quinta-feira, julho 08, 2010

Mundo da Canção


O MC-Mundo da Canção foi uma das (a?) mais importantes revistas musicais do Portugal pré-vintecincodeabril.
Para além da qualidade do texto crítico, deu a conhecer muita música e muitas ideias em contra-corrente á "moral" e "bons costumes" do tempo da "outra senhora" (nunca percebi quem era a "outra senhora" mas todos sabemos ao que se refere a expressão) .
Foi uma publicação inovadora, agitadora, inconformista (que palavra tão fora de moda...) e provocadora do regime. Nas palavras do editor a revista surgiu "com o objectivo de lutar contra o cançonetismo apodrecido e ajudar a construir uma canção diferente. MC não aconteceu por acaso mas sim por uma convicção forte e baseada num pensamento que se julgou e se constata colectivo. Não se faz para determinado público, é concebida para todos. Usamos uma linguagem directa, sem eufemismos nem subterfúgios: negro é negro, encarnado é encarnado. Adoptamos uma atitude crítica: “propomo-nos à crítica e, implicitamente, somos matéria crítica".
Grande Avelino Tavares ! A falar desta maneira num país de gajos obedientesinhos, cumpridores e temerosos. Falar como ele falava (ainda por cima por escrito e publicado) dava direito, naquela altura, a ficar com a vida estragada, a ir parar á António Maria Cardoso ou á rua do Heroísmo (pra quem não sabe, era a sede da PIDE no Porto) ou se o dr. juiz estivesse mais atacado da gota, viajar até ao Tarrafal. Hoje dá mesmo vontade de rir ao (ou)ver uns tipos que se têm na conta de revolucionários/lideres da classe operária só porque levantam uma questãozeca que eles hajam mais "ousada"...
Falava eu da MC.
Isto porque passei pela página do "Jornal da Madeira" online e em fim de texto da notícia fiquei a saber que "O Funchal Jazz Festival é organizado pela Câmara Municipal do Funchal em parceria com o MC- Mundo da Canção. "
Foi inevitável vir-me á cabeça o bwana da Madeira. Um personagem que sempre me fez envergonhar de ser português. Um personagem ao qual eu assisti, corado de vergonha, um e outro presidente da República, um e outro primeiro-ministro, subservientemente, beijarem a mão.
A ilha não devia ter espaço para dois personagens tão opostos: O bwana e o Avelino Tavares.
Grande Avelino, já que lá estás e já que nenhum dos eleitos pelo povo teve tomates para mandar o bwana á merda, manda-o tu e diz que vais da minha parte.
um abraço

1 comentário:

Tiago Cordeiro disse...

Boa lição de história...o Bwana é quem estou a pensar, não...?

a "outra senhora" pelo que sempre percebi, até pelo meu pai, trata-se da União Soviética...posso estar enganado mas acho que a "senhora" a que se referem é essa...talvez fosse código das vidas da clanestidade.

Abraço

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