sexta-feira, julho 09, 2010

quinta-feira, julho 08, 2010

Mundo da Canção


O MC-Mundo da Canção foi uma das (a?) mais importantes revistas musicais do Portugal pré-vintecincodeabril.
Para além da qualidade do texto crítico, deu a conhecer muita música e muitas ideias em contra-corrente á "moral" e "bons costumes" do tempo da "outra senhora" (nunca percebi quem era a "outra senhora" mas todos sabemos ao que se refere a expressão) .
Foi uma publicação inovadora, agitadora, inconformista (que palavra tão fora de moda...) e provocadora do regime. Nas palavras do editor a revista surgiu "com o objectivo de lutar contra o cançonetismo apodrecido e ajudar a construir uma canção diferente. MC não aconteceu por acaso mas sim por uma convicção forte e baseada num pensamento que se julgou e se constata colectivo. Não se faz para determinado público, é concebida para todos. Usamos uma linguagem directa, sem eufemismos nem subterfúgios: negro é negro, encarnado é encarnado. Adoptamos uma atitude crítica: “propomo-nos à crítica e, implicitamente, somos matéria crítica".
Grande Avelino Tavares ! A falar desta maneira num país de gajos obedientesinhos, cumpridores e temerosos. Falar como ele falava (ainda por cima por escrito e publicado) dava direito, naquela altura, a ficar com a vida estragada, a ir parar á António Maria Cardoso ou á rua do Heroísmo (pra quem não sabe, era a sede da PIDE no Porto) ou se o dr. juiz estivesse mais atacado da gota, viajar até ao Tarrafal. Hoje dá mesmo vontade de rir ao (ou)ver uns tipos que se têm na conta de revolucionários/lideres da classe operária só porque levantam uma questãozeca que eles hajam mais "ousada"...
Falava eu da MC.
Isto porque passei pela página do "Jornal da Madeira" online e em fim de texto da notícia fiquei a saber que "O Funchal Jazz Festival é organizado pela Câmara Municipal do Funchal em parceria com o MC- Mundo da Canção. "
Foi inevitável vir-me á cabeça o bwana da Madeira. Um personagem que sempre me fez envergonhar de ser português. Um personagem ao qual eu assisti, corado de vergonha, um e outro presidente da República, um e outro primeiro-ministro, subservientemente, beijarem a mão.
A ilha não devia ter espaço para dois personagens tão opostos: O bwana e o Avelino Tavares.
Grande Avelino, já que lá estás e já que nenhum dos eleitos pelo povo teve tomates para mandar o bwana á merda, manda-o tu e diz que vais da minha parte.
um abraço

sexta-feira, julho 02, 2010

Law of Balance

Steve Coleman está (para mim) constantemente envolvido em mistério. Mistério sobre como toca , como pensa, onde e com quem estudou. Na sua bio Steve Coleman afirma ter sido influenciado por - além de Charlie Parker, obviamente -Von Freeman (que
conheço mal), Sam Rivers e pelo baterista Doug Hammond (que desconheço de todo).
Aterrei, já não sei bem como, neste video e neste tema que mais uma vez, reforçou a sensação de mistério á volta da música de Coleman
"O QUE É ISTO??!!" foi a primeira reacção.
Alguma alguma paciência depois, cheguei ás conclusões que aqui partilho (as quais estão completamente em aberto para serem discutidas/melhoradas)
Este tema baseia-se num ciclo de 15 tempos sobre um outro de 12.
Ou seja uma frase de 15 tempos (na choca tocada por Coleman) sobre uma frase de 3 compassos em 4/4 e que aparece mais á frente, na tarola.
O ciclo retorna a encontrar-se ao fim de 60 tempos (4x15=5x12).
O fascínio pela matemática Pitagórica está concerteza, aqui presente .

Nas palavras de Steve Coleman:

"We live in a world of immense beauty. There are a multitude of forms with countless variations on simple themes. I want to speak here about balance and make some comments about how balance can be achieved musically. There are countless ways that architectural balance can be musically achieved from the micro to macro level. Since attention to detail has always been an important factor for me, and these things are not usually discussed, I would like to initiate some dialog on this subject. The most obvious kinds of balance that come to mind are the various forms of symmetry (i.e. bilateral, etc.) that can be applied musically, using intuitive and logical methods. Symmetry is a fact of nature and one of the oldest fascinations of humanity. Some of the more obvious ways in which symmetrical musical balance could be realized are through melody, rhythm, tonality, form, harmony and instrumentation. As well as the structural considerations of symmetrical musical forms I will also discuss these structures from a dynamic point of view, i.e. as they progress through time." o texto continua aqui

Mais sobre Steve Coleman aqui





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