domingo, outubro 13, 2013

Porto, Jazz, 70's

Do Jazz no Porto, durante o final de 70'tas e 80'tas talvez um dia se conte a história. Entretanto aqui ficam algumas das raríssimas fotos sobre esse período:

Uma jam-session na Cooperativa Árvore por volta de 1976/77

Joel Garrido -guitarra
Armando (irmão do Zé Rato) -bateria
Zé Nogueira- (de barba) ao piano
de costas (talvez)  o Pedro Cavaco
Informação enviado pelo contrabaixista Artur Guedes (Zanarp)



Num workshop em Pontevedra no principio dos anos 80
Da esquerda para a direita:
Perico Sambeat, José Nogueira, ? (trompete)  , David Liebman, ? (piano)



Quarteto Zanarp, Praça de toiros da Figueira da Foz (final de anos 70ta)
da esq. para a direita:

António Pinho Vargas, Zé Nogueira, José Martins, Artur Guedes

sexta-feira, outubro 11, 2013

A primeira Big Band de Jazz portuguesa


Maestro Jorge Costa Pinto
Há exactamente 50 anos (1963) , músicos portugueses reuniram-se para formar aquela que veio a ser a primeira Big-Band de Jazz Portuguesa.

Jorge Costa Pinto, baterista, arranjador e pianista foi o mentor do projecto. A sua paixão pela música tinha-o levado aos Estados Unidos onde frequentou a famosa Berklee School of Music tendo sido, creio, o primeiro português a fazê-lo.

A convite de Manuel Jorge Veloso que na altura produzia o programa "Jazz no Estúdio 2" da (então jovem) RTP, Costa Pinto reuniu em estúdio músicos provenientes de várias áreas (bandas militares, orquestras, música ligeira) e com apenas dois ensaios atiraram-se convicta e destemidamente ao tema  "La Nevada Blues" de Gil Evans.

Os solistas foram dois nomes que viriam a ser famosos na cena musical portuguesa : o saxofonista Santos Rosa e o guitarrista Carlos Menezes .

O vídeo que aqui se reproduz e cujo original faz parte do espólio pessoal de Jorge Costa Pinto foi gravado de uma projecção no fundo de palco do Centro Cultural de Belém durante o ensaio geral do espectáculo de comemoração dos 50 anos da estreia da 1ª Big Band de jazz portuguesa, espectáculo que teve lugar a 10 de outubro de 2013.

Neste espectáculo o tema "La Nevada Blues" foi mais uma vez interpretado pela Orquestra sendo os  solistas este vosso escriba dedicado (no saxofone tenor) e o guitarrista Bruno Santos, coincidentemente ele próprio também madeirense como Carlos Menezes, guitarrista da versão de 1963. Foram convidados para este espectáculo  músicos que, ao longo dos últimos anos, colaboraram com a Orquestra : Maria Viana e Kiko (voz), Rao Kyao (flautas),  Carlos Martins (saxofone) e Jeffery Davis (vibrafone).

Apesar das más condições técnicas do vídeo ele constitui, ao momento, o único registo público deste momento histórico para o Jazz em Portugal.
A publicação deste vídeo na sua versão original e integral espera-se para breve, segundo informação do próprio maestro Jorge Costa Pinto.
 
 
 

Santos/Melo 4tet + Seamus Blake


@ Hot Club, Lisbon Portugal, 9/10/13
Seamus Blake -sax tenor
Bruno Santos guitarra
Filipe Melo_ piano
Bernardo Moreira_contrabaixo
Luis Candeias_bateria
     foto Joaquim Mendes

segunda-feira, outubro 07, 2013

Economica-lee troubled

me and Lee
In 2006 I brought Lee Konitz to the town where I live in Portugal to play Ohad Talmor arrangements  and originals with the Matosinhos Jazz Orchestra . That concert was part of TVedrasJazz , “my” jazz festival in which  I was artistic director, financial director, manager, executive producer, musician’s driver, concert poster paster, you name it…
I started by contacting  Lee’s manager, an Austrian guy based in New York and we agreed with conditions. Among them was that the fee should  be payed in two instalments the first  being transfered two months before the concert . The rest should be paid in cash, the day of the event and BEFORE the concert. I was warned that if these conditions were not fulfilled the concert would not take place.
Everything went well. A first instalment had been transferred as planned. The contacts with Lee’s manager were going smooth. The concert was on a Saturday.  The day before (Friday) at 5 o’clock in the afternoon a bell rang inside my head and I realized that I did not withdraw from the bank the amount (cash) that I was supposed to be paying to Lee’s representative.  Panic ! It came to my mind what the Austrian guy had told me: No payment before the concert, no concert !. My first move was to call my bank and explain the situation. They were really sorry…. But even if they wanted, the safe would no open cause its inner mechanism  was configured not to open till Monday….It came to my mind that the my bank's branch at Lisbon airport should be opened all weekend….. Nice idea, hmm?
I thought I had the situation under control but…. my bank had no branch at the airport !!. Oh lord I‘m in trouble… we’re talking about getting more than 6.000 euros (a little over 8.000 $USD) in cash during a Saturday with all banks closed. I had to call New York and explain to the Austrian guy (to whom I was a complete strangers) that I had FORGOT to get the money I was supposed to be paying . I made the phone call. His reply  was very direct : you’re in deep shit.
It was clear to me that if  I did not get the money it won’t be any concert. Next step : call Lee's representative in Portugal and try to explain the situation. The band was rehearsing in Porto with the Matosinhos Orchestra. I started by calling one of the orchestra directors who knew me from way back and he was kind enough to give good references for me , so when I got to speak to Lee's man, he took it in a very nice and polite manner although he was really worried about not having the money he needed to pay to soloists and hired musicians at the end of the concert. He seemed to understand the situation and very politly asked me to try to get AT LEAST 5.000 euros in cash……. Well, if I could gather 5.000€ it shouldn’t be hard to get 6.000... But, at the time I didn’t have any idea how to get 50 euros out of a closed bank ...and,  I was not (yet) thinking of robbing one...
For the moment I had nothing else to do other than go home and try to think a way to get out of that mess. That was the first time I was hiring an international name and I was feeling real dumb. Could not eat dinner, I was sweating cold and trying to get out of my mind the vision of Lee Konitz refusing to play .
That night I could not close my eyes and get to sleep. How could I get 6.000 euros in the next 20 hours?  

(to be continued...)
 


quinta-feira, outubro 03, 2013

Vintage Liebman

David Liebman é, em minha opinião, um dos saxofonistas mais importantes do universo do Jazz. A razão pela qual lhe atribuo essa importância tem a ver com a forma como a sua música representa (para mim) a ponte entre dois mundos: o antes e o depois de Coltrane . Com a partida de Trane uma multiplicidade de caminhos ficaram em aberto, uns apenas encetados, outros explorados mais a fundo, outros apenas sugeridos: o desenvolvimento de uma complexidade melódica até então desconhecida no "jogo" dos músicos de jazz seus contemporâneos (a época das "sheet of sound") ; a transformação/apropriação definitiva da canção ("My favourite Things"); o modalismo - que Trane abraçou desde o primeiro momento em que Miles lho sugeriu ("Kind of Blue") - e que mais tarde teve os seus momentos mais intensos em "Impressions"; o interesse pelas tradicões musicais de culturas exteriores ao Jazz - aquilo a que mais tarde se veio a chamar "World Music" ("India", "Afro-Blue"); as explorações sonoras resultantes de divisões simétricas da oitava (sistemas quadritónicos e tritónicos) da qual "Giant Steps" é o resultado mais conhecido; a busca de uma nova abordagem à improvisação em grandes formações("Ascension") ou a procura - talvez iniciada em "A Love Supreme" - de uma transcendência da tonalidade, procura essa que seguiu furiosamente até ao fim.
David Liebman tomou como suas todas estas áreas de exploração musical, com uma intensidade e paixão difíceis de igualar, com um espírito de missão que transparece da importância que desde muito cedo deu á componente pedagógica da sua atividade.
Sem sombra de dúvida um dos meus saxofonistas favoritos. Daí que encontrar os vídeos aqui postados tenha "feito o meu dia".

Gravado no New Jazz Festival (Hamburgo,Alemanha, 1975)    
Dave Liebman, sax soprano, tenor e flauta
Richie Beirach, piano
Frank Tusa, baixo
Jeff Williams, bateria
Badal Roy, percussão, tablas




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