sábado, abril 25, 2009

terça-feira, abril 21, 2009

Está aberta a caça ás baldas

O Tiago mandou esta que (ao minuto 1.01) dá alegria a uma casa de família. :-))


domingo, abril 19, 2009

1/6 What is Free Music? WORKSHOP DE KENNY WERNER SOBRE FREE JAZZ

2/6 Feeling Freedom

3/6 Free Music and Finding Your “Inner Urge”

4/6 Getting into “The Eye of the Hurricane”

5/6 Unconditional Enjoyment

6/6 It’s all about the Player

Para todos os excelentes leitores á 1ª vista

Só para desenferrujar aqui fica um interessante estudo publicado neste blog. Estou certo que as "feras" da leitura á 1ª vista se vão sentir estimulados por este desafio.















clicar na imagem para aumentar

Michael Brecker também se baldava




É reconfortante, tranquilizador até, encontrar no trabalho de quem admiramos, pequenos erros que nos ajudam a confirmar a natureza humana e falível de gente que, quando a luz bate sobre determinado angulo, nos parecem "out of this world" como seja o caso de Michael Brecker.
Um super-músico de quem todos temos saudades, mas felizmente para nós, pobres aprendizes, um músico que também cometia erros.
Aparece aqui á frente de uma big band da qual Seamus Blake é o 1º tenor. O tema é "Goodbye Pork Pie Hat", habitualmente tocado em F- .
Brecker está aqui a tocá-lo um tom abaixo, em Eb - ou seja, está a lêr directamente de uma partitura de um real book em C, provavelmente. Seamus não recorre á pauta. Provavelmente toca o tema regularmente com a big band em questão.
A seguir ao óptimo solo de Brecker ,Blake improvisa com um conhecimento perfeito das possibilidades harmónicas do tema, com interessante voice leading, oferecendo-nos um pequeno manual de approaches a F- ao longo de uma curva de desenvolvimento de solo realmente emocionante.
Mas voltemos a Brecker e ao seu solo .
No primeiro chorus, ao minuto 4.16, Brecker confunde Db7 com D-7 (na tonalidade do tenor) e toca inteirinho este arpejo descendo da terceira e acabando na 7ª MAIOR (de Db7) ...Oouch!!!
Surpreendido pelo erro, Brecker inclina-se em direcção á partitura para verificar o acorde. Deve ter percebido então que confundiu um sinal de "bemol" por um sinal "-" , de menor.
Óbviamente irrelevante este e quaisquer outros erros que Brecker pudesse cometer, dá-nos, isso sim, uma pequena "janela" de acesso á forma de pensar e produzir música de Brecker. Quanta da acção e pensamento no acto de improvisar são ditados pelo contexto sonoro? e pela partitura? Qual o grau de pré-audição de uma frase improvisada? Quanta música produzimos ditada pelo ouvido? e pela visão dos sinais gráficos que os acordes representam?
Seguramente poderemos aprender tanto - ou mais - com os erros dos nossos heróis do que com as suas notas "boas".
E por falar em "baldas".
Há uma balda no solo de Coltrane no tema "Bahia", no disco do mesmo nome. Conseguem detectar?
E os meus (dois...) leitores? Também descobriram erros nos solos dos vossos heróis do saxofone? Partilhem.

E por falar em Paris...

Alguns locais e salas de espectáculos a não perder, para o viajante em busca de jazz


  • Cabaret Sauvage

  • Sunset/Sunside

  • Duc des Lombards

  • New Morning

  • Le Baiser salé

  • O guia das jam sessions de Paris

  • Atelier du Globe

  • O sr. Richard Scotto fechou a sua loja "Quintette Musique" e abriu um blog. Richard era um dos mais populares e respeitados negociantes de instrumentos de sopro de Paris. Músico amador, tinha a parede da sua loja forrada com as fotos autografadas e dedicatórias de muitos músicos famosos de passagem por Paris. Amigo pessoal de Michael Brecker , que o visitava na sua loja sempre que passava por Paris, Richard sentiu como poucos a doença de Brecker mantendo contacto com a família e oferecendo a sua casa de Marselha para a convalescença de Brecker, o que, infelizmente, nunca chegou a acontecer. A loja do sr. Scotto era um ponto de passagem - e paragem - de muitos saxofonistas parisienses, onde se podiam ouvir contar as mais mirabolantes "estórias" de músicos e de música. Parecia um barbeiro ... só pra saxofonistas !! Parte das conversas que por lá se ouviam estão agora no blog, mas não é a mesma coisa. Como é que um blog pode substituir aquela loja? Fecham as barbearias, abrem-se blogs...
De que escreveria Álvaro de Campos se o dono da tabacaria a tivesse fechado....para abrir um blog?
".......0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança,
e o dono da tabacaria sorriu.
"
Álvaro de Campos

Marianne d’Ursin é uma craque. Reparadora de instrumentos de sopro – saxofones, na esmagadora maioria – ela dirige há perto de 20 anos um atelier, o “Sax Machine”, na Rue Rochefoucauld onde vão parar alguns saxofonistas, alguns vindos de muito longe, como é o caso do presente escriba.
De um profissionalismo sem tiques ou mesuras, de trato super-cool com os clientes que lá aparecem, em Marianne detecta-se a paixão pelos instrumentos logo aos primeiros momentos de conversa. Fã de Michael Brecker, Marianne, tem uma paixão pelo seu trabalho que a tornou famosa no meio saxofonistico parisiense.
Sem email, webpage própria (esta foi feita por uma amigo) ou sequer computador é a Marianne que se telefona quando um dos pesos-pesados de passagem por Paris precisa de uma reparação urgente. Foi o caso de Jesse Davis e - contado com enorme orgulho e um brilhozinho nos olhos - Wayne Shorter.
Pendurados na parede, uma das melhores colecções de saxes vintage de Paris tipo “morri e fui pró Céu”… Foi assim que travei conhecimento com o meu “Marques VI.”
Se por lá passarem, vão com tempo, desempoeirem o francês e divirtam-se mesmo sem gastar dinheiro. Há salas insonorizadas para experimentar boquilhas e saxofones e pode ser que o Balanced da vossa vida lá esteja, dormitando pendurado da parede, á espera que o vão desinquietar.

SAX MACHINE
46 RUE DE LA ROCHEFOUCAULD - 75009 PARIS
Tel : 01 45 26 05 20

segunda-feira, abril 13, 2009

Trane aos 19 anos



John Coltrane - de fatinho de marujo - e sax alto (!) ao peito, numa jam session no Hawaii, tocando "Now's the Time" em 13 de Julho 1946.

Os outros músicos são:

Dexter Culbertson - Trompete
Norman Poulshock - Piano
Willie Stader - Baixo
Joe Theimer(aka Timer) - Bateria
Benny Thomas - Voz






domingo, abril 12, 2009

Deus está nos pormenores... e nas câmaras anecóicas !

Não sei se isto acontece com outros saxofonistas ou só comigo:
Ás vezes, e na procura de um ataque mais preciso e imediato de uma nota grave do saxofone, um "truque" consiste em fechar as chaves que produzem essa nota, uma fracção de segundo antes da emissão da própria nota.
Por acaso e pela 1ª vez, se bem que não no saxofone, vi o fenómeno explicado :

"Spectral analyses indicate that the key action noise pre-excites the flute tube before the wind pressure produces the musical tone. The pre-excitation makes it easier to produce the correct pitch, as the expected partials are already present in the tube at a very low level".

Outro pormenor interessante. ("interessante pra quem??!!" perguntarão os meus amigos...)
Através do mesmo artigo fico a saber que o lapso de tempo entre o fecho das chaves da flauta e o pico do volume da nota produzida é de 94.5 milissegundos. Uma eternidade !....
Se extrapolarmos a situação para um clarinete, para um sax barítono ou para um sousafone outros tempos de desfazamento serão, com certeza, encontrados. O que leva a pensar: Qual é a latência característica de cada instrumento? E de cada músico?
Qual seria a latência do Dexter Gordon, por exemplo?
A experiência relatada no artigo foi conduzida numa câmara anecóica, local especialmente propício a experiências científicas (e sensoriais) reveladoras.
As mais próximas de Lisboa (refiro-me ás câmara anecóicas e não ás experiências) são, creio eu, as do laboratórios do ICP-ANACOM em Barcarena e a do Departamento de Electrónica e Telecomunicações da Universidade de Aveiro.
Ando morto por marcar uma visita...





sexta-feira, abril 10, 2009

domingo, abril 05, 2009

"If you didn't practice today, don't worry. Somebody else did"

Chet Baker no Carnegie Hall

A história é contada pelo trombonista Ed Byrne no site http://www.freejazzinstitute.org/.
O facto da "estória" ser contada na primeira pessoa reforça o seu significado, especialmente para todos aqueles que tocam jazz e estão habituados a ter de lidar com a imponderabilidade e imprevisto de muitas situações, musicais e não só...

"Quando se toca com uma estrela numa das mais famosas salas de concerto do mundo com a lotação esgotada, tudo pode acontecer - e muitas vezes... acontece.Chet Baker foi contactado por Creed Taylor para a realização de um grande concerto no Carnegie Hall, um concerto de come back que iria ser gravado para edição de um CD duplo e que contaria com a presença de outros nomes de cartaz como Gerry Mulligan e Stan Getz, e ainda luminárias como Roland Hanna, Ron Carter, John Scofield, Harvey Mason, Dave Samuels e Bob James. Quando todos eles chegaram aos estúdios CTI para ensaiar, imediatamente começaram a implicar uns com os outros e a trocar comentários desagradáveis e egocêntricos. Do facto de se recusarem a tocar uns com os outros e de também não ser possível fazer o concerto únicamente com o grupo habitual de Chet eu acabei por me tornar numa adição forçada á lista de músicos que iriam participar na gravação do Carnegie Hall. Posteriormente, quando Chet e eu ensaiamos o nosso melhor repertório com Bob James, Ron Carter e Harvey Mason, tudo correu lindamente. Contudo , na noite do concerto nem tudo foi perfeito. O apresentador trouxe primeiramente para o palco os sidemen anunciando , de seguida, a estrela. Com toda a banda reunida no palco, o nome de Chet é anunciado mais uma vez mas de Chet...nada. Nota-se um borborinho por trás das cortinas e percebe-se que há um problema no backsatge.Chet estava envolvido numa cena de pugilato.
Foi assim que o concerto começou. De seguida, vendo a sala apinhada de gente,inclusivamente com público a assistir, de pé, nos corredores laterais, Creed Taylor, por qualquer razão que desconheço começou a sugerir a Chet temas que não tinhamos ensaiado e que -francamente - não conheciamos. Esta era umas das fraquezas de Chet : apesar de ser o grande músico que era, Chet revelava muitas vezes, fraco poder de avaliação como leader. Esqueceu todo o set que tinhamos preparado e começou a chamar temas - em pleno palco - diferentes dos combinados e perfeitamente desconhecidos. Um desses temas era "The Thrill Is Gone" e ele contou-o num tempo de balada o mais lento que eu jamais tinha ouvido ou tocado até aí ou voltei a tocar desde então. Chet cantou a melodia enquanto eu toquei backgrounds no trombone e tudo correu bem... até ao meu solo.
O pianista Bob James, aparentemente desconfortável com o tempo, quadruplicou o ritmo harmónico ou seja tocou os acordes quatro vezes mais depressa durante o meu solo, onde eu parafraseava a melodia... no tempo inicial. Ron Carter estava perdido na harmonia e não podia ajudar. Chet, frustrado grita para Bob James (acerca de mim): "Ele está a tentar tocar uma balada!" A isto, Bob James, um produtor de sucesso com méritos firmados, encolhe os ombros com indiferença e continua o que estava a fazer. Isto enfureceu Chet que ficou vermelho-beterraba, mostrou o punho e avançou decididamente para James com a intenção de o esmurrar em palco, no Carnegie Hall, com a sala á cunha durante a gravação de um CD duplo. Eu estava no centro do palco, á frente, com Chet á minha esquerda e James á direita, pelo que ao ver o que se passava - enquanto fazia o meu solo, que estava a ser gravado - me inclinva de forma a bloquear-lhe a passagem em direcção ao pianista.

Isto prova que , por mais preparados que estejamos, sempre pode acontecer algo que nos surpreenda. É nas minúcias da música (acordes, escalas, forma, etc) que se deve centrar de forma a podermos estar livres para reagir aos músicos com quem interagimos e ao público a quem contamos a nossa "estória". Só se nos mantivermos focados e suficientemente fortes poderemos ultrapassar os obstáculos e distracções como os do incidente que acabei de descrever.

Mais tarde, ainda nessa noite Chet e eu tocamos no nosso gig regular no "Striker’s,um clube de jazz na cave de um hotel na esquina da 65th Street com a Columbus Avenue. Durante o nosso set o telefone do bar não parou de tocar, sem que o empregado atendesse, já que ele sabia que a era a namorada de Chet. Isso acontecia sempre que ela tinha conhecimento que a (legítima) esposa de Chet estava no club. Num momento de breve silêncio entre temas Chet olhou para mim e disse: "Sabes, pá, isto aqui é que é..." Ele tinha vindo do grande concerto de regresso no Carnegie Hall , em Nova York, gravado um CD duplo para uma das maiores editoras do mundo e diz-me que aquele clubezinho da treta, onde recebiamos 25 dólares por noite, "é que é" !!"

CD/Album : Gerry Mulligan/Chet Baker: Carnegie Hall Concert Vol 1&2(CTI6054-55/Epic5542)
Data de gravação: 24 de Novembro de 1974 CARNEGIE HALL-NYC :
com
Chet Baker(trompete)
Gerry Mulligan (sax baritono)
Ed Byrne(trombone)
Bob James(piano)
David Samuels(Vibrafone)
John Scofield (guitarra)
Harvey Mason (bateria)
Ron Carter (contrabaixo)

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