quarta-feira, novembro 26, 2008





O Jazz é fácil de compreender depois de possuir a “chave” e , mesmo assim, com constantes triunfos e derrotas.
Especialmente no jazz moderno é de reparar como Brubeck e Desmond, absolutamente por eles próprios, sem mais do que o seu sistema nervoso como suporte, vagueiam por selvas de invençãoassaltados por constantes emboscadas .
Assim a excitção provem não da vitória mas do esforço para se manterem tão sómente “vivos”. Brubeck, por exemplo, descobrirá, para seu horror, que caiu num cliché, e é entusiasmante ver como sairá dele, como pega no cliché, brinca com ele, o investiga, o desmonta, como tenta reconstrui-lo em algo de novo e, umas vezes conseguindo, outras falhando, apenas lhe resta continuar, deixando para trás um registo de vitória ou de derrota nesse dado momento. É por isso que o jazz moderno, apesar do seu aparente lirismo, é frio. Frio como uma conversa importante ou como Harry James. É frio, nervoso e está sobre tensão, como num almoço entre o editor e o autor, cada um deles cometendo erros e obtendo vitórias e, quando acaba, mal se sabe o que se passou, se foi bom ou mau, apenas que acabamos de viver uma “experiência”. É por isso que acho a música clássica menos excitante, porque apenas evoca o eco de uma “experiência” passada. É uma parte da sociedade, uma das suas mais nobres partes mas mesmo assim não faz parte da alma. Subsiste apenas o eco da alma do compositor. E, para além disso centra-se quase inteiramente nas suas vitórias e não na sua vida.”

Norman Mailer.
Anotação no diário a 17 de Dezembro 1954


2 comentários:

Salsa disse...

Você está "linkado" no meu blog. Os músicos daquém atlântico agradecem as partituras.
Abraços

Anónimo disse...

Sim, provavelmente por isso e

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