinta-feira, maio 21, 2009



Hal Galper "Reach Out" (em "comentários")


domingo, maio 03, 2009

Chet Baker no Carnagie Hall (again)





O concerto de Chet Baker/Mulligan aqui falado anteriormente gentilmente cedido por CTI Never Sleeps


link em comentários

sábado, abril 25, 2009

terça-feira, abril 21, 2009

Está aberta a caça ás baldas

O Tiago mandou esta que (ao minuto 1.01) dá alegria a uma casa de família. :-))


domingo, abril 19, 2009

1/6 What is Free Music? WORKSHOP DE KENNY WERNER SOBRE FREE JAZZ

2/6 Feeling Freedom

3/6 Free Music and Finding Your “Inner Urge”

4/6 Getting into “The Eye of the Hurricane”

5/6 Unconditional Enjoyment

6/6 It’s all about the Player

Para todos os excelentes leitores á 1ª vista

Só para desenferrujar aqui fica um interessante estudo publicado neste blog. Estou certo que as "feras" da leitura á 1ª vista se vão sentir estimulados por este desafio.















clicar na imagem para aumentar

Michael Brecker também se baldava




É reconfortante, tranquilizador até, encontrar no trabalho de quem admiramos, pequenos erros que nos ajudam a confirmar a natureza humana e falível de gente que, quando a luz bate sobre determinado angulo, nos parecem "out of this world" como seja o caso de Michael Brecker.
Um super-músico de quem todos temos saudades, mas felizmente para nós, pobres aprendizes, um músico que também cometia erros.
Aparece aqui á frente de uma big band da qual Seamus Blake é o 1º tenor. O tema é "Goodbye Pork Pie Hat", habitualmente tocado em F- .
Brecker está aqui a tocá-lo um tom abaixo, em Eb - ou seja, está a lêr directamente de uma partitura de um real book em C, provavelmente. Seamus não recorre á pauta. Provavelmente toca o tema regularmente com a big band em questão.
A seguir ao óptimo solo de Brecker ,Blake improvisa com um conhecimento perfeito das possibilidades harmónicas do tema, com interessante voice leading, oferecendo-nos um pequeno manual de approaches a F- ao longo de uma curva de desenvolvimento de solo realmente emocionante.
Mas voltemos a Brecker e ao seu solo .
No primeiro chorus, ao minuto 4.16, Brecker confunde Db7 com D-7 (na tonalidade do tenor) e toca inteirinho este arpejo descendo da terceira e acabando na 7ª MAIOR (de Db7) ...Oouch!!!
Surpreendido pelo erro, Brecker inclina-se em direcção á partitura para verificar o acorde. Deve ter percebido então que confundiu um sinal de "bemol" por um sinal "-" , de menor.
Óbviamente irrelevante este e quaisquer outros erros que Brecker pudesse cometer, dá-nos, isso sim, uma pequena "janela" de acesso á forma de pensar e produzir música de Brecker. Quanta da acção e pensamento no acto de improvisar são ditados pelo contexto sonoro? e pela partitura? Qual o grau de pré-audição de uma frase improvisada? Quanta música produzimos ditada pelo ouvido? e pela visão dos sinais gráficos que os acordes representam?
Seguramente poderemos aprender tanto - ou mais - com os erros dos nossos heróis do que com as suas notas "boas".
E por falar em "baldas".
Há uma balda no solo de Coltrane no tema "Bahia", no disco do mesmo nome. Conseguem detectar?
E os meus (dois...) leitores? Também descobriram erros nos solos dos vossos heróis do saxofone? Partilhem.

E por falar em Paris...

Alguns locais e salas de espectáculos a não perder, para o viajante em busca de jazz


  • Cabaret Sauvage

  • Sunset/Sunside

  • Duc des Lombards

  • New Morning

  • Le Baiser salé

  • O guia das jam sessions de Paris

  • Atelier du Globe

  • O sr. Richard Scotto fechou a sua loja "Quintette Musique" e abriu um blog. Richard era um dos mais populares e respeitados negociantes de instrumentos de sopro de Paris. Músico amador, tinha a parede da sua loja forrada com as fotos autografadas e dedicatórias de muitos músicos famosos de passagem por Paris. Amigo pessoal de Michael Brecker , que o visitava na sua loja sempre que passava por Paris, Richard sentiu como poucos a doença de Brecker mantendo contacto com a família e oferecendo a sua casa de Marselha para a convalescença de Brecker, o que, infelizmente, nunca chegou a acontecer. A loja do sr. Scotto era um ponto de passagem - e paragem - de muitos saxofonistas parisienses, onde se podiam ouvir contar as mais mirabolantes "estórias" de músicos e de música. Parecia um barbeiro ... só pra saxofonistas !! Parte das conversas que por lá se ouviam estão agora no blog, mas não é a mesma coisa. Como é que um blog pode substituir aquela loja? Fecham as barbearias, abrem-se blogs...
De que escreveria Álvaro de Campos se o dono da tabacaria a tivesse fechado....para abrir um blog?
".......0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança,
e o dono da tabacaria sorriu.
"
Álvaro de Campos

Marianne d’Ursin é uma craque. Reparadora de instrumentos de sopro – saxofones, na esmagadora maioria – ela dirige há perto de 20 anos um atelier, o “Sax Machine”, na Rue Rochefoucauld onde vão parar alguns saxofonistas, alguns vindos de muito longe, como é o caso do presente escriba.
De um profissionalismo sem tiques ou mesuras, de trato super-cool com os clientes que lá aparecem, em Marianne detecta-se a paixão pelos instrumentos logo aos primeiros momentos de conversa. Fã de Michael Brecker, Marianne, tem uma paixão pelo seu trabalho que a tornou famosa no meio saxofonistico parisiense.
Sem email, webpage própria (esta foi feita por uma amigo) ou sequer computador é a Marianne que se telefona quando um dos pesos-pesados de passagem por Paris precisa de uma reparação urgente. Foi o caso de Jesse Davis e - contado com enorme orgulho e um brilhozinho nos olhos - Wayne Shorter.
Pendurados na parede, uma das melhores colecções de saxes vintage de Paris tipo “morri e fui pró Céu”… Foi assim que travei conhecimento com o meu “Marques VI.”
Se por lá passarem, vão com tempo, desempoeirem o francês e divirtam-se mesmo sem gastar dinheiro. Há salas insonorizadas para experimentar boquilhas e saxofones e pode ser que o Balanced da vossa vida lá esteja, dormitando pendurado da parede, á espera que o vão desinquietar.

SAX MACHINE
46 RUE DE LA ROCHEFOUCAULD - 75009 PARIS
Tel : 01 45 26 05 20

segunda-feira, abril 13, 2009

Trane aos 19 anos



John Coltrane - de fatinho de marujo - e sax alto (!) ao peito, numa jam session no Hawaii, tocando "Now's the Time" em 13 de Julho 1946.

Os outros músicos são:

Dexter Culbertson - Trompete
Norman Poulshock - Piano
Willie Stader - Baixo
Joe Theimer(aka Timer) - Bateria
Benny Thomas - Voz






domingo, abril 12, 2009

Deus está nos pormenores... e nas câmaras anecóicas !

Não sei se isto acontece com outros saxofonistas ou só comigo:
Ás vezes, e na procura de um ataque mais preciso e imediato de uma nota grave do saxofone, um "truque" consiste em fechar as chaves que produzem essa nota, uma fracção de segundo antes da emissão da própria nota.
Por acaso e pela 1ª vez, se bem que não no saxofone, vi o fenómeno explicado :

"Spectral analyses indicate that the key action noise pre-excites the flute tube before the wind pressure produces the musical tone. The pre-excitation makes it easier to produce the correct pitch, as the expected partials are already present in the tube at a very low level".

Outro pormenor interessante. ("interessante pra quem??!!" perguntarão os meus amigos...)
Através do mesmo artigo fico a saber que o lapso de tempo entre o fecho das chaves da flauta e o pico do volume da nota produzida é de 94.5 milissegundos. Uma eternidade !....
Se extrapolarmos a situação para um clarinete, para um sax barítono ou para um sousafone outros tempos de desfazamento serão, com certeza, encontrados. O que leva a pensar: Qual é a latência característica de cada instrumento? E de cada músico?
Qual seria a latência do Dexter Gordon, por exemplo?
A experiência relatada no artigo foi conduzida numa câmara anecóica, local especialmente propício a experiências científicas (e sensoriais) reveladoras.
As mais próximas de Lisboa (refiro-me ás câmara anecóicas e não ás experiências) são, creio eu, as do laboratórios do ICP-ANACOM em Barcarena e a do Departamento de Electrónica e Telecomunicações da Universidade de Aveiro.
Ando morto por marcar uma visita...





sexta-feira, abril 10, 2009

domingo, abril 05, 2009

"If you didn't practice today, don't worry. Somebody else did"

Chet Baker no Carnegie Hall

A história é contada pelo trombonista Ed Byrne no site http://www.freejazzinstitute.org/.
O facto da "estória" ser contada na primeira pessoa reforça o seu significado, especialmente para todos aqueles que tocam jazz e estão habituados a ter de lidar com a imponderabilidade e imprevisto de muitas situações, musicais e não só...

"Quando se toca com uma estrela numa das mais famosas salas de concerto do mundo com a lotação esgotada, tudo pode acontecer - e muitas vezes... acontece.Chet Baker foi contactado por Creed Taylor para a realização de um grande concerto no Carnegie Hall, um concerto de come back que iria ser gravado para edição de um CD duplo e que contaria com a presença de outros nomes de cartaz como Gerry Mulligan e Stan Getz, e ainda luminárias como Roland Hanna, Ron Carter, John Scofield, Harvey Mason, Dave Samuels e Bob James. Quando todos eles chegaram aos estúdios CTI para ensaiar, imediatamente começaram a implicar uns com os outros e a trocar comentários desagradáveis e egocêntricos. Do facto de se recusarem a tocar uns com os outros e de também não ser possível fazer o concerto únicamente com o grupo habitual de Chet eu acabei por me tornar numa adição forçada á lista de músicos que iriam participar na gravação do Carnegie Hall. Posteriormente, quando Chet e eu ensaiamos o nosso melhor repertório com Bob James, Ron Carter e Harvey Mason, tudo correu lindamente. Contudo , na noite do concerto nem tudo foi perfeito. O apresentador trouxe primeiramente para o palco os sidemen anunciando , de seguida, a estrela. Com toda a banda reunida no palco, o nome de Chet é anunciado mais uma vez mas de Chet...nada. Nota-se um borborinho por trás das cortinas e percebe-se que há um problema no backsatge.Chet estava envolvido numa cena de pugilato.
Foi assim que o concerto começou. De seguida, vendo a sala apinhada de gente,inclusivamente com público a assistir, de pé, nos corredores laterais, Creed Taylor, por qualquer razão que desconheço começou a sugerir a Chet temas que não tinhamos ensaiado e que -francamente - não conheciamos. Esta era umas das fraquezas de Chet : apesar de ser o grande músico que era, Chet revelava muitas vezes, fraco poder de avaliação como leader. Esqueceu todo o set que tinhamos preparado e começou a chamar temas - em pleno palco - diferentes dos combinados e perfeitamente desconhecidos. Um desses temas era "The Thrill Is Gone" e ele contou-o num tempo de balada o mais lento que eu jamais tinha ouvido ou tocado até aí ou voltei a tocar desde então. Chet cantou a melodia enquanto eu toquei backgrounds no trombone e tudo correu bem... até ao meu solo.
O pianista Bob James, aparentemente desconfortável com o tempo, quadruplicou o ritmo harmónico ou seja tocou os acordes quatro vezes mais depressa durante o meu solo, onde eu parafraseava a melodia... no tempo inicial. Ron Carter estava perdido na harmonia e não podia ajudar. Chet, frustrado grita para Bob James (acerca de mim): "Ele está a tentar tocar uma balada!" A isto, Bob James, um produtor de sucesso com méritos firmados, encolhe os ombros com indiferença e continua o que estava a fazer. Isto enfureceu Chet que ficou vermelho-beterraba, mostrou o punho e avançou decididamente para James com a intenção de o esmurrar em palco, no Carnegie Hall, com a sala á cunha durante a gravação de um CD duplo. Eu estava no centro do palco, á frente, com Chet á minha esquerda e James á direita, pelo que ao ver o que se passava - enquanto fazia o meu solo, que estava a ser gravado - me inclinva de forma a bloquear-lhe a passagem em direcção ao pianista.

Isto prova que , por mais preparados que estejamos, sempre pode acontecer algo que nos surpreenda. É nas minúcias da música (acordes, escalas, forma, etc) que se deve centrar de forma a podermos estar livres para reagir aos músicos com quem interagimos e ao público a quem contamos a nossa "estória". Só se nos mantivermos focados e suficientemente fortes poderemos ultrapassar os obstáculos e distracções como os do incidente que acabei de descrever.

Mais tarde, ainda nessa noite Chet e eu tocamos no nosso gig regular no "Striker’s,um clube de jazz na cave de um hotel na esquina da 65th Street com a Columbus Avenue. Durante o nosso set o telefone do bar não parou de tocar, sem que o empregado atendesse, já que ele sabia que a era a namorada de Chet. Isso acontecia sempre que ela tinha conhecimento que a (legítima) esposa de Chet estava no club. Num momento de breve silêncio entre temas Chet olhou para mim e disse: "Sabes, pá, isto aqui é que é..." Ele tinha vindo do grande concerto de regresso no Carnegie Hall , em Nova York, gravado um CD duplo para uma das maiores editoras do mundo e diz-me que aquele clubezinho da treta, onde recebiamos 25 dólares por noite, "é que é" !!"

CD/Album : Gerry Mulligan/Chet Baker: Carnegie Hall Concert Vol 1&2(CTI6054-55/Epic5542)
Data de gravação: 24 de Novembro de 1974 CARNEGIE HALL-NYC :
com
Chet Baker(trompete)
Gerry Mulligan (sax baritono)
Ed Byrne(trombone)
Bob James(piano)
David Samuels(Vibrafone)
John Scofield (guitarra)
Harvey Mason (bateria)
Ron Carter (contrabaixo)

sábado, março 21, 2009

Hayden Chisholm


O saxofonista neo-zelandês Hayden Chisholm foi (é) para mim a mais recente descoberta.
Surpreendente descoberta.
Músico multifacetado e pensador inquieto, Chisholm, que vive entre Colónia e Barcelona, para além uma intensa carreira como performer (ao lado de gente como Nils Wolgram ou Jochen Ruckert) e educador, mantem um interessante blog , um site oficial e uma mais ou menos extensa lista de videos no Youtube.
De toda essa interessante actividade o clip aqui embutido representará, sem dúvida, uma das suas maiores contribuições para a nova música improvisada do primeiro quartel do sec. XXI.
Edificante momento, de profundo significado artístico e transcendental, este video alterará, sem dúvida, todos aqueles a que a ele assitirem. Para mim constituiu a revelação de um mistério nunca desvendado desde a altura que eu próprio iniciei o estudo do saxofone.



Ainda Coltrane


É espantoso o que a vontade e paixão de uma só pessoa pode desencadear. Steve Fulgoni iniciou uma cruzada pela preservação da casa onde viveu John Coltrane. Depois de muitos obstáculos o projecto "The Coltrane Home in Dix Hills" ganhou forma e hoje, para além da preservação da casa em si, faz com que muitas centenas de miudos tomem contacto com a personalidade e obra de Trane mantendo e actualizando o impacto social e espiritual contido na música de Trane.

Coltrane (e Elvin?) treinam no quarto de hotel


Uma gravação rara vinda da colecção privada de raridades de Michel Delorme e postado no excelente blog de Carlos Valdez com John Coltrane praticando o solo de "Four". Trane é acompanhado por alguém, provavelmente Elvin Jones, que toca bateria na almofada ou cama de hotel. Uma oportunidade para conhecermos os hábitos de estudo e práctica de Trane "on the road".







google-site-verification: googlefa1481a732b9d84f.html