terça-feira, setembro 29, 2009

CRÍTICA ??!!

Vai ainda demorar algum tempo até que seja feita a história da crítica de Jazz em Portugal.
Quem são os críticos? Que formação têm? São músicos? Foram músicos? Como acederam á “profissão”? As aspas têm a ver com a dúvida: existe uma profissão de “crítico de Jazz” em Portugal? Pagam-se as contas do mês com a crítica dos discos de Jazz? Como é avaliada a qualidade do trabalho de crítico de Jazz? Não digo pelo público, que, de uma forma geral, toma como boa a opinião de quem tem o seu parecer impresso num jornal ou revista. O raciocínio de que “se aquele sr. escreve no jornal deve saber do que fala” basta tranquilizar o público em geral. Falo antes da avaliação por parte do “patrão”, pelo chefe de redacção do jornal ou revista onde a opinião do crítico se faz publicar.
É mesmo curiosidade minha: Como será avaliada a qualidade do trabalho do crítico de jazz ao serviço de um jornal ou revista? Pelas opiniões emitidas, pela escolha de material para rever, número de erros ortográficos por texto? (este último critério não deve contar já que o Word tem um revisor de texto bestial).... . Percebem a minha dúvida? Ou será apenas pelo currículo apresentado á data de início de funções e depois a “coisa” rola sem que o trabalho do crítico seja avaliado?.
A minha curiosidade sobre como se alguém se torna crítico está um pouco mais satisfeita já que tenho uma noção mais clara do processo.
A situação veio ter comigo quando, após a morte de um conceituado crítico de música ao serviço do jornal” Público”, me foi proposto o envio de um texto meu sobre Jazz, de 500 palavras (mais coisa menos coisa...) de forma a ser apreciado pelo chefe de redacção. Oh senhores, imaginei-me dali a uns anos, um pouco mais gordo (já que mais careca não será possível....) Hotel á pála (pequeno almoço incluído, claro), despesas de viagem e representação, lugar na primeira fila da plateia (os lugares mais caros... ) em muitos (todos?) os concertos deste país....De enigmático sorriso nos lábios iria assistir aos concertos e depois, músicos portugueses (e mesmo estrangeiros) seriam passados pelo apertado escrutínio da minha “lupa” musical, meu veredicto prantado num jornal de grande tiragem...
Acordei a transpirar e corri prá casa de banho.
Depois de reposta a respiração, decidi que na manhã seguinte, com um telefonema, iria declinar o convite e acabar com o equívoco. Mas fiquei a saber. Texto de 500 palavras sobre jazz e um gajo é crítico...e do jornal nacional de maior tiragem....
Outra estória sobre o acesso á “profissão” (as aspas continuam, já que, desde há pouco, ainda não consegui perceber se “crítico de jazz” é profissão) :
Certa publicação não recebe os discos de certa editora (nomes para quê? São artistas portugueses...). O director da revista estranha o facto e telefona ao da editora. “Pra que mandar discos, pá? Vocês não gramam a nossa música... Só iriam dizer mal.”
O da revista: “ Não há problema pá. A gente arranja alguém que grame o tipo de música que vocês fazem e que escreva sobre isso. Conheces alguém?”
O da editora: “Claro, mando-te o contacto.”
Ok. Mais uma forma de chegar a crítico.
Mas afinal isto tudo á volta da crítica vem a propósito de quê ?
Basicamente, a propósito do que li a páginas 25 da última edição da revista “Jazz.pt” texto assinado por Paulo Barbosa (PB) que analisa a prestação do pianista António Pinho Vargas na 7ª Festa do Jazz do São Luiz.
A forma grosseira, boçal, insultuosa, como o pianista e respectivo trabalho é descrito chocam a minha sensibilidade de leitor não só de crítica musical mas de qualquer outra forma de trabalho jornalístico. E acrescento que o que aqui escrevo não é motivado por qualquer espécie de amizade ou relação de proximidade com o pianista. Nem de amizade nem de proximidade. Não tenho especial simpatia pela pessoa mas tenho a noção de quanto o seu trabalho foi (é) importante para a definição de uma identidade musical não só do próprio pianista mas de uma ou mais gerações de improvisadores que lhe seguiram. A falta de respeito com que PB trata o pianista descrevendo-o como um “Jarrett falhado” ou declararando a sua mão direita é incapaz de “debitar” notas é insultuosa. E não falo na perspectiva do pianista. O sr. Pinho Vargas não precisará que o defendam. Falo na perspectiva do leitor. Sinto-me incomodado ao ler esse tipo de crítica publicada na única revista de jazz português, que, por ser única, tem responsabilidades acrescidas na divulgação, na formação de novos públicos e na forma como decide abordar a crítica da especialidade.. Não me interessa nada que PB goste ou não de Pinho Vargas. Não interessa nada que eu goste ou não de Pinho Vargas. É contudo, inadmissível, ver alguém que merece respeito artístico e pessoal ser tratado publicamente como um falhado.
O mesmo PB descreve uma versão de “Straight no Chaser” de Maria Viana como tendo deixado “Thelonious Monk ás voltas no túmulo” ... E , mais uma vez, este tipo de abordagem me choca enquanto leitor. Mais uma vez é irrelevante se gosto ou não da versão de Maria Viana (que não ouvi) mas isto não é, pura e simplesmente, linguagem para criticar o trabalho de seja que artista fôr. È uma coisa baixa, é agressão. Apenas revela a falta de recursos quer literários quer musicais mas especialmente de pura educação e respeito para com o trabalho dos outros demonstrada por PB.
A Jazz.pt é importante especialmente por ser única pelo que uma muito atenta avaliação deve ser feita ao trabalho dos seus redactores.
E volto á questão: Quem avalia o trabalho do “crítico”? (agora as aspas questionam mesmo se quem escreve textos como o que PB escreveu seja, realmente, crítico de Jazz.)

5 comentários:

psitrek disse...

Boas

Não queria meter-me neste assunto, mas não consigo... também li e comentei com os meus amigos e também acho que a critica não foi das melhores, apesar de ser amigo do referido critico.
Mas agora pergunto, com tantas novas Licenciaturas em Jézz, qual delas é que tem disciplinas que tentam colmatar esta lacuna?? O curso de jornalismo, de onde saem se calhar futuros críticos de um qualquer jornal da pequena secção de cultura têm alguma cadeira especializada em jézz ou na sua história?? Já que esta na moda, se calhar uma Licenciatura em Critica de jézz e um possível Mestrado, para aqueles que já têm uma grande carreira nesta área talvez consigam um "apuramento directo" para se tornarem MESTRES da critica??
São perguntas que eu tenho que se calhar não terão resolução breve, entretanto vou tendo disciplinas optativas de sociólogia, talvez para o ano de antropologia ou pratica de teclado leccionada por um pianista falhado e que gosta de olhar para as pernas das miúdas e contar estórias de um jovem rapaz que estudou na Holanda e as suas várias aventuras em 1970, quiçá "física nuclear"??? Para cada cadeira teórica ser entretido com um trabalho para ser apresentado oralmente a turma do 2º ano feito no dia anterior, retirado da Wikipédia...quem inventou o copy paste, muitos alunos agradecem á esse génio...
Como todos sabem o ensino do próprio jézz tem falhas de base, não existe nível médio ou preparatório oficial, como querem que haja boa critica, se este pais tem muito pouco de tradição do jazz, até o livro de um dos Senhores que deu a conhecer o jazz a este pais foi criticado???? nos não somos pretos e Nova York fica apenas e só a distancia de um clik para ver um concerto em directo no Small's (que é o que estou a fazer)... para mim enquanto não houver uma identidade com alguma coisa made in Portugal não haverá neste caso bons críticos...
Nota: não sou critico ao fazer este comentário, apenas sou um observador. Será que já há Licenciaturas para observadores????

Anónimo disse...

uma mulher genuinamente bonita dispensa qualquer tipo de maquilhagem ou adereço, o jazz português é a mulher mais bela de todas...a crítica não contribui em nada para a formação de novos públicos, e as novelas da TVI também não, a verdade, é que seremos sempre um nicho dentro de um nicho um pouco maior, como é o clássico, e ainda bem pois se ao fim de 40 anos de jazz em portugal aparecem agora estes pseudo-críticos a mandar bitaites, mais valia termos ficado pelos 90's, com a diferença de apenas os músicos terem aumentado em quantidade e qualidade.

Anónimo disse...

é mm isso, bem dito ó anónimo! e que o benfica perca!

André Fernandes disse...

José, concordo com a tua ideia geral em relação aos críticos, mas tenho que te dizer que antes de referires histórias que envolvem, terceiros, neste caso eu próprio e a minha editora (mesmo não referindo nomes da revista e da editora, não restam grandes dúvidas de quem são), devias certificar-te que a história é realmente essa. E neste caso não é. Por conseguinte não só acabaste de divulgar uma história falsa, como divulgaste uma história que afecta a credibilidade do critico em causa (coisa que acho ser o objectivo deste teu post, e isso não questiono), e mais grave para mim, a credibilidade da TOAP sugerindo que qualquer critica feita a discos de artistas iguais a ti, que gravem para TOAP,seja posta em dúvida. Foste infeliz. Um abraço.

zimk disse...

Viva André.
Desculpa o atraso com que respondo ao teu post. Muitas outras coisas se meteram pelo meio.
É como dizes. Não referi nomes. Daí a poderes dizer que “não restam grandes dúvidas de quem são” (revista e editora) vai uma grande distância. Quanto á revista não há que enganar. É de sobre jazz e é única. É a Jazz.pt. De resto identifiquei a revista no meu post. Quanto á editora não percebo o que te leva a dizer que “não restam grandes dúvidas” que é a tua! Não mencionei nenhuma e que eu saiba a tua editora não é única. Por isso também não creio que possas dizer que divulguei uma história falsa... Só o poderias dizer se soubesses o que se passa com toda a gente ... e com todas as editoras. Apenas poderias dizer que a estória seria falsa se eu tivesse afirmado ter-se passado com a tua editora. Não o disse. Não foi (nem é) minha intenção afectar a credibilidade da TOAP nem de outra qualquer editora. A questão não é a credibilidade de editoras, de músicos ou de críticos, que os há inteiramente empenhados em cumprir um papel construtivo e trabalhar no mesmo sentido dos músicos. Falo pura e simplesmente de respeito. Leio crítica de jazz desde 1971 e não me lembro de ver/ler ninguém faltar ao respeito aos músicos nem utilizar linguagem como a que vi usada na “crítica” daquele... “crítico”...
Portanto e resumindo, André : no meu post estão mencionados e identificados o “crítico” e a revista que acolhe os seus escritos, revista que compro regularmente e que na qual gostaria de continuar a encontrar crítica séria. A boçal falta de respeito do crítico em relação ao trabalho de 2 músicos (também eles identificados – Antº Pinho Vargas e Maria Viana) é a razão do meu post. Mais ninguém (pessoa ou editora) está mencionado nem sugerido pelo que não acho que tenha a pedir desculpa seja a quem fôr. No entanto - e mesmo sem que ninguém te tenha perguntado - quiseste que ficássemos a saber que essa estória não se passou com a TAOP. Ainda bem. Ficamos todos mais descansados.
Abraço
zimk

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