domingo, dezembro 29, 2013

Duke Ellington's Sound of Love - Jim Odgren alto sax solo



A mais bela balada jamais escrita, alguém disse desta canção. Sem dúvida um dos temas mais extraordinários saidos da caneta de Charles Mingus.
Melodia e harmonia numa relação íntima e feliz, absolutamente perfeita. A canção guia-nos para momentos de resolução que cremos adivinhar para, lá chegando, nos surpreender com um movimento inesperado e mais belo do que alguma vez imaginamos. Um tema que reune inteligência musical e sensibilidade raros no repertório de Jazz.
Uma sonoridade que me impressionou, a mim e aos membros da pequena comunidade jazzística de início dos 80's foi a do quarteto de Gary Burton. Frescura e modernidade. Em especial o disco "Now Picture this" onde pontificava, para além de Burton, o saxofone alto de Jim Odgren.
O  quarteto tocou no Teatro Carlos Alberto, na cidade do Porto, aí por 82 ou 83. Burton, no vibrafone, Jim Odgren, no sax alto, Steve Swallow no baixo eléctrico e Dick Hyman na bateria. Com muita pena não pude assistir ao concerto da noite (gig diário no Casino de Espinho) .
Aproveitando o facto do meu amigo e colega Alberto Jorge ter emprestado o amplificador de baixo ao Steve Swallow, baixista do grupo, fui de boleia e assisti ao sound-check do grupo.
Ao vivo ainda mais me impressionou o som do jovem Odgren - teria aí uns 23 ou 24 anos. Não era frequente ouvir o alto soar assim. A trend da altura, no que respeita ao som do alto, andava á volta dos saxofonistas negros como Cannonball, Bobby Watson ou Jackie Mclean. O jovem Odgren representava uma linha timbrica nova para mim e muito atraente, que vim mais tarde a encontrar também em Dick Oats ou Steve Nelson.
No fim do sound-check cumprimentei o saxofonista, que me confessou andar a juntar dinheiro para comprar um Selmer Super Action serie II (igual ao que eu tinha comprado há pouco tempo...) Fiquei a saber que a boquilha que usava era uma Dukoff o que instalou de imediato curiosidade e "gula" por essas boquilhas, que não conhecia á altura. Ficamos amigos e ainda há poucos anos nos contactamos. Jim Odgren é, desde 1982, professor da Berklee School of Music. Tem 2 discos editados, um dos quais teve a amabilidade de me enviar, juntamente com alguns comentários de carácter técnico.

Fica a transcrição do seu solo no tema "Duke Ellington's Sound of Love" (aqui tocado meio-tom acima da tonalidade original) , um solo cheio de elegância e contenção .

 

 

 

sábado, dezembro 28, 2013

Cuidados intensivos III

 
Com as últimas notícias sobre a recuperação da minha boquilha François Louis - que muitos consideravam condenada... - chegou esta foto .
Fabrice Wambergue, o luthier que, graciosamente, assumiu o desafio de a recuperar através de uma técnica e componentes por ele inventados, considera o trabalho terminado e informa que receberei a boquilha nos próximos dias. Curioso...
O estado inicial da boquilha pode ser visto aqui
 

segunda-feira, dezembro 16, 2013

All the things you are - Lee Konitz

Um disco fabuloso com músicos fabulosos.
O quarteto de Lennie Tristano, em topo de forma, gravado no Sing-Song Room do restaurante Confucius, em New York a 11 de Junho de 1955.
Em minha opinião este é um dos mais felizes temas do disco, em parte devido ao delicioso solo de Konitz, aqui transcrito. Melodia, melodia e mais melodia...







terça-feira, dezembro 03, 2013

Carreira



O maior fenómeno "musical" (e de vendas) neste pobre país que se afunda baseia-se numa série de pressuposto herdados de 48 anos de Estado Novo: o rapaz de província - Tony Carreira - que vindo da pequenez do seu meio, vence na vida e conquista o Mundo, a família como unidade estrutural de sucesso cuja força (em se mantendo unida)  tudo ultrapassa, o artista que "lá fora" projecta os saudáveis valores nacionais da humildade, do trabalho e da "honradez"...a vitória da simplicidade rural sobre a modernidade urbana...
Uma miscelânea de valores que conhecemos bem... e que em alguns de nós, já lá levaram durante demasiados anos com eles, apenas provoca o vómito... Pelos vistos para uma enorme parte da população, antes pelo contrário, provoca a vontade de comprar bilhete e ir ver o Tony...
Os gostos discutem-se , sempre se discutiram (eu sempre os discuti) e apena a iliteracia da tal população permite compreender o fenómeno. País de parôlos, semi analfabetos, tristes e conformados. Nos piores casos, arrogantes na sua imbecilidade...
aqui falei da "música" do Carreira. Devo acrescentar que  tenho o maior respeito pelos músicos que tocam neste e noutros, e em todos os contextos  e que se possam sentir ofendidos com o que aqui escrevo. É da miséria cultural do País que falo e não deles.
A música dos Carreira é como o fungo que nasce entre do dedinhos do pé ...apenas o sintoma de que uma muito grave e perigosa regressão cultural está em marcha (vitoriosa) neste pobre país pobre. . Falar em plágio é irrelevante no caso dos Carreira . O seu (deles) público está-se marimbando em originalidade. Até talvez antes pelo contrário goste de ver repetidas ali no palco músiquinhas que já ouviu no sound sytem do Lidl (melhor) tocada e (melhor) cantada por outros. Portanto, para quê falar de plágio? Com certeza que a Sociedade Portuguesa de Autores também não terá nada a dizer, desde que o direitos de "autor" entrem em caixa...Mesmo assim é interessante (digo eu) comparar os videozinho:

 
 
 
Mais sobre a carreira de plagiador do Carreira:
 

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Tesouras & navalhas



Transcrição de excerto de um prelúdio improvisado para a tarde de um amolador em Torres Vedras. Clara influência do impressionismo francês em particular de Debussy.


quinta-feira, novembro 28, 2013

George Sarkis - "The Doctor Of Horns"


Na Alfândega, em processo de resgate do meu novo sax alto, um Buescher Aristocrat de 1960 comprado no ebay. Vem dos states, do estado de Washington, longe pra burro...
A coisa faz-se, não sem antes pedir o livro de reclamações (mau feitio, chiça...).
O cartaz que diz (sem um pedido de desculpas ou outra qualquer justificação) “NÃO TEMOS MULTIBANCO” é quase insultuoso num local –repartição de encomendas internacionais dos CTT- onde as quantias a pagar são a maior parte das vezes superiores a 100 € e onde, para se chegar, é necessário subir escadas. Pergunto “e então como pago?” . “Pode pagar em cheque ou numerário. Tem um multibanco a 3 minutos daqui” . Qualquer pessoa com mobilidade reduzida acharia esses 3 minutos uma anedota de mau gosto. Com subir e descer escadas, chegar à máquina de multibanco e regressar talvez chegasse a tempo de encontrar a repartição ainda aberta...ou talvez não. E depois a frequência com que os utentes têm de ir aquela máquina levantar quantias mais ou menos consideráveis garantirá a qualquer meliante da zona a garantia que no regresso a pessoa vai agradavelmente abonada o que a torna num potencial candidato a desagradáveis encontros.


Bom...Regresso ao carro de grande encomenda debaixo do braço...O x-acto que serve para raspar palhetas serviu para rasgar o plástico de bolinhas em que a coisa vinha envolvida. Na mala do carro abro a caixa  apenas para ver o sax e o estado em que veio...É lindo. Há muito que queria deitar a mão uma destas coisas... Uma tonalidade de amarelo torrado, o design retro de chaves e proteções tudo numa mala que remete de imediato para os anos 50. Fecho a caixa e regresso a casa a estalar de curiosidade e vontade de soprar na “coisa” e , finalmente, ouvir a sua voz.

Finalmente chegado, monto o tudel, coloco a boquilha e ....ok....vibra, soa, grita e sussurra como um vintage o deve fazer. Há aqui imenso a descobrir... Som escuro mas cheio de harmónicos... super excitante. Ao contrário do que anunciado (“fully functional for professional use”) o sax precisará de ajustes, algumas (todas?) sapatilhas e molas. Na viagem o espigão da chave de oitava sofreu impacto. Nada boas as condições de empacotamento. Deixarei isso expresso no feedback ao vendedor.
Vasculho o que  vem juntamente com o saxofone. Nenhuma boquilha, isso já eu sabia . Uma correia das antigas, palhetas muiiito antigas mas aparentemente em perfeito estado.Limpa-tudeis, lâmina de raspagem de palhetas, caixa de massa lubrificante para cortiças. Tudo com um aspecto de não ser usado nas últimas (muitas) décadas. Vê-se que houve utilização profissional, mas há muito interrompida. Imagino a estória deste objecto, do seu dono, da sua utilização. Procuro uma data, um papel, uma inscrição que me possa fornecer mais algum detalhe dessa estória. Um envelope dobrado várias vezes. Nada escrito, nada dentro... Vasculho no exterior da mala. As iniciais “R.G.T” escritas a tinta corretora branca.

Debaixo dos pequenos objetos e acessórios que referi vejo um pequeno papel, um cartão de visita. De um lado o calendário de 1957 (o meu ano). Do outro o nome “George Sarkis Expert repairing - Musical instruments New and used” e a morada 108, 18th street em Filadélfia.
Um achado ! muito mais do que eu poderia esperar. Um nome, uma data!
Fico a saber que este saxofone sofreu, em tempos intervenção do sr. George Sarkis na sua loja em Filadélfia.
Corro á net a saber quem foi este sr. De imediato aparece na página “
GEORGE SARKIS - "The Doctor Of Horns". Fico a saber que foi um dos mais famosos e procurados reparadores de saxofones dos anos 50, amigo pessoal de Parker a quem emprestou saxofones quando o músico não tinha instrumento em que tocar, amigo e reparador de Coltrane, a quem, durante alguns anos, forneceu e modificou boquilhas.
Uma surpresa , este pequeno cartão de visita que transformou o meu já elevado prazer em ter um novo saxofone em algo mais.
Pelos vistos e pelo que é aqui descrito a oficina de George Sarkis foi o hang-out de uma quantidade aterradora de génios do saxofone, figuras que de uma forma ou doutra, marcaram a história do Jazz.
Imagino aquela mala e aquele saxofone na pequena oficina do sr. Sarkis, no ano em que nasci. Por cima, por baixo e dos lados outras caixas, outros saxofones. Á porta enquanto esperam, Cannonball cavaqueia com Mulligan sobre o último jogo dos New York Giants. Faz frio.
A quem poderia ter pertencido o saxofone que agora repousa nesta sala, prestes a ressuscitar para mais alguns anos de música ?
in "Chasin the Trane" J.C. Thomas





sábado, novembro 16, 2013

Dixit




“It’s not technique, its timing” —Oscar Peterson
“Practice without accents” —Oscar Peterson
“The body is a rock; the arms are snakes” —Claudio Arrau
“All notes are ‘up’ notes” —Martha Argerich
“Feel the Ground” —Anton Rubinstein
“It’s all about circles” —Chick Corea
“Think of elephants, giraffes and hippos as you play” —Bill Evans
“C fingerings in all keys” —Franz Liszt
“Giant Steps solo in all keys” —George Coleman
“Music is Technique”—Nadia Boulanger
“Practice for the performance” —Chick Corea
“You must be a good draftsman before you can be a great painter” —Bill Evans
“Practicing is pushing a wall—you wake up the next day the wall has moved” —Bill Evans
“Don’t force the keys” —Art Tatum (to Red Garland)
“Each time is different”—Artur Schnabel, upon practicing the same phrase 200 times
“Three hours before breakfast” —Mike Stern
“Enslavement to the notation” —Craig Taubman
“Nothing difficult about it—just hit the right keys at the right time” —J.S. Bach
“You can’t be unhappy and be learning something new at the same time” —Merlin

"this is your LIFE"


Keith Jarrett - The Art of Improvisation

Sobre improvisação e um dos seus grandes mestres - Keith Jarrett.
 
 


 


 

 
 

 
 

 
 

quarta-feira, novembro 13, 2013

Cuidados intensivos II

 
Depois de alguns ensaios preliminares a fórmula da massa especial desenvolvida por Fabrice Wambergue  parece estar "no ponto".
As fotos da sua experiência/teste feita com uma velha boquilha de clarinete parecem confirmar que irá ser possível a recuperação total da minha "François Louis".
Á suivre.....
 
 
 
 
 




segunda-feira, novembro 04, 2013

Cuidados intensivos

 
Tal como a torrada cai sempre com a manteiga para baixo, a minha boquilha François Louis tinha que cair naquele pequeno espaço de chão não coberto por tapete. E de nariz direto ao solo. Aquela coisa do Murphy....
Pedi ajuda/conselho num daqueles grupos de nerds do facebook (gosto imenso de nerds e há 50 anos que estudo pra me tornar um...) O grupo chama-se (com uma grande falta de imaginação...) "Saxophonists" e é bestial.  4 mil e tal membros doidos por saxofones... Dantesco !!!
Uns aconselharam-me a colocar a boquilha no lixo, outros garantiram que mesmo depois de arranjada (se é que isso seja possível) a boquilha nunca seria a mesma, outros deram-me contactos (nos Est. Unidos) de óptimos "refacers" e técnicos de boquilhas.O meu amigo Richard Scotto indicou-me em Paris um seu amigo técnico...
Enfim... A meio da conversa, recebo uma mensagem de Fabrice Wambergue, membro do grupo, entusiasmadíssimo por eu ter uma François Louis a precisar de intervenção. Ele é reparador e luthier em Paris e há muito que andava com vontade de testar o seu engenho numa dessas boquilhas, a única feita de um material inovador ("grounds") .
Propõe-me tentar reparar graciosamente a boquilha, pagando eu apenas os portes. Encantado.
Tanto mais que como muitos saberão, mesmo na Europa, é raro encontrar técnicos reparadores/transformadores de boquilhas, coisa que nos States é prática corrente. De notar que não há (que eu saiba) um único no nosso País.
A boquilha chegou hoje ao seu atelier, e apesar de se confessar um pouco apreensivo com a tarefa que tem pela frente, está desejoso de começar.
Prometeu ir enviando fotos das fases do trabalho que eu colocarei aqui.
 
Stay tuned!!
 
check it out !
 
FABRICE WAMBERGUE

domingo, outubro 13, 2013

Porto, Jazz, 70's

Do Jazz no Porto, durante o final de 70'tas e 80'tas talvez um dia se conte a história. Entretanto aqui ficam algumas das raríssimas fotos sobre esse período:

Uma jam-session na Cooperativa Árvore por volta de 1976/77

Joel Garrido -guitarra
Armando (irmão do Zé Rato) -bateria
Zé Nogueira- (de barba) ao piano
de costas (talvez)  o Pedro Cavaco
Informação enviado pelo contrabaixista Artur Guedes (Zanarp)



Num workshop em Pontevedra no principio dos anos 80
Da esquerda para a direita:
Perico Sambeat, José Nogueira, ? (trompete)  , David Liebman, ? (piano)



Quarteto Zanarp, Praça de toiros da Figueira da Foz (final de anos 70ta)
da esq. para a direita:

António Pinho Vargas, Zé Nogueira, José Martins, Artur Guedes

sexta-feira, outubro 11, 2013

A primeira Big Band de Jazz portuguesa


Maestro Jorge Costa Pinto
Há exactamente 50 anos (1963) , músicos portugueses reuniram-se para formar aquela que veio a ser a primeira Big-Band de Jazz Portuguesa.

Jorge Costa Pinto, baterista, arranjador e pianista foi o mentor do projecto. A sua paixão pela música tinha-o levado aos Estados Unidos onde frequentou a famosa Berklee School of Music tendo sido, creio, o primeiro português a fazê-lo.

A convite de Manuel Jorge Veloso que na altura produzia o programa "Jazz no Estúdio 2" da (então jovem) RTP, Costa Pinto reuniu em estúdio músicos provenientes de várias áreas (bandas militares, orquestras, música ligeira) e com apenas dois ensaios atiraram-se convicta e destemidamente ao tema  "La Nevada Blues" de Gil Evans.

Os solistas foram dois nomes que viriam a ser famosos na cena musical portuguesa : o saxofonista Santos Rosa e o guitarrista Carlos Menezes .

O vídeo que aqui se reproduz e cujo original faz parte do espólio pessoal de Jorge Costa Pinto foi gravado de uma projecção no fundo de palco do Centro Cultural de Belém durante o ensaio geral do espectáculo de comemoração dos 50 anos da estreia da 1ª Big Band de jazz portuguesa, espectáculo que teve lugar a 10 de outubro de 2013.

Neste espectáculo o tema "La Nevada Blues" foi mais uma vez interpretado pela Orquestra sendo os  solistas este vosso escriba dedicado (no saxofone tenor) e o guitarrista Bruno Santos, coincidentemente ele próprio também madeirense como Carlos Menezes, guitarrista da versão de 1963. Foram convidados para este espectáculo  músicos que, ao longo dos últimos anos, colaboraram com a Orquestra : Maria Viana e Kiko (voz), Rao Kyao (flautas),  Carlos Martins (saxofone) e Jeffery Davis (vibrafone).

Apesar das más condições técnicas do vídeo ele constitui, ao momento, o único registo público deste momento histórico para o Jazz em Portugal.
A publicação deste vídeo na sua versão original e integral espera-se para breve, segundo informação do próprio maestro Jorge Costa Pinto.
 
 
 

Santos/Melo 4tet + Seamus Blake


@ Hot Club, Lisbon Portugal, 9/10/13
Seamus Blake -sax tenor
Bruno Santos guitarra
Filipe Melo_ piano
Bernardo Moreira_contrabaixo
Luis Candeias_bateria
     foto Joaquim Mendes

segunda-feira, outubro 07, 2013

Economica-lee troubled

me and Lee
In 2006 I brought Lee Konitz to the town where I live in Portugal to play Ohad Talmor arrangements  and originals with the Matosinhos Jazz Orchestra . That concert was part of TVedrasJazz , “my” jazz festival in which  I was artistic director, financial director, manager, executive producer, musician’s driver, concert poster paster, you name it…
I started by contacting  Lee’s manager, an Austrian guy based in New York and we agreed with conditions. Among them was that the fee should  be payed in two instalments the first  being transfered two months before the concert . The rest should be paid in cash, the day of the event and BEFORE the concert. I was warned that if these conditions were not fulfilled the concert would not take place.
Everything went well. A first instalment had been transferred as planned. The contacts with Lee’s manager were going smooth. The concert was on a Saturday.  The day before (Friday) at 5 o’clock in the afternoon a bell rang inside my head and I realized that I did not withdraw from the bank the amount (cash) that I was supposed to be paying to Lee’s representative.  Panic ! It came to my mind what the Austrian guy had told me: No payment before the concert, no concert !. My first move was to call my bank and explain the situation. They were really sorry…. But even if they wanted, the safe would no open cause its inner mechanism  was configured not to open till Monday….It came to my mind that the my bank's branch at Lisbon airport should be opened all weekend….. Nice idea, hmm?
I thought I had the situation under control but…. my bank had no branch at the airport !!. Oh lord I‘m in trouble… we’re talking about getting more than 6.000 euros (a little over 8.000 $USD) in cash during a Saturday with all banks closed. I had to call New York and explain to the Austrian guy (to whom I was a complete strangers) that I had FORGOT to get the money I was supposed to be paying . I made the phone call. His reply  was very direct : you’re in deep shit.
It was clear to me that if  I did not get the money it won’t be any concert. Next step : call Lee's representative in Portugal and try to explain the situation. The band was rehearsing in Porto with the Matosinhos Orchestra. I started by calling one of the orchestra directors who knew me from way back and he was kind enough to give good references for me , so when I got to speak to Lee's man, he took it in a very nice and polite manner although he was really worried about not having the money he needed to pay to soloists and hired musicians at the end of the concert. He seemed to understand the situation and very politly asked me to try to get AT LEAST 5.000 euros in cash……. Well, if I could gather 5.000€ it shouldn’t be hard to get 6.000... But, at the time I didn’t have any idea how to get 50 euros out of a closed bank ...and,  I was not (yet) thinking of robbing one...
For the moment I had nothing else to do other than go home and try to think a way to get out of that mess. That was the first time I was hiring an international name and I was feeling real dumb. Could not eat dinner, I was sweating cold and trying to get out of my mind the vision of Lee Konitz refusing to play .
That night I could not close my eyes and get to sleep. How could I get 6.000 euros in the next 20 hours?  

(to be continued...)
 


quinta-feira, outubro 03, 2013

Vintage Liebman

David Liebman é, em minha opinião, um dos saxofonistas mais importantes do universo do Jazz. A razão pela qual lhe atribuo essa importância tem a ver com a forma como a sua música representa (para mim) a ponte entre dois mundos: o antes e o depois de Coltrane . Com a partida de Trane uma multiplicidade de caminhos ficaram em aberto, uns apenas encetados, outros explorados mais a fundo, outros apenas sugeridos: o desenvolvimento de uma complexidade melódica até então desconhecida no "jogo" dos músicos de jazz seus contemporâneos (a época das "sheet of sound") ; a transformação/apropriação definitiva da canção ("My favourite Things"); o modalismo - que Trane abraçou desde o primeiro momento em que Miles lho sugeriu ("Kind of Blue") - e que mais tarde teve os seus momentos mais intensos em "Impressions"; o interesse pelas tradicões musicais de culturas exteriores ao Jazz - aquilo a que mais tarde se veio a chamar "World Music" ("India", "Afro-Blue"); as explorações sonoras resultantes de divisões simétricas da oitava (sistemas quadritónicos e tritónicos) da qual "Giant Steps" é o resultado mais conhecido; a busca de uma nova abordagem à improvisação em grandes formações("Ascension") ou a procura - talvez iniciada em "A Love Supreme" - de uma transcendência da tonalidade, procura essa que seguiu furiosamente até ao fim.
David Liebman tomou como suas todas estas áreas de exploração musical, com uma intensidade e paixão difíceis de igualar, com um espírito de missão que transparece da importância que desde muito cedo deu á componente pedagógica da sua atividade.
Sem sombra de dúvida um dos meus saxofonistas favoritos. Daí que encontrar os vídeos aqui postados tenha "feito o meu dia".

Gravado no New Jazz Festival (Hamburgo,Alemanha, 1975)    
Dave Liebman, sax soprano, tenor e flauta
Richie Beirach, piano
Frank Tusa, baixo
Jeff Williams, bateria
Badal Roy, percussão, tablas




segunda-feira, setembro 23, 2013

Unreleased late Coltrane



On the 87th anniversary of the Master, a gift to fans of Coltrane and followers of this blog.
40 minutes of Trane at the Half Note in 1965 not included in the "Live at the Half Note: One Down, One Up" CD


1. Chim Chim Cheree  (19:37)
2. Impressions       (20:55)
Coltrane, McCoy, Garrisson and Elvin

Download here

sábado, setembro 21, 2013

2013 Thelonious Monk Jazz Saxophone Competition

 
As semi-finais do Thelonious Monk Jazz Saxophone Competition.
Quatro horas e meia de saxofone de altíssimo nível por músicos abaixo dos 30.
Apesar de já ter sido anunciador o(a) vencedor(a) vale a pena assistir ás prestações de todos.
 
 

 
Os semi-finalistas:
(copy/paste do http://www.monkinstitute.org )
 


Melissa Aldana was born in Santiago, Chile, and began playing saxophone at age 6. She attended the Berklee College of Music as a Berklee Presidential Scholar. While at Berklee, Aldana studied with Joe Lovano, George Garzone, Frank Tiberi, Greg Osby, Hal Crook, Dave Santoro, Bill Pierce, Dino Govoni and Ralph Peterson. She has appeared at venues such as the Blue Note Jazz Club, the Iridium, Lincoln Center for the Performing Arts, the Village Vanguard, the Jazz Standard and Smalls Jazz Club.
 
Braxton Cook was born in Boston, Massachusetts, and grew up in Silver Spring, Maryland. He began playing saxophone at age 10 and later studied at Georgetown University before transferring to the Juilliard School. Cook has studied under Steve Wilson, Ron Blake and Paul Carr, and received the Irene Diamond Scholarship to attend Juilliard. He has performed with Wynton Marsalis, Branford Marsalis, Gerald Albright, Cassandra Wilson, Joe Lovano, Terell Stafford and Terence Blanchard, and recently toured Europe as part of the Christian Scott Sextet.
 
Sam Dillon was born in Great Neck, New York, and began playing saxophone at age 10. He received his master's degree in music from Purchase College, State University of New York. In addition to hosting many jazz workshops, Dillon has taught music lessons locally for the past 8 years. He has recently performed with the Artie Shaw Jazz Orchestra, Cecilia Coleman Big Band and Joe Chambers' "Moving Pictures" Jazz Orchestra, and has appeared at Carnegie Hall, Lincoln Center, Symphony Space, the Iridium and Yoshi's Jazz Club.
 
Lukas Gabric was born in Villach, Austria, and began playing saxophone at age 11. He attended the City College of New York and New School University, where he received the Thomas D. Michael Scholarship. A woodwind ensemble coach at the Frank Sinatra High School for the Performing Arts, Gabric has performed at the Apollo Theatre, Smalls Jazz Club, at international jazz festivals across Europe. He was recently accepted into the Juilliard School, where he is pursuing a jazz studies diploma.
 
Andrew Gould was born in Long Island, New York, and began playing saxophone at age 10. He graduated magna cum laude from Purchase College, State University of New York, receiving the James Moody Scholarship Award before attaining his master of music degree at the Manhattan School of Music. Gould has studied under George Garzone, Jimmy Greene, Steve Wilson, Jon Gordon and Dave Pietro, and has toured internationally. He has performed with Jon Faddis, Bill Mobley and David Weiss, and is a member of the Wallace Roney Orchestra.
 
Michael Griffin was born in Sydney, Australia, and began playing saxophone at age 11. He graduated from Newtown High School of the Performing Arts and later attended the Sydney Conservatorium. Griffin participated in the 2012 Melbourne International Jazz Festival, and has performed at the Sydney Town Hall, Sydney Opera House, Sydney Entertainment Center and Novotel Hotel. A James Morrison Scholarship finalist for four consecutive years, Griffin has shared the stage with Joe Lovano, Kirk Lightsey, James Morrison, James Muller, Jacki Cooper, Judy Bailey, Dale Barlow and Dave Panichi.
 
Danny Janklow was born in Los Angeles, California, and began playing saxophone at age 11. He studied at Temple University and graduated with honors. Janklow has studied with Terell Stafford, Dick Oatts and Walt Weiskopf, and has performed alongside Wynton Marsalis, Branford Marsalis, Benny Golson, James Moody, Jimmy Heath, Wycliffe Gordon, Savion Glover, Karrin Alyson, James Torme, Danilo Pérez, Stanley Clarke, Nicholas Payton, Steve Wilson and Bruce Barth. He participates in jazz workshops at Stanford University and teaches privately in Southern California.
 
Mike Lebrun was born in Framingham, Massachusetts, and began playing saxophone at age 12. He attended the Dreyfoos School of the Arts before graduating from Northwestern University with a double major in jazz studies and economics. Lebrun won the 2008 International Jazz Composer's Symposium and has studied with John Wojciechowski and Tom Garling. He has performed with Maria Schneider, Dee Dee Bridgewater, The Temptations, Bob Mintzer, Conrad Herwig, Ron Blake, Jim McNeely and Dave Liebman.
 
Godwin Louis was born in Harlem, New York, and began playing saxophone at age 9. He studied at the Berklee College of Music before moving to New Orleans to complete his master's degree in music from the Thelonious Monk Institute of Jazz Performance at Loyola University. Louis has studied with Terence Blanchard, JB Dyas and Jimmy Heath, and performed with Herbie Hancock, Danilo Pérez, Ron Carter, Gloria Estefan, Billy Preston and Benny Golson. He recently toured Italy, China, France, Venezuela and Mexico, and is a member of the Haitian Youth Music Relief organization.
 
Tivon Pennicott was born in Marietta, Georgia and began playing saxophone at age 14. He studied at the University of Miami's Frost School of Music under the tutelage of Maria Schneider, Randy Brecker and Dave Liebman. Since 2007, Pennicott has been a member of the Kenny Burrell Quintet and performed at Dizzy's Club Coca-Cola, Catalina Jazz Club and Yoshi's. He has recorded with Esperanza Spalding and Gregory Porter, and has performed with Stevie Wonder, Jimmy Heath, Wynton Marsalis, Joshua Redman, Roy Hargrove, Aaron Goldberg and Benny Green.
 
Clay Pritchard was born in Grapevine, Texas, and began playing saxophone at age 12. In high school, he was selected to participate in the National GRAMMY band for two consecutive years. Prichard graduated from the University of North Texas, where he studied with Randy Lee, Jim Riggs and Marchel Ivery. Prichard has performed onstage with Phil Woods, Benny Golson, Jimmy Heath, Maria Schneider and Dick Oatts. He currently performs with the bands Emerald City and Snarky Puppy.
 
Dean Tsur was born in Timrat, Israel, and began playing saxophone at age 10. He attended the Israeli Conservatory before studying at the Berklee College of Music on a full scholarship. He went on to attend the Juilliard School of Music as a recipient of the Ruth Katzman Scholarship. Tsur has studied with Steve Wilson, George Garzone, Dino Govoni, Gan Lev, Mark Turner, Grant Stewart and Mike Tucker. He has performed at Dizzy's Club Coca-Cola, Lincoln Center, and the Blue Note.
 
Ben Van Gelder was born in Groningen, The Netherlands, and began playing saxophone at age 11. He studied at New School University before enrolling in the University of Amsterdam and the Conservatory of Amsterdam, receiving lessons from Lee Konitz and Mark Turner. Van Gelder has played with David Binney, Ambrose Akinmusire, Nasheet Waits, Aaron Parks, Ben Street, Thomas Morgan and Rodney Green. He was recently selected as the winner of the Deloitte Jazz Award, one of the most prestigious jazz awards given in the Netherlands.

quarta-feira, setembro 18, 2013

Sax tone inquiry

I just received the tenor I'll be playing at saturday's gig. Even before I adapt myself to this new horn is a great time to check the differences (if any) from my usual axe to this one.
I recorded the same phrase on both. Notice any difference? Wich do you prefer?
Knowing about your perception of tone can be very interesting and useful. 
Please vote on the poll widget on the right of the page. Thanks !

Acabo de receber um saxofone tenor que irei usar no próximo espectáculo.
Boa altura para - o mais objectivamente possível (!) - perceber a diferença de som entre ele e o meu sax habitual.
Aqui ao lado, á direita, está uma pequena aplicação onde podes votar. Fico grato  !


SAX A SAX B

quarta-feira, agosto 28, 2013

"I Have a Dream" - 50 anos do discurso de Martin Luther King


 
Faz hoje 50 anos que estas palavras foram proferidas perante 250.000 pessoas. Um momento alto da História que felizmente ficou registado e que, mesmo à distância de 50 anos, tem o poder de fazer renascer a esperança em nós, de nos fazer voltar a acreditar que nem tudo está perdido e que o Homem, afinal, é um animal capaz de dignidade muito para além do espectáculo lamentável da cobardia e baixeza do dia-a-dia.
Creio que com este discurso Luther King fez algo de extraordinariamente bom por cada um de nós. Ajudou-nos a (re)descobrir a nossa própria humanidade, a redescobrir o  verdadeiro significado da comunhão entre os homens e a deu-nos uma dimensão de transcendência com uma simplicidade e convicção inigualável.
Para mim, que não sou religioso, a energia contida neste discurso é o que de mais próximo concebo da Graça, da Redenção e do Amor incondicional ao próximo.
 
 
"I am happy to join with you today in what will go down in history as the greatest demonstration for freedom in the history of our nation.
Five score years ago, a great American, in whose symbolic shadow we stand today, signed the Emancipation Proclamation. This momentous decree came as a great beacon light of hope to millions of Negro slaves who had been seared in the flames of withering injustice. It came as a joyous daybreak to end the long night of their captivity.
But one hundred years later, the Negro still is not free. One hundred years later, the life of the Negro is still sadly crippled by the manacles of segregation and the chains of discrimination. One hundred years later, the Negro lives on a lonely island of poverty in the midst of a vast ocean of material prosperity. One hundred years later, the Negro is still languishing in the corners of American society and finds himself an exile in his own land. So we have come here today to dramatize a shameful condition.
In a sense we have come to our nation's capital to cash a check. When the architects of our republic wrote the magnificent words of the Constitution and the Declaration of Independence, they were signing a promissory note to which every American was to fall heir. This note was a promise that all men, yes, black men as well as white men, would be guaranteed the unalienable rights of life, liberty, and the pursuit of happiness.
It is obvious today that America has defaulted on this promissory note insofar as her citizens of color are concerned. Instead of honoring this sacred obligation, America has given the Negro people a bad check, a check which has come back marked "insufficient funds." But we refuse to believe that the bank of justice is bankrupt. We refuse to believe that there are insufficient funds in the great vaults of opportunity of this nation. So we have come to cash this check — a check that will give us upon demand the riches of freedom and the security of justice.
We have also come to this hallowed spot to remind America of the fierce urgency of now. This is no time to engage in the luxury of cooling off or to take the tranquilizing drug of gradualism. Now is the time to make real the promises of democracy. Now is the time to rise from the dark and desolate valley of segregation to the sunlit path of racial justice. Now is the time to lift our nation from the quick sands of racial injustice to the solid rock of brotherhood. Now is the time to make justice a reality for all of God's children.

It would be fatal for the nation to overlook the urgency of the moment. This sweltering summer of the Negro's legitimate discontent will not pass until there is an invigorating autumn of freedom and equality. Nineteen sixty-three is not an end, but a beginning. Those who hope that the Negro needed to blow off steam and will now be content will have a rude awakening if the nation returns to business as usual. There will be neither rest nor tranquility in America until the Negro is granted his citizenship rights. The whirlwinds of revolt will continue to shake the foundations of our nation until the bright day of justice emerges.
But there is something that I must say to my people who stand on the warm threshold which leads into the palace of justice. In the process of gaining our rightful place we must not be guilty of wrongful deeds. Let us not seek to satisfy our thirst for freedom by drinking from the cup of bitterness and hatred.
We must forever conduct our struggle on the high plane of dignity and discipline. We must not allow our creative protest to degenerate into physical violence. Again and again we must rise to the majestic heights of meeting physical force with soul force. The marvelous new militancy which has engulfed the Negro community must not lead us to a distrust of all white people, for many of our white brothers, as evidenced by their presence here today, have come to realize that their destiny is tied up with our destiny. They have come to realize that their freedom is inextricably bound to our freedom. We cannot walk alone.
As we walk, we must make the pledge that we shall always march ahead. We cannot turn back. There are those who are asking the devotees of civil rights, "When will you be satisfied?" We can never be satisfied as long as the Negro is the victim of the unspeakable horrors of police brutality. We can never be satisfied, as long as our bodies, heavy with the fatigue of travel, cannot gain lodging in the motels of the highways and the hotels of the cities. We cannot be satisfied as long as the Negro's basic mobility is from a smaller ghetto to a larger one. We can never be satisfied as long as our children are stripped of their selfhood and robbed of their dignity by signs stating "For Whites Only". We cannot be satisfied as long as a Negro in Mississippi cannot vote and a Negro in New York believes he has nothing for which to vote. No, no, we are not satisfied, and we will not be satisfied until justice rolls down like waters and righteousness like a mighty stream.
I am not unmindful that some of you have come here out of great trials and tribulations. Some of you have come fresh from narrow jail cells. Some of you have come from areas where your quest for freedom left you battered by the storms of persecution and staggered by the winds of police brutality. You have been the veterans of creative suffering. Continue to work with the faith that unearned suffering is redemptive.
Go back to Mississippi, go back to Alabama, go back to South Carolina, go back to Georgia, go back to Louisiana, go back to the slums and ghettos of our northern cities, knowing that somehow this situation can and will be changed. Let us not wallow in the valley of despair.
I say to you today, my friends, so even though we face the difficulties of today and tomorrow, I still have a dream. It is a dream deeply rooted in the American dream.
I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: "We hold these truths to be self-evident: that all men are created equal."
I have a dream that one day on the red hills of Georgia the sons of former slaves and the sons of former slave owners will be able to sit down together at the table of brotherhood.
I have a dream that one day even the state of Mississippi, a state sweltering with the heat of injustice, sweltering with the heat of oppression, will be transformed into an oasis of freedom and justice.
I have a dream that my four little children will one day live in a nation where they will not be judged by the color of their skin but by the content of their character.
I have a dream today.
I have a dream that one day, down in Alabama, with its vicious racists, with its governor having his lips dripping with the words of interposition and nullification; one day right there in Alabama, little black boys and black girls will be able to join hands with little white boys and white girls as sisters and brothers.
I have a dream today.
I have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it together.
This is our hope. This is the faith that I go back to the South with. With this faith we will be able to hew out of the mountain of despair a stone of hope. With this faith we will be able to transform the jangling discords of our nation into a beautiful symphony of brotherhood. With this faith we will be able to work together, to pray together, to struggle together, to go to jail together, to stand up for freedom together, knowing that we will be free one day.
This will be the day when all of God's children will be able to sing with a new meaning, "My country, 'tis of thee, sweet land of liberty, of thee I sing. Land where my fathers died, land of the pilgrim's pride, from every mountainside, let freedom ring."
And if America is to be a great nation this must become true. So let freedom ring from the prodigious hilltops of New Hampshire. Let freedom ring from the mighty mountains of New York. Let freedom ring from the heightening Alleghenies of Pennsylvania!
Let freedom ring from the snowcapped Rockies of Colorado!
Let freedom ring from the curvaceous slopes of Califórnia!
But not only that; let freedom ring from Stone Mountain of Georgia!
Let freedom ring from Lookout Mountain of Tennessee!
Let freedom ring from every hill and molehill of Mississippi. From every mountainside, let freedom ring.
And when this happens, when we allow freedom to ring, when we let it ring from every village and every hamlet, from every state and every city, we will be able to speed up that day when all of God's children, black men and white men, Jews and Gentiles, Protestants and Catholics, will be able to join hands and sing in the words of the old Negro spiritual,
 
"Free at last! free at last!
thank God Almighty,
we are free at last!"

Entrevista com Pharoah Sanders





A propósito da recente passagem de Pharoah Sanders na última edição de "Jazz em Agosto 2013" aqui fica a transcrição da entrevista que fiz ao saxofonista a 16 de Agosto de 2004 quando foi convidado do "Creole Project" de David Murray no festival de Sines.

Esta entrevista foi anteriormente publicada no blog "Improviso ao Sul" e na edição em papel da revista Jazz.PT





José Menezes (JM): Começou com o clarinete e depois passou para o sax tenor...
Pharoah Sanders (PS): Não. Sempre toquei tenor. Comecei com a bateria. Mas queria tocar clarinete.Então comecei a trabalhar a serio para comprar um.Na igreja. A minha família ia à Igreja Baptista e havia um senhor que tinha um "mellow clarinet"... então... poupava todos os domingos durante um ano e comprei um clarinete por 17 dólares ou 17 e meio, qualquer coisa assim.

JM: Estamos a falar de que ano?
PS: Estamos a falar á volta de... 1956 mais ou menos... e o tenor... sempre toquei tenor na banda..na banda da escola... mas andava sempre à volta do tenor, da tuba, do barítono da trompa do trompete... e algumas vezes o barítono. Outras o tenor... porque eu não tinha um tenor mas tinha um clarinete mas ainda tocava bateria na banda.

JM: Alguma vez gravou com barítono? Acho que não...
PS: Não, nunca gravei.

JM: Quem eram os seus ídolos quando começou com o tenor?
PS: Bem... comecei com o clarinete, flauta na escola e tocava o sax alto. E tinha que os pedir emprestados à escola [imperceptível] instrumentos... Trazia então o sax barítono o tenor e o alto... [imperceptível] e chamavam-me sempre “O LOUCO” (risos) porque os levava a todos ao ombro... mas a escola ficava perto de casa... ficava só a 3 ou 4 quarteirões.

JM: E quando era miúdo tinha algum ídolo, algum músico que quisesse imitar?
PS: Ouvia.... eh.. ouvia James Moody antes de começar a ouvir Charlie Parker. Eu não tinha dinheiro para comprar os discos de Charlie Parker mas havia um sítio de esquina onde paravamos, perto de minha casa que tinha uma juke-box e ouviamos muito Count Basie , “April in Paris” e James Moody, um tema que se chamava “Hard To Get”... nunca mais me esqueço... e lá ia para esse sítio onde paravamos... onde os estudantes paravam , sentavamo-nos perto da juke-box, com os nossos óculos escuros.Eu pensava que era mesmo um tipo cool...

JM: Nessa altura era habitual transcrever solos?
PS: Não me lembro que se transcrevessem solos nesse tempo... era escutando... de ouvido...nunca escrevi nada... mas um professor meu chamado Jimmy Cannon,era trompetista ,e como o seu ídolo era Clifford Brown levava para as aulas discos dele para nós ouvirmos... era o meu ídolo..

JM: Ainda pratica?
PS: Claro que sim... Sempre..pratico imenso no meu quarto de hotel... já pratiquei depois que cheguei... duma forma silenciosa... só com as chaves...

JM: Quando pratica, o que faz?
PS: Pratico o meu controle... sabe, há muita coisa que se pode aprender só de carregar nas chaves do saxofone... procurando digitações alternativas... controle dos dedos... há tantas dedilhações possíveis..eu, por exemplo, tenho os dedos curtos... tenho que encontrar maneiras de com os mover nas chaves... para uma melhor técnica.

JM: Como chegou ao contacto com John Coltrane? Como o conheceu?
PS: Conheci o John em 1959/60. Ele estava na Costa oeste a tocar num clube... acho que se chamava the Jazz Workshop. Era um clube em S. Francisco. Um clube de primeira.E havia outro, o Black Hole mas Trane ia sempre ao Jazz Workshop. Bom..conheci-o através de um amigo... sabe como é... está-se num clube...é-se músico... ou tenta ser-se músico... o meu amigo apresentou-nos... Nessa fase Coltrane andava à procura de uma mudança no seu som e mudava constantemente de boquilha. Eu ofereci-me para o levar a visitar as lojas de penhores. E foi assim. A partir dessa altura contactavamo-nos de vez em quando... telefonava-me... ou quando tocava na cidade eu ia ao clube onde ele tocava.

JM: O que sentiu com o convite de Coltrane para trabalhar e gravar com ele? E... que idade tinha nessa altura, por altura da gravação de "Ascension"? Foi o 1º disco que gravou com ele, não foi?
PS: Creio que sim. Estava em Nova Iorque e era um homeless. Estava longe de casa há 2 anos e meio... o meu aspecto era tão mau, tão sujo... não queria estar com ninguém..não podia ir aos clubes mas ouvia do exterior... Quando conheci o John eu estava em S. Francisco mas depois consegui uma boleia para Nova Iorque mas não sabia que a cidade era como era... fria e as pessoas... assim... digamos que não eram muito simpáticas... e tive que aprender isso à minha custa se queria sobreviver. Dava sangue para ganhar alguns dólares, tipo 5 dólares por uma garrafa de sangue. Assim podia comprar pizzas ou chocolates que me davam alguma energia. Nesse tempo dormia nas entradas dos prédios de apartamentos... enfim..dos que estavam abertos... Mais tarde... eu continuava a dar sangue... mas estava farto disso... pensei em arranjar algum trabalho e comecei a ter alguns empregos em Greenwich Village. Comecei então a trabalhar como cozinheiro... Guardei o meu saxofone num sítio qualquer... devo ter guardado... ah , já sei , escondido num lugar qualquer. Não se tratava dum emprego pago mas o patrão deixava-me comer à borla... bom... eu comeria à borla de qualquer maneira... (risos)

JM: Tempos difíceis...
PS: mesmo na McDoodlle Street. E nesse mesmo lugar onde trabalhava foi onde conheci Sun Ra. Eu trabalhava na cave. Lá em cima, no mesmo edifício, no clube, que se chamava Playhouse. Uma noite, um grupo começou a tocar e eu pensei “Espera aí! Que é que eles estão a fazer?”. E eram John Gilmore, Pat Patrick, Marshall Allen e alguns outros de quem eu não conhecia os nomes na altura. E então uma noite eu fui lá cima, durante o intervalo, e fiz saber a Sun Ra que eu era músico, que tocava tenor... e ele usou-me algumas vezes...quando o John Gilmore não podia... eu estava lá baixo na cozinha a trabalhar... e... que grande músico era o John Gilmore... um dos maiores músicos do mundo... Eu disse-lhe “quando o John Gilmore não puder ou faltar um saxofonista tenor... "E uma vez isso aconteceu... e parece que gostaram do que eu fazia e eu também gostava da música deles... mas o Sun Ra assustava-me... todas aquelas coisas na cabeça... à volta da cabeça e uma capa... mas Sun Ra era diferente de todos e a música do seu grupo não era parecida com nada do que eu tinha ouvido... e ele deixou-me tocar uma noite... Mais tarde eu descobri onde ele morava,ele deixava-me lá ir e dar uma vista de olhos à música e acho que gostou de mim como pessoa já que eu era muito sério em relação á música que eu queria tocar.

JM: Uma grande altura para estar em Nova Iorque e conhecer todos esses grandes músicos.
PS: Sim... mas dificil para mim. Estava demasiado sujo para sair e conhecer gente. Mas eu queria realmente fazer música... não queria arranjar um emprego de dia... nada disso. Já no Arkansas, que é a minha terra eu tocava com grupos de blues...

JM: Conhece alguma coisa de música portuguesa?
PS: Não mas gostava de conhecere já perguntei se havia algum instrumento característico que eu não conheça para levar.

JM: Vou oferecer-lhe um disco dum músico portugues recentemente falecido, Carlos Paredes.
PS: Já ouvi alguma música mas nunca com suficiente atenção para entrar nela, música de guitarra...

JM: Vou tentar arranjar esse disco já que, pessoalmente, gostava que conhecesse...
PS: Óptimo.

JM: Que música ouve actualmente?
PS: Ainda ouço muito tambores africanos, [imperceptível] música marroquina. Tive a oportunidade de gravar com alguns grupos marroquinos com quem ainda mantenho contacto e com quem espero no futuro viajar e fazer tournée.

JM: O que tem a dizer a um jovem músico de jazz?
PS: Bem... dir-lhe-ia para ouvir de dentro, fazer uma audição séria, não ouvir duma forma superficial. Não ouvir o exterior, ouvir por dentro. E esperar que assim perceba o que precisa de trabalhar... as escalas... todos os elementos necessários.É preciso ser realmente um bom ouvinte.

JM: Uma última pergunta. Qual é o seu objectivo quando sobe a um palco para tocar?
PS: Ao contrário de muitos outros músicos não estou numa de diversão. Sinto que tenho uma mensagem. É isso que eu tento passar com a minha música. Espiritualmente e todas as coisas por que passei na vida. Tento tocar todas as minhas experiências. Não posso falar pelos outros músicos mas isto é o que eu sinto.

JM: Obrigado Mr. Sanders. Foi um grande prazer falar consigo.
PS: Obrigado.

sábado, agosto 24, 2013

Noites do Parque 2004/07


Agosto, noite de calor em Torres Vedras, vontade de ouvir música e de repente, lembro-me....“Noites do Parque”  !!! Será que ainda existem ?"
Para quem não saiba (e serão muitos) o ciclo “Noites do Parque” foi uma invenção minha durante a existência da Escola de Jazz de Torres Vedras que contou com  a parceria da Câmara Municipal nos primeiros (4) anos e para o qual formulei dois objetivos: 1º) proporcionar animação cultural aos Torrienses (muitos) que não vão a banhos já que durante Agosto a cidade parece que deixa de existir, com toda a atividade cultural e balnear a  concentrar-se em St. Cruz) 2º) Dar especial relevo á habitualmente chamada World Music, género até então muito pouco frequente nos espetáculos musicais em Torres Vedras.

Se durante 4 anos  todo o conceito, programação e design do ciclo esteve a meu cargo – com um sucesso sempre crescente , diga-se - no 5º ano fui informado que, a partir daquele momento, a autarquia tomaria conta da programação.  Agora que o sucesso do ciclo estava instalado e garantido, era o "adeus ó vaitembora".....Nada de novo debaixo do Sol, pois não?
Enfim.... hoje, curioso de saber se as Noites do parque ainda existiam e que era feito delas (ao fim e ao cabo foram "as minhas meninas"),  googlei.

Fiquei aqui a saber que sim, ainda existem. Pelos vistos ocorrem em 3 sextas-feiras de Agosto mas eu, que até estive por cá, confesso que não dei por nada. Insuficiente divulgação? Talvez. Dos grupos que atuaram, houve, pelo que consta, “sonoridade nómada”, “o rock e o folk"; e, a terminar....."distintas culturas e sonoridades tradicionais”.
Por um lado ainda bem que a Autarquia  continuou a "rever-se” no meu projeto inicial no que respeita á World Music; por outro, que pena que tenha deixado cair a componente africana deste ciclo. Vá-se lá saber porquê...
E ficaria por aqui se o calor desta noite de Agosto não me levasse ainda mais longe nas minhas memórias.
 E revi o prazer que deu fazer tudo, desde programar o ciclo, dar orientação na montagem de estruturas, levar os músicos a jantar (sem dúvida uma das partes mais divertidas) ou resolver mil e um problemas logísticos como por exemplo, avisar a tempo os serviços de rega automática do Parque para evitar que, de repente e sem aviso, músicos, instrumentos e material elétrico levassem um banho forçado (o que aconteceu na 1ª edição) !!!
Confesso que gostei muito de fazer as “Noites do Parque”  e de ter conseguido para elas o sucesso que manifestamente, tiveram.
                                          Noites do Parque 2006- Sabor Cubano( Cuba)

                                                  Noites do parque 2005 - Carlos Có (Guiné-Bissau)
 
 
                                                      Noites do parque 2004
 
E gostei tanto de as fazer que mais difícil foi perceber (e até hoje não consegui) como, no último ano em que eu (ainda)  fiz a programação, a Autarquia  - que sempre afirmou a pés juntos apoiar as iniciativas culturais locais - questionou (pela 1ª vez) a minha escolha musical ,  instando-me  a retirar do cartaz a Big Band do Oeste, ela própria, um grupo local que, com o enorme esforço concertado de um grupo de pessoas, eu incluído, conseguiu atingir um nível musical semiprofissional do qual todos nos orgulhamos, sendo a mais jovem Big Band do País e sendo convidada para tocar em muitos locais – com excepção de  Torres Vedras onde apenas se apresentou uma vez após a sua estreia).
Pois é.
Aprendi imenso. Aprendi muito e em muitas áreas mas o que eu aprendi realmente foi que não vale a pena perder tempo com políticos e os seus jogos ...Mas isso não é nada que não tenhamos já todos aprendido por esta altura....
 

segunda-feira, agosto 12, 2013

George Coleman speaks

Entrevista com George Coleman (aquele saxofonista que tocou no grupo do Miles mas com quem o Tony Williams embirrava, lembram-se?)
Super saxofonista numa interessante entrevista da BBC3 no programa "Jazz Legends" em Abril de 2000, entrevista conduzida pelo pianista inglês Julian Joseph.

 

 
Mais entrevistas AQUI

Com Pharoah 9 anos depois

 
 
 
 
Para celebrar o meu reencontro com Pharoah um tema gravado em 1977 no concerto de abertura do Festival Nouvelles Musiques de Chateauvallon (Toulon, França), concerto a que não assisti mas que me foi especialmente importante.
 
 


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