quarta-feira, julho 29, 2009

sábado, julho 25, 2009

CODE MD - As frases codificadas do período eléctrico de Miles Davis


Um excelente trabalho de Enrico Merlin sobre o período eléctrico de Miles Davis foi apresentado no ciclo de conferências "Miles Davis na cultura Americana" da Universidade de Washington no ano de 1996. Este estudo centra-se no repertório das várias formações deste período - que incluiu o "nosso" concerto de Miles no Cascais Jazz de 71 - e também na forma de organização dos diferentes temas habitualmente encadeados nessa altura numa estrutura de medley.
Miles recorria a um sistema de sinais e códigos misicais para fazer o grupo mudar de direcção musical, regressar ao uma parte do tema ou transitar para o seguinte.
Belíssimo e aturado trabalho de pesquisa, de audição atenta, um trabalho que reflete o enorme apreço de Enrico pela músico do trompetista.
De referir que Enrico Merlin é um dos principais discógrafos de Miles Davis.
Aqui fica o link para o estudo em causa

quarta-feira, julho 22, 2009

Ethan Iverson entrevista Keith Jarrett













Vale a pena esta entrevista a Keith Jarrett conduzida por Ethan Iverson, dos Bad Plus e publicada na edição desta semana do excelente "Jazz on 3" da BBC.
Uma das (raras) oportunidades de saber mais sobre Jarrett na primeira pessoa, sobre os seus tempos de Berklee e como aos 15 anos ouviu Evans pela 1ª primeira. Ou sobre como descreve o caos dos tempos do quarteto americano, que tão extraordinária música produziu. E muito mais...

sábado, julho 11, 2009

Miles Davis no Cascais Jazz 71

Dá-me um prazer especial o post de hoje. Creio ser único na net o clip que aqui vos deixo.
Extraido do concerto de Miles Davis no 1º Festival de Jazz de Cascais em 1971 este foi um concerto que povoou a imaginação de muitos amantes portugueses de Jazz... a minha, seguramente.
Com Miles no trompete, Gary Bartz no sax alto, o fabuloso Jarrett no fender Rhodes (que hoje é do Mário Delgado? o Rhodes, não o Jarrett...), Michael Henderson no baixo, Ndugu Chancler na bateria e Mtume na percussão. Os comentários iniciais são de um jovem Carlos Cruz e pode sentir-se a energia de um público sedento de cultura e modernidade como era aquele de 71. Obrigado ao Laurent Filipe por me ter oferecido a gravação integral deste concerto.

quarta-feira, julho 08, 2009

Tim Ries «The Rolling Stones Project»


Não costumo usar este blog para anunciar concertos mas o espectáculo que a seguir se anuncia parece-me suficientemente mal divulgado, de resto como é habitual em muitas das produções da câmara de Lisboa/EGEAC. E estou a lembrar-me de um extraordinário concerto do quarteto de Kenny Garrett aqui há uns anos no auditório Keil do Amaral em Monsanto assistido por um punhado de felizardos que calharam de tropeçar no minúsculo flyer municipal.
É de Tim Ries que falamos. Ries é um versátil e inspirado saxofonista e compositor, com mais de 100 obras escritas, tanto na área do Jazz como em linguagens mais clássicas. Tem colaborado com músicos como Phil Woods, All Foster, John Patitucci, Maria Schneider, Dave Liebman, Maynard Ferguson entre muitos outros, tendo mesmo ganho um "Grammy" numa gravação para a Verve com a Big Band de Joe Henderson. Actuou e gravou com nomes como Paul Simon, Sheryl Crow, Stevie Wonder, Incognito, Blood Sweat & Tears, David Lee Roth e acaba de fazer a segunda tournée mundial com os Rolling Stones, tocando saxofone e teclados. Já com 5 discos originais editados, Tim orientou agora as suas energias para a interpretação de Rock standards. A música de Jagger e Richards serviu de inspiração para o seu último trabalho - «The Rolling Stones Project», trabalho que será apresentado no Cinema São Jorge, em Lisboa, amanhã dia 9 de Julho ás 21h30 .
O grupo em palco será constituido por :
a voz de ANA MOURA que será acompanhada pelos seus guitarra e violas habituais.
TIM RIES (saxofone tenor e soprano), ele
BERNARD FOWLER (voz),
FRANCK AMSALLEM (piano)
JORDI BONELL (guitarras),
DARRYL JONES (contrabaixo e baixo eléctrico) e
MARC MIRALTA (bateria)
e ainda ANA MOURA que será acompanhada pelos seus guitarra e violas habituais
Reservas: 213103400

O blog de Ronan Ronan Guilfoyle


Ronan Guilfoyle, já aqui referido anteriormente, é um músico de excepção. Conheci-o por volta de 1983 (ou seria 84?) quando passou alguns dias no Porto, onde juntamente com o seu irmão Connor na bateria, Mike Nielsen na guitarra e Richie Buckley no sax tenor orientou um workshop de jazz e tocou 2 ou 3 noites num local hoje histórico para todos os que viveram aqueles tempos de aprendizagem :o "Churrasquinho". Primeiramente local de criação e abate de galináceos, depois restaurante especializado em (adivinharam...) frango e depois e ao mesmo tempo a primeira escola de jazz a norte do rio Trancão... Tudo isto no rés do chão já que no 1º andar morava a família que geria ambos os negócios, o dos frangos e o do jazz...uma família de músicos talentosos que, precocemente marcou a música em Portugal - os Barreiros. O Mário, o Pedro e o Eugénio. Desde os "Mini-Pop", grupo musical infantil e fenómeno nacional á época, até aos "Bandemónio" do Abrunhosa, passando pelos "Jáfumega" ou pelo grupo de António Pinho Vargas, estes 3 irmãos deixaram a sua marca de qualidade musical e de verdadeira paixão pelo Jazz.
Mas...Oops...perdi-me do que queria falar. De Ronan Guilfoyle. Ronan que tem um blog do melhor. Os seus posts mais recentes são especialmente interessantes : Uma entrevista a David Liebman sobre a época em que tocou com Elvin Jones e um outro post sobre o sistema de ensino do Jazz, suas contradições e mais-valias. Também o artigo "Art and Science of Time" vale a pena ser lido por todos mas especialmente por aqueles que partilham as suas vidas com um metrónomo. Tudo isto para dizer: Blog interessante AQUI !

domingo, julho 05, 2009

7ª Festa do Jazz



A Festa do Jazz afirma-se, de ano para ano, como o acontecimento mais significativo do Jazz nacional. O nível musical apresentado pelos alunos das escolas de jazz presentes a concurso não pára de surpreender quem tem acompanhado a "Festa" nesta sete edições. Pela primeira vez este ano, a competição pelos prémios de "melhor combo" e "melhor solista" pôde contar com 2 "escalões" - superior, em que competiram os cursos de Jazz da Escola Superior de Música de Lisboa, o curso de Jazz da ESMAE, do Porto e o Curso de Jazz da Univ. de Évora - e secundário, em que competiram todas as outras escolas de Jazz presentes. Não falando já do alto nível de competência e domínio técnico e conceptual dos melhores, espanta, isso sim, que o nível dos "menos bons" seja, mesmo assim , já tão elevado. Fantástico progresso nos últimos 7 anos.

Vencedores da competição de nível Superior:

Melhor Combo: Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE), Porto.

Melhores Instrumentistas: ex-aequo Luís Cunha (trombone), da Escola Superior de Música de Lisboa e Fernando Bouzón (sax tenor), da ESMAE.

Concurso das Escolas de Música:

Melhor Combo: Escola de Jazz Luiz Villas-Boas/ Hot Clube de Portugal, Lisboa.

Menção Honrosa: Escola de Música Valentim de Carvalho, Porto.

Melhores Instrumentistas: Francisco Brito (contrabaixo), da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas
Diogo Diniz (contrabaixo), da Escola de Jazz, Porto e Nuno Oliveira (bateria), da Escola de Jazz, Porto.

O júri foi composto por Tomás Pimentel, Rui Neves e Jerónimo Belo.





Para além da componente competitiva, muito estimulante para todos - alunos, escolas e professores a componente artística revelou esta edição da Festa do Jazz como um ano de "boa colheita" especialmente no que respeita á revelação - pelo menos para mim - de dois jovens e excelentes compositores - André Matos e Ricardo Pinheiro. Cada um deles encorporando no seu espectáculo um músico convidado- em ambos os casos saxofonista e americano, George Garzone e Chris Cheek, respectivamente - e em ambos os casos recorrendo ao mesmo "núcleo duro" na secção rítmica : Demian Cabaud no contrabaixo e Alexandre Frazão na bateria. Se bem que a repetição deste figurino possa indicar alguma ausência de soluções, a música em ambos os espectáculos foi de alta qualidade.
André Matos revelou-se(-me) um muito interessante compositor e um excelente gestor de espaços. Criou uma música solene, uma arquitectura de grandes espaços (as grandes salas de Piranesi estiveram quase sempre presentes na minha imaginação), uma lentidão de acontecimentos musicais própria de um ritual de que se conhecem bem os gestos. Que dizer de um dos meus saxofonistas preferidos? Tudo o que Garzone toca tem o peso da autoridade e da visão musical de um mestre, obviamente. Mas estou convencido que Garzone raramente visita o tipo de conceito musical "habitado" por André Matos. Para mim foi claro o esforço consciente de Garzone em acentuar a melodia e em criar espaço. E é nestas coisas que se revela a inteligência artística de um grande músico na adaptação - intuitiva ou consciente - a uma nova (ou menos visitada) linguagem. De resto já tinha revelado as preocupações com espaço e melodia no workshop que dera na tarde anterior ao concerto . Suspeito que Garzone, durante o workshop falou para todos, é certo ... mas especialmente para ele. Há coisas que têm de ser ouvidas em voz alta...
Na noite seguinte, a última desta Festa do Jazz, Ricardo Pinheiro, cuja música me era de todo desconhecida, apresentou uma música complexa na forma, marcadamente modal e ritmicamente muito fluida (seja o que fôr que isto queira dizer mas , de momento é ao que me soa...). A primeira grande vitória de Pinheiro consistiu em reunir em palco gente da craveira de Laginha, Cabaud, Frazão, Chris Cheek e... João Paulo Esteves da Silva. Este último toca de uma forma cada vez mais inspirada, mais liberta de conceitos tão prosaicos como dissonância ou barra de compasso. As suas linhas e ritmos fluem apenas... e é emocionante ouvi-lo improvisar. Óbviamente que Laginha esteve em grande forma e Chris Cheek confirmou-se como o inspirado construtor de melodias que já me tinha surpreendido em "a Girl named Joe" e, especialmente no CD com a Big Band de Matosinhos.
Do que assisti do espectáculo "Vozes3" ressalta(-me) quanto o projecto me parece conceptualmente débil. Independentemente da qualidade das cantoras e músicos envolvidos está patente uma diferença de atitudes musicais e estilos que acabam por não se fundir nem comunicar entre si.
A Orquestra de Jazz de Matosinhos apresentou-se na sala principal do S. Luiz no fim da tarde de domingo. Um repertório preenchido com obras de compositores portugueses encomendadas pela OJM. De destacar a composta por Pedro Guedes e da qual, lamentávelmente, não fixei o título. Que dizer do trabalho desenvolvido por Carlos Azevedo e Pedro Guedes á frente desta orquestra ao longo dos últimos anos? Extraordinário. Conquistar a confiança musical de gente como Lee Kontiz, Chris Cheek, Mark Turner, Kurt Rosenwinkel, John Hollenbeck, Dieter Glawischnig, Maria Schneider, Rich Perry, Dee Dee Bridgwater ou Jim McNeely não é coisa pouca especialmente num país em que a vocação internacional do seu Jazz é ainda restrita aos 2 ou 3 nomes do costume.
A meu ver esta 7ª edição da Festa do Jazz foi uma das mais importantes desde a estreia deste evento : pela qualidade da música apresenta pelas escolas a concurso, pelo alargamento do número de escolas participantes de nível superior mas também pela apresentação a um público mais alargado de vários projectos nacionais em estreia mais é de estranhar a ausência de interesse que o balanço desta edição da Festa suscitou nos blogs de referência, pelo menos até agora. Diga-se bem , diga-se mal mas diga-se....

quarta-feira, julho 01, 2009

Pina Bausch

Quarteto de Joris Roelof - Background Music

O tema é uma daquelas pequenas preciosidades "inventadas" por Warne Marsh. Foram precisos 50 para a música desse saxofonista genial produzisse descendência. Mas quando apareceu foi de primeira qualidade. Mark Turner é disso o exemplo, não é?

Aqui fica referência a mais um jovem saxofonista "do caraças" : Joris Roelof


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