domingo, outubro 28, 2012

Witchi Tai To

Witchi Tai To é, em minha opinião,  uma das mais poderosas e positivas  canções já escritas.
A melodia  que lhe serviu de base foi ensinada a Jim Pepper, autor da canção e saxofonista nativo-americano, pelo seu avô, um índio Cree e é um "cântico de peyote". Estes cãnticos são melodias entoadas ou imaginadas durante cerimónias em que a ingestão ritual de peyote abre portas a estados de percepção com especial significado quer para ao indíviduo quer o grupo, cerimónias das quais o jornalista Carlos Castañeda dá conta nos seus livros.
O autor desta canção, Jim Pepper (1941-1992), foi um saxofonista pioneiro do que se viria a chamar fusão, tendo integrado na sua música elementos das tradições nativo-americanas e do rock psicadélico. Pioneiro também numa certa forma de expressão saxofonística que viria a ser repescada mais tarde por músicos como Garbarek, Brecker ou Sanborn.
O poder desta canção não passou despercebido a músicos como Jan Garbarek, David Byron (dos "Huriah Heep"), Jack Johnson ou os Oregon . Em 1969 a canção esteve colocada em #70 no Top 100 dos Estados Unidos.

O título significa "Tudo é Tudo" e a letra diz :



Witchi Tai To gim-mie rah
Whoa ron-nee ka
Whoa ron-nee ka
Hey-ney hey-ney no wah

Water spirit feelings
Springin' round my head
Makes me feel glad
That I'm not dead






















quinta-feira, outubro 25, 2012

Ingrid Jensen sobre a prática de um instrumento

Uma das raras mulheres trompetistas (não, não é a única) da cena jazzistica internacional, Ingrid Jensen tocou com nomes como  Maria Schneider Orchestra,  Geoffrey Keezer, Project O, Nordic Connect ou Darcie James Argue’s Secret Society para além de liderar os seus próprios projectos.
Numa entrevista de quase uma hora fala de prática do instrumento.
A ouvir aqui .


 

terça-feira, outubro 23, 2012

Garbarek - retrato do artista aos 20 anos

 

 
" Freedom Jazz Dance" (Eddie Harris)

Jan Garbarek - tenor sax tenor
Frank Phipps - trombone de pistões
Arild Andersen - contrabaixo
Jon Christensen - bateria
Concerto ao vivo no Studentbyens Jazz Klubb, Oslo, 24. Setembro 1967
 
 

 

segunda-feira, outubro 22, 2012

Garbarek takes the Coltrane

Descoberta recente. Garbarek com 20 anos a tocar Mr. PC, blues menor de Coltrane. 20 anos em 1967 e uma garnde maturidade de conceito, sabendo exactamente o que quer fazer do tema e como o fazer. A presença de Ornette é patente no jogo de Garbarek mas nem por isso se deixa de detectar o Garbarek dos anos posteriores. Aqui

segunda-feira, outubro 15, 2012

Mestres do saxofone

Se Adolph o inventou como "máquina de produzir intervalos" (Steve Lacy) , eles inventaram-no como instrumento musical de pleno direito, instrumento também ele para virtuosos.
Os Mestres do saxofone.
Apesar de, para muitos dos ouvidos actuais, estes saxofonistas soarem estranhos, fora de moda, curiosidades de museu, eles fizeram escola, fundaram as bases a partir das quais o saxofone pôde ser tocado como o é nos nossos dias por gente como Potter, Garbarek,  Parker, Delangle, Brecker, Liebman, ou Londeix.
Um dos comentários de um dos videos coloca a importância deste mestres em perspectiva:  "Rascher explaining the sax is like..like..um..well it's like God explaining how to make a universe". :-)



Rudy Wiedoeck  (1893 - 1940)

                             

                             


     
SIGURD RASCHER  (1907 - 2001)
                            1

                                           2

                            3


                             



MARCEL MULE  (1901 - 2001)


                              


            

  • A página do Saxophone Journal (sim, existe uma revista só para saxofonistas) dedicada a Marcel Mule


Joe Allard   (1910 –1991)


                            




Al Gallodoro  (1913 – 2008)


                        



                           


domingo, outubro 14, 2012

Oh Não ! Já passaram 5 anos !!

Comecei este blog como mais uma ferramenta de comunicação com os meus alunos, um local de onde lhes poderia passar os meus pontos de vista de uma forma diferente daquela habitualmente usada numa aula.
Entretanto fui-me tornando um pouco mais egoísta e ele transformou-se no meu próprio blog de notas onde vou postando aquilo que quero ver mais tarde ou aquilo que me entusiasma no momento. Mesmo assim espero que não tenha perdido a função inicial.
Tal como com um animal doméstico, sinto-me comprometido a alimentar regularmente o blog. Felizmente não o é, caso contrário já tinha tido a Associação de Protecção aos Animais á perna dada a magreza do "bicho" durante aguns dos meses anteriores...digamos que é mais um Tamagochi, para quem ainda se lembra do que isso é... Era agora que eu dizia que prometia dar mais atenção ao blog, no futuro. Pois era. Mas não vou dizer....

Decidi comemorar estes 5 anos com o tema "Blue 'n' Boogie" pelos "Jazz Giants", um grupo formado por alguns dos verdadeiros gigantes do Bebop, concerto gravado no mítico 1º Festival de Jazz de Cascais no dia 21 de Novembro de 1971, documento indisponível na net até agora.
De lamentar a ausência quase total de registos video dos concertos deste festival.
Apesar da escassez de video sobre Deste 1º Festival de Cascais apenas se encontram excertos do concerto do 5teto de Miles (espero,em breve colocar o concerto na sua totalidade.
Estou, contudo, convencido que existem registos integrais de alguns concertos , dado a recente (2009) utilização de excertos desses concertos no documentário "Rewind - Cascais Jazz '71" produzido por João Marques, realizado por João Abecasis Fernandes.

Para mim ainda é emociante ver este video (apesar da qualidade e da dessincronização sonora...) .
Estou certo que para muito(a)s de vocês também o será.
Enjoy!
                     clicar na imagem 
         

 

sábado, outubro 13, 2012

13 de Outubro - great day for sax !!


Dois mestres do saxofone nascidos no mesmo dia : Konitz e Pharoah Sanders.

Com ambos tenho uma relação especial. Uma relação de afecto (todas as relações especiais são de afecto, óbviamente...) Conheci primeiro Pharoah. É fácil conhece-lo primeiro: um som directo, aberto, largo vibrato, gritante, da Terra. Fiquei apanhado pelos primeiro sons que ouvi vindos do sax de Sanders na cave do meu amigo Miguel Ribeiro, ele que uns anos mais novo do que eu (eu 18, ele 15?) me introduziu nos mundos de Ra, Stockhausen, Artaud e Breton.
Peregrinei a Marselha para o ouvir.
Não ouvi.
Um desvio inesperado até Paris implicou um atraso irremediável para o concerto de Pharoah.
Durante anos tive esse momento como dos mais "raté" da minha vida de amante de Jazz. Até que me vinguei. Á pala de um cartão de jornalista (que nunca usei a não ser com Pharoah) fiz-lhe uma “entrevista” que aqui postarei um dia destes
. Tauhid, Thembi, Live at the East, Live at Seatlle e Live at the Vanguard Village again (estes últimos com Trane) e Izipho Zam são imperdíveis para quem queira conhecer minimamente a música de Sanders .

Lee Konitz, conheci mais tarde. E naturalmente mais tarde. A sofisticação melódica de Konitz não apela de imediato a um novato (não soa nada bem "imediato com novato"... prefiro "de repente a um principiente..."). Veio com o Lp Oleo e especialmente com Alto Summit , o 1º disco onde ouvi Konitz.
Uma discografia de mínim de Konitz (pessoal e transmissível)
Konitz & Warne Marsh no Montmartre Jazzhaus
Alto Summit
Oleo
Windows
Motion
Duets (no tenor com Elvin) Desta gravação disse-me Konitz rindo-se muito: "I had the NERVE to play tenor with Elvin..eheheheh!!
Portology
New quartet

Feliz aniversário a ambos. !!

quinta-feira, outubro 11, 2012

Domingo


 

quarta-feira, outubro 10, 2012

AULAS DE IMPROVISAÇÃO E SAXOFONE


Decidi dedicar parte do meu tempo a aulas particulares de Teoria de Jazz/Improvisação de Jazz  e Saxofone.
Tentarei reunir um grupo de alunos o mais avançados possível pelo que apenas aceitarei os alunos depois de um pequeno teste. Dependerá da disponibilidade de horário aceitar alunos iniciados.
Para a turma de Teoria de Jazz/Improvisação aceitarei alunos de outros instrumentos que não o saxofone mas que já tenham noções sólidas de classificação/construção de intervalos e construção de escalas maiores.

Aceitarei também alunos de clarinete-jazz (aulas individuais). Não sendo clarinetista,  não ensinarei a técnica desses instrumentos pelo que esses alunos precisam de já conhecer o instrumento (nível mínimo 6º grau mínimo). A eles, como a todos os outros, ensinarei as técnicas de Improvisação inerentes aos vários estilos de Jazz.
Todas as aulas serão de 50 minutos, sendo as de instrumento, individuais.
A criação de um combo, não estando, para já, prevista, será não só desejada como possível.
Outras condições serão fornecidas mediante pedido de informação a zimk@iol.pt

Poderão encontrar mais informação sobre mim e sobre o que penso sobre música :

·         Neste blog (mantido desde 2007). Se “escavarem” nos posts antigos irão encontrar imensa informação interessante (digo eu...)

·         Na minha página pessoal   em   http://home.uevora.pt/~jmenezes/

·         Poderão também conhecer aqui alguns dos meus ex-alunos bem como tomar contacto com o meu trabalho com Combos
 

segunda-feira, outubro 08, 2012

MISTURA

Tenho insistido com os meus alunos no sentido de tentarem não compartimentar em "gavetas"mentais os materiais que estudam.
Há que contrariar a tendência de  estudar os materiais de improvisação como quem estuda para um exame: "ok, isto já saiu numa prova, tá feito. Posso esquecer."
Desta atitude resulta que se perca  o potencial musical desse material estudado já que apenas foi tratado como um estudo, um exercício, um objecto musical morto (ou pelo menos,  muito combalido...) 

Daí a necessidade de exercitar a mistura dos materiais ainda antes do momento do solo.
O objectivo é que todos os materiais venham a integrar-se, constituindo aquilo que virá a ser o nosso "vocabulário" numa grande mistura de formas, cores harmónicas, contornos melódicos, figuras rítmicas...
A palavra-chave destas 1ªs semanas de aula  tem sido "MISTURA". Daí que tenha ficado especialmente satisfeito por ter lido num artigo do Ellery Eskelin o seguinte:

" I found myself emphasizing the need to consciously integrate all aspects of playing into a single delivery as I tried to make the students aware of just how many potential choices there are to be made in any given situation, no matter how seemingly simple".

Para quem não o conhece Ellery Eskelin é um dos mais interessantes, inventivos e arrojados saxofonistas actuais.
O seu blog


segunda-feira, outubro 01, 2012

Workshop de Big Band

Na 1ª semana de Abril deste ano Laurent Filipe convidou-me para orientar uma semana de trabalho com a orquestra Acrolatin, de Vila Real. De entre todos os argumentos para aceitar, o de passar uma semana com a excelente companhia, humor e amizade do Laurent  foi um dos que mais pesou.
Fui encontrar um grupo de gente cheia de vontade de aprender e de uma enorme simpatia, A semana transformou-se num desafio ou melhor em dois. Para a orquestra, de pôr de pé um repertório novo com um ou dois temas mais exigentes do que os que habitualmente tocam; para mim, o de os ajudar a tocar de uma forma convincente e de dar a compreender aos músicos a música que lhes propus tocar.
Foi muito divertido para mim e , pelas imagens finais, creio que posso dizer que  não só para mim.
Um abraço á Acrolatin !


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