domingo, dezembro 29, 2013

Duke Ellington's Sound of Love - Jim Odgren alto sax solo



A mais bela balada jamais escrita, alguém disse desta canção. Sem dúvida um dos temas mais extraordinários saidos da caneta de Charles Mingus.
Melodia e harmonia numa relação íntima e feliz, absolutamente perfeita. A canção guia-nos para momentos de resolução que cremos adivinhar para, lá chegando, nos surpreender com um movimento inesperado e mais belo do que alguma vez imaginamos. Um tema que reune inteligência musical e sensibilidade raros no repertório de Jazz.
Uma sonoridade que me impressionou, a mim e aos membros da pequena comunidade jazzística de início dos 80's foi a do quarteto de Gary Burton. Frescura e modernidade. Em especial o disco "Now Picture this" onde pontificava, para além de Burton, o saxofone alto de Jim Odgren.
O  quarteto tocou no Teatro Carlos Alberto, na cidade do Porto, aí por 82 ou 83. Burton, no vibrafone, Jim Odgren, no sax alto, Steve Swallow no baixo eléctrico e Dick Hyman na bateria. Com muita pena não pude assistir ao concerto da noite (gig diário no Casino de Espinho) .
Aproveitando o facto do meu amigo e colega Alberto Jorge ter emprestado o amplificador de baixo ao Steve Swallow, baixista do grupo, fui de boleia e assisti ao sound-check do grupo.
Ao vivo ainda mais me impressionou o som do jovem Odgren - teria aí uns 23 ou 24 anos. Não era frequente ouvir o alto soar assim. A trend da altura, no que respeita ao som do alto, andava á volta dos saxofonistas negros como Cannonball, Bobby Watson ou Jackie Mclean. O jovem Odgren representava uma linha timbrica nova para mim e muito atraente, que vim mais tarde a encontrar também em Dick Oats ou Steve Nelson.
No fim do sound-check cumprimentei o saxofonista, que me confessou andar a juntar dinheiro para comprar um Selmer Super Action serie II (igual ao que eu tinha comprado há pouco tempo...) Fiquei a saber que a boquilha que usava era uma Dukoff o que instalou de imediato curiosidade e "gula" por essas boquilhas, que não conhecia á altura. Ficamos amigos e ainda há poucos anos nos contactamos. Jim Odgren é, desde 1982, professor da Berklee School of Music. Tem 2 discos editados, um dos quais teve a amabilidade de me enviar, juntamente com alguns comentários de carácter técnico.

Fica a transcrição do seu solo no tema "Duke Ellington's Sound of Love" (aqui tocado meio-tom acima da tonalidade original) , um solo cheio de elegância e contenção .

 

 

 

sábado, dezembro 28, 2013

Cuidados intensivos III

 
Com as últimas notícias sobre a recuperação da minha boquilha François Louis - que muitos consideravam condenada... - chegou esta foto .
Fabrice Wambergue, o luthier que, graciosamente, assumiu o desafio de a recuperar através de uma técnica e componentes por ele inventados, considera o trabalho terminado e informa que receberei a boquilha nos próximos dias. Curioso...
O estado inicial da boquilha pode ser visto aqui
 

segunda-feira, dezembro 16, 2013

All the things you are - Lee Konitz

Um disco fabuloso com músicos fabulosos.
O quarteto de Lennie Tristano, em topo de forma, gravado no Sing-Song Room do restaurante Confucius, em New York a 11 de Junho de 1955.
Em minha opinião este é um dos mais felizes temas do disco, em parte devido ao delicioso solo de Konitz, aqui transcrito. Melodia, melodia e mais melodia...







terça-feira, dezembro 03, 2013

Carreira



O maior fenómeno "musical" (e de vendas) neste pobre país que se afunda baseia-se numa série de pressuposto herdados de 48 anos de Estado Novo: o rapaz de província - Tony Carreira - que vindo da pequenez do seu meio, vence na vida e conquista o Mundo, a família como unidade estrutural de sucesso cuja força (em se mantendo unida)  tudo ultrapassa, o artista que "lá fora" projecta os saudáveis valores nacionais da humildade, do trabalho e da "honradez"...a vitória da simplicidade rural sobre a modernidade urbana...
Uma miscelânea de valores que conhecemos bem... e que em alguns de nós, já lá levaram durante demasiados anos com eles, apenas provoca o vómito... Pelos vistos para uma enorme parte da população, antes pelo contrário, provoca a vontade de comprar bilhete e ir ver o Tony...
Os gostos discutem-se , sempre se discutiram (eu sempre os discuti) e apena a iliteracia da tal população permite compreender o fenómeno. País de parôlos, semi analfabetos, tristes e conformados. Nos piores casos, arrogantes na sua imbecilidade...
aqui falei da "música" do Carreira. Devo acrescentar que  tenho o maior respeito pelos músicos que tocam neste e noutros, e em todos os contextos  e que se possam sentir ofendidos com o que aqui escrevo. É da miséria cultural do País que falo e não deles.
A música dos Carreira é como o fungo que nasce entre do dedinhos do pé ...apenas o sintoma de que uma muito grave e perigosa regressão cultural está em marcha (vitoriosa) neste pobre país pobre. . Falar em plágio é irrelevante no caso dos Carreira . O seu (deles) público está-se marimbando em originalidade. Até talvez antes pelo contrário goste de ver repetidas ali no palco músiquinhas que já ouviu no sound sytem do Lidl (melhor) tocada e (melhor) cantada por outros. Portanto, para quê falar de plágio? Com certeza que a Sociedade Portuguesa de Autores também não terá nada a dizer, desde que o direitos de "autor" entrem em caixa...Mesmo assim é interessante (digo eu) comparar os videozinho:

 
 
 
Mais sobre a carreira de plagiador do Carreira:
 

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Tesouras & navalhas



Transcrição de excerto de um prelúdio improvisado para a tarde de um amolador em Torres Vedras. Clara influência do impressionismo francês em particular de Debussy.


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