segunda-feira, dezembro 27, 2010

Sonny Rollins - A ponte

Não creio que possa haver alma mais sincera, música mais visceral e humana que a de Sonny Rollins.
Este filme revela Rollins e duas das suas relações mais profundas: a ponte de Williamsburgh e o saxofonista Paul Jeffrey, seu companheiro de travessia.

domingo, dezembro 26, 2010

Boletim Informativo do Hot Clube #1 - Janeiro de 1975


O 1º número do Boletim Informativo do Hot Clube de Portugal aqui fica de Janeiro 1975 (desculpem o pouco respeito pela cronologia...)
Abre com uma resenha do que foi a 4ª edição do Cascais Jazz pela pena de José Duarte adoptando uma estéctica ML (*)absolutamente actual, na altura...
Seguem-se preciosos elementos biográficos de Rui Cardoso, um dos pioneiros nacionais do saxofone Jazz e um extenso artigo/entrevista sobre Archie Shepp.
Lá pelo meio o anúncio de concertos em Castelo Branco e Lisboa do grupo de Red Rodney com o português Nuno Gonçalves no contrabaixo.
(*) ML, para quem é demasiado novo para o saber ou para quem já esqueceu o espírito do tempo, significa "marxista-leninista"


A curiosidade pelas circunstâncias em que estes concertos foram agendados e pelo que se passou no "terreno" levou a que abordasse o Nuno Gonçalves,um dos decanos do contrabaixo jazz portugueses e uma simpatia de pessoa, para que soubessemos mais sobre como foi tocar com esse grande trompetista próprio, alguém que tantas vezes partilhou o palco com "Bird".
Como era de esperar, Nuno, amávelmente, respondeu ás questões que lhe coloquei:

"Onobsj!!:Como chegaste ao contacto do Red?
N.G.:Foi o Duarte Mendonça que empresariou os concertos com o RR, que tinha cá estado no festival de Jazz de Cascais. Veio agora acompanhado do Art Themen (sax tenor), simpático, excelente musico, e médico otorrino inglês.
Os concertos com o Red Rodney foram 3 no Hot Clube e um em Castelo Branco, no Cineteatro Avenida. Estava agendado mais um no teatro ABC, que não se chegou a realizar.
Eu era o único português da banda. Os outros músicos da secção rítmica eram o Kevin Hoidale, pianista norte americano que vivia em Portugal nos anos 70 e o Adrien Ransy, baterista belga que na época integrava o Quinteto Académico.
Para as sessões no Hot, o Kevin trouxe o seu piano Fender Rhodes, pois o piano do Hot da época, que era um piano acústico antigo vertical muito estafado. Este Rhodes era uma grande novidade na época, porque era uma adição muito recente à musica de Jazz.
Onobsj!!:: O Red Rodney mandou os temas antes ou foi á 1ª vista? algum original? que dicas deu ou exigências ( musicais ou outras) fez?
N.G.:O Red Rodney enviou uma carta com uma lista de temas a fazer nas sessões, todos standards bonitos. Fizemos (só a secção rítmica) um ensaio prévio no Hot Clube, para passar os temas da lista.
Onobsj!!:: Alguma "estória" ou detalhes interessantes que tenham ocorrido durante os ensaios e/ou concerto?

N.G.:Red Rodney contou nos concertos, no intervalo entre dois temas em que apresentava os músicos da banda, o episódio da sua parceria com Parker, em que num gig num bar que era reservado apenas a pessoas de raça negra, ter apresentando Red Rodney como “Albino Red”. (Vi uns anos mais tarde este episódio no filme Bird, de Clint Eastwood).
Para além dos concertos no Hot, o ultimo concerto foi no Cineteatro de Castelo Branco organizado por um aficionado do Jazz, o Luis Pio, dedicado ao irmão, que tinha falecido num acidente de automóvel e que era também um grande aficionado do Jazz.
Forma-se uma comitiva, com alguns notáveis do Jazz Luso como o Luis Vilas Boas e o Zé Duarte, que se dirige para Castelo Branco por montes e vales por uma estrada sinuosa e em mau estado.
Na época as coisas eram ainda mais artesanais do que hoje e, quando chegámos para ensaiar o som, só havia o piano, um chaço de piano vertical que, além de não tocar algumas notas, estava super-desafinado!!! Aparelhagem sonora inexistente e um frio de rachar numa sala deserta (3 bilhetes vendidos) num edifício antigo e húmido, completavam o quadro surrealista... Ainda se tentou remediar o piano com uma iniciativa heróica pelo Zé Duarte, o Vilas Boas e de mais uns bravos, que foram tentar ir buscar em braços um piano de cauda que estava num museu. Claro que desistiram quando viram o peso e o concerto teve que se fazer mesmo com o piano que havia e a aparelhagem que não havia. Coisas do improviso à portuguesa, que na época era mais incipiente ainda do que é hoje.
O regresso a Lisboa foi, para compensação, super divertido com a companhia e o senso de humor do Luís Vias Boas!
Foi a realização de um sonho poder tocar numa formação destas e com estes músicos, um deles, uma lenda viva que tinha tocado com o “deus” Charlie Parker, temas dele, reproduzir aqueles sons que se ouviam nos discos..."



Obrigado Nuno. Grande abraço!
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