domingo, novembro 25, 2012

Dave Schildkraut (III)

O saxofonista David Schildkraut (1925-1998) e a sua música têm sido objecto de interesse deste blog por repetidas vezes .
Até ao momento detectei a participação de David Schildkraut nos seguintes discos:
Tony Bennett's "Cloud 7" ,
Oscar Petiford's "Basically Duke",
George Handy's "Handyland U.S.A",
Buddy Rich "Cool Cat on a Hot Tin Roof” ,
Don Joseph “Nocturne", 
Ralph Burns “I’ll Be Around" e
Hal McCusik "Cross-Section Saxes" (thanks, Tim Price:-)
Sam Most & His Orchestra
Eddie Bert
Anita O'Day

Informação substancial sobre Dave e o seu lado pedagógico aqui , um belíssimo contributo do saxofonista Bob Derke.

Contudo a sua participação mais famosa é sem dúvida no disco "Walkin'" de Miles Davis no qual gravou vários solos, o mais famoso dos quais no tema "Solar".




Aqui fica a transcrição deste belíssimo solo. 


quarta-feira, novembro 21, 2012

Impressionante "Impressions"


Transcrever solos - e tocá-los - permite uma proximidade com o autor do solo, uma intimidade de pensamento e de gesto altamente enriquecedora para quem se dá ao trabalho. E sim...dá trabalho, mesmo com a tecnologia digital que permite ouvir a música mais lentamente sem alterar a tonalidade do tema. Há bastantes anos atrás e sem essa tecnologia alguns dos solos que comecei a transcrever ficaram a meio. Mal o Coltrane começava a tocar semicolcheias a minha moral sofria um rude golpe...bem como a transcrição...
Já ouvi vezes sem conta levantar a questão de que copiar solos é mau. Retira a personalidade própria de quem o faz, transforma-o num mero imitador do músico copiado.
Discordo redondamente.
Transcrever é uma outra forma de ouvir. Ouvir mais a fundo, ouvir outros parâmetros musicais que não são percebidos conscientemente aquando da escuta. Timbres, articulações, micro-variações de altura de notas, todos os maneirismos próprios do solista ressaltam muito mais evidentes e compreensíveis quando são transcritos. Quanto á alegada perda da identidade musical própria, não o considero um argumento digno de crédito. Em primeiro lugar, se um músico perdesse a sua personalidade por transcrever um (ou mais) solo arriscar-me-ia a prever que essa personalidade talvez nunca tenha existido. Seria o equivalente a dizer que os livros que lemos destroem a nossa personalidade, que deixariamos de ser quem somos por ler os Maias, o Aleph ou as Memórias de Adriano. Passariamos a pensar como o Eça, o Borges ou a Yourcenar ? Antes pelo contrário. É no contacto com a obra desses escritores que a nossa própria personalidade vai ganhando forma, se vai educando e crescendo.
Mas isso agora não interessa nada...
Interessa é que o solo de Michael Brecker no "Impressions" no CD "Infinity" de McCoy Tyner é um dos seus solos mais fabulosos.
Aqui ficam (para os mais afoitos) os 10 chorus do solo de Michael Brecker. Vale a pena o trabalho não só pelo gozo que dá mas pelo facto de as duas transcrições deste solo que podem ser encontradas na net conterem imensos erros o que impossibilita totalmente a compreensão das estratégias musicais e técnicas de Brecker neste solo que é um tratado de improvisação modal. Saxofone tocado ao mais alto nível .
Ao contrário do que diz o título de un dos discos de Michael Brecker , "please, try this at home" :-)









 












google-site-verification: googlefa1481a732b9d84f.html