sábado, dezembro 10, 2016

A obscura sessão de 10 de Dezembro de 64

Na noite anterior, os músicos tinham saído do estúdio ainda antes da meia-noite.
Em caixas redondas, de lata, tinham ficado as bobines com música suficiente para um Lp .
Tinham sido pagos pela tabela do Sindicato: 4 horas de sessão mais meia hora (extraordinária).
Mas não seria qualquer momento extraordinário quando se tratava do quarteto de John Coltrane?
McCoy Tyner, piano, Jimmy Garrison, contrabaixo e Elvin Jones tinham ganho na dia 9 de Dezembro de 1964, 142.33$ cada um. Coltrane, como leader, tinha ganho o dobro.
Com todos as alternate takes e paragens, havia sido registada menos de uma hora de música.

Nessa noite "A Love Supreme" tinha sido gravado e História tinha sido feita.
Mas Coltrane tinha ainda outros planos para a noite de 10 de Dezembro.

Convidou para estúdio o jovem saxofonista Archie Shepp, nome ainda desconhecido mas por quem Trane tinha uma grande estima, considerando-o representante de uma nova voz do saxofone que começava a fazer-se ouvir e que tinha em Ayler o seu expoente maior. 
E convidou o baixista Art Davis, o qual, acrescentado ao também presente contrabaixo de Jimmy Garrison, traria ao grupo uma peso e uma "gravitas" -"the two-bass concept" -  que Trane  decidira trazer para o grupo. 









Numa rápida conversa antes do início da gravação foi combinado que Art Davis ficaria com as fundamentais dos acordes e Garrison tocaria daí para cima. Nem a Art nem a Shepp foi dada qualquer partitura. 
Em pouco mais de 2 horas a sessão estava terminada.
Da folha de pagamento consta 101.66$ para cada músico. Trane como leader, recebeu o dobro assim como Art Davis, para quem Trane exigiu esse estatuto de excepção de tal forma apreciava o seu trabalho.
Contudo, a música gravada nesta sessão não veio a fazer parte do famoso LP, uma das mais carismáticas obras de Trane e da história do Jazz.
As mastertapes perderam-se por volta dos anos 70 e apenas sobreviveu uma bobine, transformando esta misteriosa sessão de gravação numa das mais obscuras e esquecidas da obra de Coltrane.
Precisamente há 52 anos, por volta desta hora....






Bibliografia: Khan, Ashley "A Love Supreme-The story of John Coltrane's Signature Album", Penguim books 2003

terça-feira, novembro 22, 2016

Paul Motian, 20 de Agosto de 1986


An excelent excuse for reposting this extraordinary Paul Motian trio video is now having the Motian's diary page for that day.
The set list and the what-to-do list for  20 August 1986.
TVRip of concert at Jazz em Agosto concert (Calouste Gulbenkian Foundation, Lisbon) 
I was lucky to attend that concert and what great music did they play !!!


~


segunda-feira, novembro 07, 2016

Guimarães Jazz 25 anos depois

No fim de semana passado regressei ao Guimarães Jazz , 25 anos depois de lá ter estado para aquela que foi a sua 1ª edição.
De 1992 com a Big Band do Hot Clube de Portugal, a 2016 com a Lisbon Underground Music Ensemble encontrei em Guimarães a mesma simpatia e a mesma paixão pela Música.
Exemplo disso foi a oferta pelo caro Cèsar Machado, presidente da Direcção da Associação Convívio, das duas fotos que se seguem e a quem muito agradeço.
Lembrança de momentos que já se apagavam da memória mas que estas fotos ajudaram a avivar.
Relembra o César que este foi o 1º concerto do Festival e que foi apresentado pelo grande Luis Villas-Boas que viajou até Guimarães especialmente para apresentar e assistir a este concerto.
Talvez o detalhe que melhor me lembre foi o que se relacionou com o saxofone barítono do Edgar Caramelo. A breves segundos de entrar em palco, caiu desamparadamente no chão, ficando impraticável para o concerto e obrigando o Edgar a uma situação mais que desconfortável em palco.




No piano, o saudoso Bernardo Sassetti, André S. Machado na bateria e Bernardo Moreira no contrabaixo.
No saxofone tenor e direcção, Pedro Moreira , nos altos o também saudoso Jorge Reis e eu próprio, Eduardo Abreu no 2º tenor e Edgar Caramelo no barítono.
Nos trompetes, José Carapeto,  Miguel Gonçalves, Steven Mason e Tomás Pimentel
Nos trombones, Claus Nymark, Neves Costa, Hugo Assunção e Mário Vicente.

Entre estas fotos e a seguinte (sob o olhar atento do meu querido companheiro e amigo Elmano Coelho) passaram 25 anos.
Custa-me a acreditar, de tão rápido que passaram.


sexta-feira, setembro 02, 2016

Trane speaks

15 de Junho 1958
   

 1958 
   
1960
   

22 de Março 1960, Estocolmo
   

 1965, Japão
   

Novembro 1966
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