quarta-feira, dezembro 30, 2009

SAX4TETS 4

KOLNER SAXOPHON MAFIA



Deste quarteto gosto de tudo, a começar pelo nome. Vi-os em Serralves há uns anos e fiquei fã . Da música e do humor constantemente presente no que fazem. E não me refiro a piada musical ou efeito cómico de resultado fácil. Falo de um constante jogo com as espectativas que vão sendo criadas pela música, um constante "não-levar-a-sério" os intrincados arranjos e os solos demolidores que vão acontecendo. No meu top dos 4tetos!




http://www.wollie-kaiser.de

SAX4TETS 3

BL!NDMAN QUARTET




É belga um dos mais conceptualmente sofisticados quartetos de saxofones que conheço. Fundado em 1988 e com uma forte atitude multidisciplinar, o grupo desdobra-se em projectos, colaborações com artistas de outras áreas projectando uma noção de espectáculo global que não é frequente em quartetos de saxofones, seja em que parte do mundo fôr. A coerência do conceito é de tal forma forte que permite passar de Bach á improvisação atonal sem que isso soe a "variedades" (como muitas vezes acontece quando um grupo tenta parecer "versátil", se me faço entender...) Pois é. Mas este grupo não tem a improvisação como expressão principal, dirão os meus amigos. Tanto pior. É um grupo cuja música -apesar de ser maioritáriamente escrita - é tão arriscada quanto se fosse improvisada... e eu gosto imenso. Uma visita ao site é fundamental.









terça-feira, dezembro 29, 2009

SAX4TETS 2


rOvA SaXOPhONE qUaRTET

De San Francisco, capital mundial do saxofone (dizem eles....) vêm um dos mais criativos quartetos do mundo. Não há como ouvir esta composição (de 1989) em colaboração com Anthony Braxton para perceber porquê. No site do grupo, muito completo e informativo, merece(-me) especial atenção a página "Food for Thought". Com vários projectos em curso, uns mais activos que outros, os Rova estiveram no Jazz em Agosto 2006 em versão alargada (Orkestrova) com o espectáculo "Electric Ascension", uma comemoração caótica e imprevisivel do disco "Ascension" de John Coltrane. Um complexo jogo de sonoro no qual, tenho a certeza, o próprio Coltrane, não desdenharia ter mergulhado.
Larry Ochs (o tal acusado de não tocar jazz por um espectador espanhol) ,Jon Raskin, Steve Adams e Bruce Ackley:

segunda-feira, dezembro 28, 2009

SAX4TETS 1

De alto a baixo do nosso rectângulo portuga, são já em número considerável os quartetos de saxofone com actividade regular. Formados no seio de bandas filarmónicas, big bands de jazz ou escolas de música estes grupos lutam com várias dificuldades umas das quais relaciona-se com repertório. Quem escreva para quarteto de cordas não abunda. Assim, arranjos "jazzy" (em português, ajazzados...) de temas conhecidos (estou a lembrar-me da "Pantera côr-de-rosa" ou do "Tico-Tico no Fubá") , de temas de jazz arranjados integralmente (ou seja, sem ponta de improvisação) e temas - óptimos, de resto - do Piazzolla constituem o repertório da maioria dos quartetos de saxofones em actividade no País. São arranjos que, fácilmente encomendáveis, garantem uma base de funcionamento estável e regular para um quarteto começar (e continuar ...) a trabalhar. E nem sequer são caros... São raras (por isso honrosas) as excepções a esta regra. O quarteto Saxofínia e os Artemsax têm o mérito de ter encontrado um lugar especial neste cenário. Não só pela longevidade mas também pela qualidade da proposta musical.
Os Saxofínia, com muitas composições a eles dedicadas e com um repertório que vai de Antonio Pinho Vargas a Bob Mintzer passando por Scarlatti são o grupo de referência nacional neste tipo de formação.Pena que estejam tão mal divulgados on-line, sem site próprio e com uma apresentação um pouco descuidada no site dos seus agentes. Os Artemsax focados na música de Carlos Paredes com um trabalho musical de qualidade e com cuidados de imagem e apresentação online são o outro exemplo de um grupo com ideias neste pequeno mundo dos quartetos de saxofone. Outros haverão que desconheço. Desaconselho a visita a http://www.qsporto[ponto]com/, site indicado pelo Quarteto de saxofones do Porto como seu. Tem virus. Nada que o avast não resolva.
Quartetos de saxofone cujo conceito coloque a improvisação num papel central são raros.Diria até que inexistentes. As experiências que conheço nessa área- Quarteto de Saxofones do Porto (versão 1.0) e UBU sax4tet - foram instigadas por este que vos escreve (your's truly) juntamente com o José Nogueira, no caso do 4teto de saxes do Porto e padeceram ambos de problemas de vária ordem dos quais seria interessante discorrer um dia destes. Por cá, e embora não falte domínio técnico nem saxofonistas, ainda não apareceu um quarteto que junte no mesmo parágrafo "improvisação" e "quarteto de saxofones"... ou já e eu ainda não reparei.... Se não reparei, por favor informem-me...
Assim, sendo este post e os próximos dedicados ao qaurteto de saxofones (o post podia chamar-se "os meus quartetos de saxofone preferidos") ,começo por um monumento, comparável ao Mount Rushmore ou á Sagrada Família. É isso, á sagrada família dos saxofones... Os World Saxophone Quartet (WSQ). Brutais. Domínio técnico absoluto sem os excessos virtuosisticos de que costumam enfermar muitas destas formações. A técnica ao serviço do que interessa...... Advinharam! ... da Música.


Julius Hemphill, Oliver Lake, David Murray e Hamiett Bluiett na formação original:


Chris Potter : Voice leading orgy





All things you are (Chris Potter)
versão completa

Kurt Rosenwinkel


Gravada durante um workshop de Kurt Rosenwinkel em S. Paulo com uma secção rítmica local esta versão de "Falling Grace" (Gary Burton) é um exemplo de toda a capacidade de invenção melódica e harmónica do guitarrista e de um domínio técnico do instrumento a toda a prova. Um solo de um bom gosto e fluência de ideias irrepreensivel



sexta-feira, dezembro 25, 2009

Ear to the Ground Project

Na Natureza o silêncio está, tal como as espécies, em vias de extinção. Contudo, se nos afastarmos, se nos afastarmos muito, ainda o podemos encontrar.
Uma viagem pela ecologia acústica de um mundo sem ruídos feitos pelo Homem. AQUI


terça-feira, dezembro 22, 2009

INCÊNDIO NO PRÉDIO DO HOT CLUB


O prédio que alberga o Hot Clube ardeu na noite passada. A cave não foi afectada mas a água inutilizou não só o espaço do hot como todo o material. O Hot fechou e não se sabe quando voltará a abrir.
Faço votos para que, finalmente , a Câmara Municipal dê a devida atenção a uma instituição que, pelo muito que fez e fa, merece apoio.
Abraço ao Luis Hilário e a todos (nós) para quem o Hot é um local fundamental.
Reportagem aqui
Na declarações á imprensa a directora do Hot Club há 6 meses em funções, confirmou que houve contactos recentes com a Câmara de Lisboa para recuperar todo o edifício, mas nada estava decidido. “A ideia era instaurar uma casa de jazz. Um sítio que passasse a ser o centro de jazz do país, com um espaço museológico e concertos”, adiantou.
Cruzes canhoto! A ideia de ter uma casa que "fosse o centro de jazz do nosso país com um espaço museológico e concertos” dá-me arrepios.
Não vou com centralismos, desculpem lá. Sempre deram mau resultado.
O Jazz quer-se em Salvaterra de Magos, em Condeixa, em Vila Real de Santo António, na Brandoa, em Vila Nova de Cerveira. O jazz não tem centro. Que o Hot se ponha bom depressa.De um incêndio o Hot recuperará. De ideias dessas é que não.... que não vá parar ao museu. Esse sim, seria o seu fim.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Solo de Keith Jarrett em Cascais 1971


Muita coisa já foi dita sobre a primeira edição do Cascais Jazz em 1971. Já conhecemos muitos dos episódios de bastidores, dos escândalos políticos, das peripécias organizativas desse acontecimento musical que marcou o advento de uma modernidade portuguesa. Felizmente tem havido quem se preocupe em pesquisar documentos, em trazer ao conhecimento do público os factos que estiveram na génese do festival, ajudando assim a desvendar a história desse passado (ainda) recente do Jazz em Portugal.
Infelizmente (e inexplicávelmente para mim) a música que se tocou nesse festival não tem merecido a mesma atenção. Edição discográfica ou videográfica, tratamento e digitalização dos registos audio e video ou livre acesso aos ficheiros da RTP seriam passos fundamentais para uma mais completa história do CascaisJazz 71 e motivo de grande alegria para os fãs da fase eléctrica de Miles Davis ou dos Giants of Jazz de Blakey.
Daí o prazer que o post de hoje me dá. Estou convencido que, mais do que raro, é material único na net. Jarrett improvisa e arrasta com ele o público de Cascais. Em Dezembro de 71 Jorge Lima Barreto descrevia (na revista "MC") a postura de Jarrett ao piano "como uma cegonha em acto sexual". Quando, com os meus 14 anos, li esta descrição, fiquei atónito e indeciso: ou tirava a limpo o que era isso do Jazz ou investigava mais sobre ornitologia.Decidi-me pelo Jazz.
Com o post de hoje e com video que aqui deixo, deixo também um abraço ao Villas Boas. Por ter juntado no mesmo palco modernidade e tradição. Por ter ouvido para a música.E acima de tudo por ter posto a qualidade do jazz acima das filiações vanguardistas ou clássicas dos grupos que nos apresentou. A essa atitude de abertura deve o festival a sua importância. CascaisJazz é agora marca registada. Mas registar uma marca não é só usar um logotipo (ou é?). É acima de tudo, permanecer fiel a uma concepção. Á concepção do Villas, para quem o importante era a qualidade da música....fosse ela a mais provocadora das vanguardas ou a mais provocadora das tradições.

video

sábado, dezembro 12, 2009

Espectador denuncia músico de jazz por não tocar jazz


NO EL PAÍS DE 9 DE DEZEMBRO


CHEMA G. MARTÍNEZ - Sigüenza - 09/12/2009

Larry Ochs despertó ayer por la mañana tras una noche de pesadilla. Tras medio siglo en la primera línea del jazz más creativo, y próximo a su jubilación como músico en ejercicio, el fundador del influyente grupo Rova Quartet no se había visto en nada parecido a lo vivido la noche del lunes en una pequeña localidad castellana. Su concierto, que ponía el punto final al V Festival de Jazz de Sigüenza, a punto estuvo de ser cancelado manu militari por la autoridad competente. Motivo: la música del saxofonista, a juicio de un espectador y sus acompañantes, no era jazz sino "música contemporánea", género que el denunciante tiene "contraindicado psicológicamente" por prescripción facultativa. Así consta en la hoja de reclamación cumplimentada en el lugar de los hechos, previa a la denuncia.
La que se formó fue de órdago, con la presencia de dos números de la Guardia Civil. Medió hasta el requerimiento del munícipe de la ciudad, presente en el acto.
Mas no quedó ahí la cosa, sino que, según lo expresado por este último, uno de los uniformados, tal vez sobrado de conocimientos sobre la materia, sometió la música de Ochs a una suerte de juicio sumarísimo. Lo más sorprendente, se llegó a una conclusión coincidente con la del denunciante: la música del saxofonista no es jazz.
La sesión se fue así en un ir y venir de los implicados, ante el estupor de los intérpretes, que a duras penas podían explicarse el espectáculo que se les ofrecía. "Yo creía haberlo visto todo", declaró después Ochs, "pero es obvio que estaba equivocado".
El hecho resulta tanto más notable cuanto que, en las noches precedentes del festival, se habían escuchado otras propuestas tanto o más jazzísticamente cuestionables que la de Ochs, si es que puede hablarse en tales términos, a cargo de Digital Primitives, Brigada Bravo y Díaz y el dúo de baterías Daniel Humair y Ramón López. Superada su "crisis de identidad", Ochs decidió tomarse el incidente con filosofía: "Después de esto, ya tengo algo que contar a mis nietos".

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Prática Creativa com Ed Neumeister - 1 de 5

5 episódios de um workshop de Ed Neumeister sobre a práctica do instrumento, postura, criatividade e muito mais.


Prática Creativa com Ed Neumeister - 2 de 5

Prática Creativa com Ed Neumeister - 3 de 5

terça-feira, dezembro 08, 2009

Prática Creativa com Ed Neumeister - 4 de 5

Prática Creativa com Ed Neumeister - 5 de 5


Entrevista com Woody Shaw por Louise Gilbreth 106.7 Jazz Masters WRVR .
Woody por ele próprio.
AQUI

sábado, dezembro 05, 2009


A história é a seguinte :
Eugene Smith, fotógrafo, convenceu-se que ouvir rádio enquanto revelava, melhorava a qualidade das suas fotografias. Apaixonou-se pelo jazz durante as intermináveis horas na câmara escura.
De resto, apaixonou-se por tudo. Tudo o que podia ser ouvido. Música, poesia, sons da rua, enfim, qualquer tipo de som.
Em 1957, para além de fotografar em todas as direcções, passou a grava tudo á sua volta. Compulsivamente.
“Armadilhou” com microfones os 5 andares do prédio onde vivia. Morava num loft no Flower district de Nova York, um daqueles enormes open spaces que se vêm nos filmes.
O edifício –the Jazz Loft - era frequentado por inúmeros músicos de jazz que vinham tocar, estudar e aprender uns com os outros, discutir isto ou aquilo ou simplesmente estar. Caixas e mais caixas com fita gravada foram-se empilhando nos cantos da sua casa. Eugene morreu em 1978. Durante 20 anos essas caixas ficaram esquecidas até que Sam Stephenson, um melómano e estudioso, as descobrir e começou, pacientemente, a ouvir todo o seu conteúdo.
Uma mina de ouro para os amantes de Jazz.
Desde gatos a miar, ou gente a discutir, há horas e horas de jam sessions, de músicos a ensinar temas uns aos outros, Monk a tocar com os amigos, horas de aulas de Hall Overton, famoso professor da Julliard durante o dia e professor “lá em casa” durante a noite. A “jóia da coroa” destas fitas é a gravação do ensaio de Monk para o seu famoso concerto no Town Hall. Fabuloso por ouvir momentos musicalmente tão tão intímos do trabalho de Monk. A série de programas agora estreada - “the Jazz Loft Project” - pode ser ouvida AQUI

quarta-feira, dezembro 02, 2009

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