segunda-feira, outubro 05, 2009

Ouvido Absoluto




Devo que confessar que sempre desconfiei dos cursos que garantem a pés juntos que se comprarmos a série de não-sei-quantos CDs mais respectivos livros e seguirmos escrupulosamente o regime que esses cursos propõe, ficamos - mais tardar em 10 dias - com ouvido absoluto.
Talvez devido ao conceito gráfico (deplorável, diga-se...) com que a publicidade a esses cursos se apresentava nas páginas da Downbeat, revista de referência dentro das publicações de jazz e que compro há não sei quantos anos ou talvez devido á irritantemente bem aparada barbicha do fulano que sorria para a câmara no referido anúncio nunca pude com aquilo. Digam-me lá se não é uma carinha de estalo?
Ele é muita bandeira americana, ele é muito "como descobri o segredo", ele é muito " também você pode descobrir as delícias do ouvido absoluto". Tem qualquer coisa de seita religiosa, grupo de auto-ajuda ou Associação dos Propietários de Armas de Fogos (do qual o Ben-Hur faz parte...) Enfim. Mexe com a minha natureza anti-clerical, anti-militarista e anti-imperialista. É verdade. Talvez seja apenas inveja mas sempre considerei o ouvido absoluto uma manha do imperialismo, do imperialismo musical, pelo menos (que palavra tão fora de moda, não é?). É que nunca vi ou ouvi (talvez seja desatenção minha...) grandes ideias musicais serem produzidas pelo facto do compositor/improvisador ter ouvido absoluto. Encontro com muita frequência ideias absolutamente fantásticas produzidas por quem possui (e sabe usar) o seu ouvido relativo. Estava eu nisto quando descubro no blog Musical Perceptions um teste tipo Deco aos cursos de ouvido absoluto. É treta? É verdade? será que um tipo fica mesmo a reconhecer a nota produzida por uma travessa de arroz de lulas quando cai ao chão? Qual é o melhor? qual é o pior? Validado por uma camada (embora fina) de verniz científico a coisa fica um pouco mais suportável.
Aqui fica um teste isento e imparcial (dizem eles...já não me acredito em nada) sobre os cursos de ouvido absoluto.
Depois digam-me alguma coisa que estou sem paciência para o ler...

7 comentários:

Tiago disse...

ahah!isto do ouvido absoluto nunca me entrou no meu ouvido "absurdo"...Igualmente também eu não me lembro de ter captado alguma boa ideia desses lados...
Sempre foi algo que não invejei ao contrario de um bom ouvido relativo que torna o músico mais "forte", completo e mais importante que tudo: flexivel!

Acho que esta questão é como a do racismo...há bons e maus em todas as raças e não são bons nem maus consuante a cor da mesma...ora aqui passa-se a meu ver exactamente a mesmo coisa...
ou se preferirem não basta ter um ferrari para que isso seja sinónimo de saber guiar...

Abraço

Tiago Cordeiro

zimk disse...

Mas (só para ficar claro) espero que se entenda que o meu post "não é do tipo "estão verdes , não prestam...". O ouvido absoluto é uma ferramenta muito valiosa. Detesto é o que anda á volta do assunto, quer comercialmente quer (algumas vezes)musiclamente.
Inté

Luís disse...

O ouvido absoluto torna-nos sensíveis demais. Preferia muito mais um curso rápido e infalível para tornar o ouvido relativo absolutamente brutal.

Rodrigo disse...

Olá,

Estive vendo algumas coisas no seu blog. Tenho uma proposta: você não gostaria de ganhar 50 euros por mês por inserir pequenos links dos nossos anunciantess? São 50 euros mensais por cada blog que for cadastrado, tendo também a possibilidade de acrecentar este dinheiro adicionando blogs ao nosso sistema de anunciantes. Estes links não atrasam o acesso ao seu site -links de pequenas empresas, nada estranho. Tire a suas dúvidas por email, o meu msn é rodrigodinheirodasilva@gmail.com

Mais informação:
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http://blogsdegrana.blogspot.com/

Estou aguardando a tua resposta,


Rodrigo Reyes Silva

Érico Cordeiro disse...

Prezado Zimk,
Cá estou eu nessa alegre e despretensiosa casa, a me deleitar com o teu texto muito bem escrito e cheio de humor.
Gostei demais deste espaço e haverei de sempre retornar.
Quanto ao ouvido absoluto, qual o amante da música que nunca sonou em tê-lo? Identificar qual a nota produzida por uma travessa de arroz de lulas quando cai ao chão certamente seria um diletantismo delicioso.
Grande abraço e parabéns.
Aproveito para convidá-lo a conhecer o JAZZ + BOSSA + BARATOS OUTROS, blog dedicado à música, cujo endereço é:

www.ericocordeiro.blogspot.com

Um fraterno abraço e até breve!

Anónimo disse...

fiquem com esta (ou não)

Ouvido obsoleto...uma nova modalidade
ou então Ouvido Magnético para os mestres do jézz... da tugolândia...

Anónimo disse...

Não duvido que o ouvido absoluto seja uma boa ferramenta, mas certamente seria fácil de identificar o tipo com ouvido absoluto num grupo com instrumentos tradicionais de corda num palco ao ar livre num dia de inverno. Pois seria certamente o doido que faria stage diving....

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