sábado, março 21, 2009

Hayden Chisholm


O saxofonista neo-zelandês Hayden Chisholm foi (é) para mim a mais recente descoberta.
Surpreendente descoberta.
Músico multifacetado e pensador inquieto, Chisholm, que vive entre Colónia e Barcelona, para além uma intensa carreira como performer (ao lado de gente como Nils Wolgram ou Jochen Ruckert) e educador, mantem um interessante blog , um site oficial e uma mais ou menos extensa lista de videos no Youtube.
De toda essa interessante actividade o clip aqui embutido representará, sem dúvida, uma das suas maiores contribuições para a nova música improvisada do primeiro quartel do sec. XXI.
Edificante momento, de profundo significado artístico e transcendental, este video alterará, sem dúvida, todos aqueles a que a ele assitirem. Para mim constituiu a revelação de um mistério nunca desvendado desde a altura que eu próprio iniciei o estudo do saxofone.



Ainda Coltrane


É espantoso o que a vontade e paixão de uma só pessoa pode desencadear. Steve Fulgoni iniciou uma cruzada pela preservação da casa onde viveu John Coltrane. Depois de muitos obstáculos o projecto "The Coltrane Home in Dix Hills" ganhou forma e hoje, para além da preservação da casa em si, faz com que muitas centenas de miudos tomem contacto com a personalidade e obra de Trane mantendo e actualizando o impacto social e espiritual contido na música de Trane.

Coltrane (e Elvin?) treinam no quarto de hotel


Uma gravação rara vinda da colecção privada de raridades de Michel Delorme e postado no excelente blog de Carlos Valdez com John Coltrane praticando o solo de "Four". Trane é acompanhado por alguém, provavelmente Elvin Jones, que toca bateria na almofada ou cama de hotel. Uma oportunidade para conhecermos os hábitos de estudo e práctica de Trane "on the road".







Wynton Marsalis - paradigma de virtuosismo

Nunca me deixa de espantar a capacidade técnica, musicalidade e originalidade deste músico excepcional. Absolutamente fabuloso. Ao vivo no Letterman Show


Root 70

O grupo "Root 70" reune uma enorme quantidade de talento, originalidade e virtuosismo no domínio quer do instrumento quer da forma.
Composto pelo trombonista Nils Wolgram (trombone), Hayden Chisholm (sax alto), Matt Penman (contrabaixo) e Jochen Ruckert (bateria) esta sim, é uma música realmente livre de truques e tiques.


segunda-feira, março 16, 2009

Curso de Jazz da Universidade de Évora

De 16 de Março a 17 de Abril de 2009 decorre o prazo para a inscrição nas provas específicas de Acesso ao Ensino Superior dos Maiores de 23 anos.

mais informações em:
http://www.uevora.pt/candidaturas/maiores_de_23

domingo, março 15, 2009

Capitalismo selvagem

Acabei de saber - e de tal forma fiquei incrédulo que tive necessidade de confirmar com alguém envolvido na questão - que o Casino do Estoril e o Casino Lisboa reduziram o cachet dos músicos que aí actuam em …50%.
De 100 euros por músico em cada noite o dito cachet passa para 50 euros.
Esta é uma situação humilhante, degradante e prepotente por parte dos Casinos, autênticas fontes de dinheiro e de lucro, lucro esse á custa do vício, muitas vezes da dependência, dos utilizadores de slot machines, roleta e afins.
Esta é uma medida desmoralizadora da classe, autêntica eutanásia de uma profissão sem rei nem roque, sem sindicato interveniente, sem união entre os seus membros, profissão em que o salve-se-quem-puder impera há demasiado tempo.
E não falo das estrelas, gente que – com valor ou sem ele – vende discos, faz espectáculos, é convidado para a Gala disto ou daquilo, tem o seu agente e durante um período, maior ou menor, ganha muito dinheiro e dá (algum) a ganhar.
Falo dos músicos, dos cantores que os acompanham, gente menos mediática mas nem por isso menos bons – muitas vezes bem pelo contrário. Gente com projectos na área da Pop, da música portuguesa, do Jazz, bandas de covers, cantores e cantoras que, sem a sorte ou o talento para ter o seu nome em letra maior, animam as noites de milhares de pessoas.
Como pode uma entidade como um Casino pagar 50 euros a um músico, e exigir-lhe que (por 50€, menos impostos ) represente condignamente a casa que o acolhe?
Há o material indispensável á práctica da profissão que é preciso comprar e manter. A guitarra, o amplificador, o saxofone ou a bateria, material cujo IVA é taxado com os mesmos 19% quer para o músico profissional quer para o miúdo que da banda de garagem ou para o pai de família que quer tocar “órgão” depois de jantar . É óptimo que o miúdo da garagem e o melómano doméstico possam tocar um instrumento mas essa situação deveria ser considerada bem diferente da do músico que estudou anos para o ser e que precisa de um instrumento para trabalhar e com isso pagar a conta da luz e o infantário dos miúdos (e o resto...)
Há a aprendizagem.
Quanto tempo passa desde as primeiras aulas do instrumento até ao primeiro convite para tocar profissionalmente? Quanto tempo até se construírem e estabelecerem as relações pessoais e profissionais, as empatias e cumplicidades até que se criem as condições para que alguém esteja disposto a pagar para nos ouvir? A prática musical é, está estudado, uma das que mais tempo de formação requer até ao desempenho profissional. O percurso até aí é cheio de obstáculos e muitas vezes, becos sem saída, nos quais é necessário dar meia volta e tentar novo percurso de aprendizagem.
Eu explico: um saxofonista, por exemplo, que no intuito de se tornar profissional, opte pela via de ensino tradicional (Conservatório, digamos) irá ter a maior das surpresas quando, em fim de curso, constatar não estar minimamente preparado para mergulhar no dia-a-dia da profissão como seja gravar em estúdio um gingle publicitário, integrar o naipe de sopros de um artista do momento ou fazer lead alto de uma big band de Jazz. Terá então que ir completar a sua formação algures ou professar desde então um auto-didatismo feroz que compense a falta de preparação causada pela irrealidade em que vivem os programas de instrumento nas escolas “sérias”. O facto de, talvez por ingenuidade, ter tentado a profissão ainda sem o necessário know-how, faz com o “millieu” saiba que ele “ainda não está preparado” o que atrasará, por seu lado, o estabelecimento de um network de relações e contactos. Há realmente um longo caminho a percorrer até ao primeiro cachet.
Voltando ao Casino, salvo seja.
Os senhores administradores dos Casinos do Estoril e de Lisboa impõem aos músicos uma situação de “Não quer? Venha outro”. Sabem que o podem fazer por detectaram a fragilidade da classe e o aperto (ainda maior) que a "crise" impõe a todos, músicos incluídos.

“Não quer? Venha outro”.
O problema é que … vem sempre outro. Ou porque são miúdos que se estão a iniciar na música e até pagavam para tocar num palco a sério, ou porque a família tem dinheiro e nem é preciso pensar quanto se vai receber (ou gastar...) para tocar num club com prestígio ou então porque as contas para pagar se vão acumulando, os músicos vão aceitando valores cada vez mais baixos e assim vão minando a estrutura de funcionamento de uma actividade que é a sua. Lembro-me que em meados dos anos 80 cada músico recebia 15 contos para tocar num bar ou num clube. Hoje o Casino paga 50€ a cada músico para o mesmo tipo de trabalho.
Não frequento casinos nem como cliente nem como músico. Não quero nem posso moralizar sobre quem deve aceitar o quê ou quanto. Cada um sabe de si e de quanta falta fazem 50€. Mas sinto que, mais do que uma medida de contenção económica, este corte financeiro, vindo de uma instituição como um Casino, constitui uma prepotência com a qual uma classe enfraquecida terá que lidar. Vou esperar para ver qual a atitude do (dizem que ainda existe…) Sindicato dos Músicos. Oxalá me engane mas, tendo em conta o seu passado de ausência e apatia, nenhuma.
Que mais vai ser preciso acontecer que os músicos discutam a sua situação e procurem, em conjunto, uma solução?

terça-feira, março 10, 2009

quarta-feira, março 04, 2009

MAS...AFINAL.....??!!

Evelyn Glennie

Nesta espantosa demonstração a percussionista surda Evelyn Glennie ilustra como ouvir música implica muito mais do que apenas deixar as ondas sonoras baterem no nosso tímpano. Esta percussionista escocesa perdeu practicamente toda a sua audição aos 12 anos. Em vez de esse facto a isolar criou-lhe uma relação única com a música.
Ela é o centro do documentário Touch the Sound, que explora a sua intrigante e extraordinária abordagem á percussão.A sua brilhante carreira levou-a a tocar com orquestras clássicas e com músicos como Fred Frith ou Björk. Gravou uma dúzia de albuns e foi vencedora de um Grammy com a gravação de Bartók's Sonata for Two Pianos and Percussion, e outro pela sua colaboração com Bela Fleck.



Ainda inspirado pelo Lou Donaldson

Lou Donaldson, esse grande jazzman

Confesso que a personagem de Lou Donaldson sempre me irritou. Da música nada tenho a apontar.E quem terá algo a apontar musicalmente a um homem que entrou por mérito do seu talento para a história do Jazz e se manteve "in business" por mais de anos? Mas falando da "personna" do sr. Donaldson o caso muda de figura.
Desde que, entre dois temas, aquando do seu concerto na Aula Magna (onde brilhou o jovem Mário Laginha) , o ouvi depreciar a música e o papel do Miles da última fase fiquei com uma imagem bem clara de tudo o que, para mim, não deve ser um artista. Depreciar um criador como Miles cujas cinzas têm mais frescura do que os cliches estafados de Lou Donaldson não é de bom tom, é injusto, vai contra a mais elementar ética e define da forma mais infeliz quem o faz.
Enfim, por essa altura, cortei-o da lista das minhas simpatias. Não que o tenha deixado de ouvir...ainda por cima todos (muitos...) os dias. O indicativo dos "5 minutos de jazz" (Blue Lou, de Lou Donaldson ) transformaram o seu sax alto - e ainda bem - num icon do Jazz em Portugal. As opiniões do saxofonista bem que as dispensamos ... mas não temos essa sorte.
Pelos vistos não foi apenas o palco da Aula Magna que mereceu a arrogância e reaccionarismo do "Blue Lou".
Recentemente, no Festival de Jazz de Portland, onde tocou, Lou Donaldson deu largas á sua "verve" musical ... mas, infelizmente, não só.
Lou regalou o público que assistiu á "Jazz Conversation" - um espaço de debate integrado no festival- com diversos "acepipes".
Miles Davis voltou a ser o visado pela maledicência de Donaldson assim como o rapper 50 Cent (”not worth a quarter”). E não é que teve piada? Mas a coisa não ficou por aí.
Segundo o sr. Lou ele próprio seria "the only real jazz artist" presente no fim de semana de concertos. Diga-se que do cartaz faziam parte gente como Bobby Hutcherson, Patricia Barber, Aaron Parks, Kurt Elling, Pat Martino e Jane Bunnett.
Depois de informar os presentes que a música de gente como Eric Dolphy, Ornette Coleman ou Tom Scott nada tinha a ver com o Jazz, definiu o saxofonista Frank Morgan como "phony" (fraude) e - no mesmo folêgo - Cannonball Adderley como não sendo nada "do que se diz pr'aí ". Sobre Monk limitou-se a dizer que era um pianista horrível. Que era um génio como compositor mas simplesmente não sabia tocar...
Ok. Hans Groiner (ver post seguinte) não inventou nada. Está visto que apenas se inspirou no sr. Donaldson.
Grande Donaldson. Grande jazzman.
Qual Alberto João Jardim, sem papas na língua, ensina-nos o que é o Jazz, quem toca e quem não toca.
Tudo isto cheira a môfo, muito môfo. Cheira á poeira que se acumulou nas dobras encefálicas do sr. Donaldson, as mesmas que servem para produzir a sua música .
E para provar que a idade nada tem a ver com o tal môfo aqui fica o Noneto de Lee Konitz. Ganda Konitz, Deus te dê saudinha!

domingo, março 01, 2009

Gerry Niewood (1943-2009)





Gerry Niewood foi uma das vítimas mortais da queda do voo 3407 da Colgan Air . Estudei com ele durante uma semana, em Madrid nos anos 80 e, não sendo, de todo, um nome muito conhecido na Europa, Gerry possuia uma qualidade na execução do sax, da flauta e do clarinete, que lhe permitiram fazer uma brilhante carreira ao lado de gente como Simon and Garfunkel , Liza Minnelli, Peggy Lee, Sinead O'Connor, Anne Murray, Thad Jones, Mel Lewis, Mark Murphy, Chaka Khan, Gil Evans, Astrid Gilbeto, Judy Collins, Frank Sinatra ou Gerry Mulligan .
Apareceu no “Saturday Night Live e deu várias voltas ao mundo desenvolvendo o seu trabalho quer na área comercial quer no Jazz. A sua relação musical mais sólida teve-a com a música de Chuck Mangione, com quem iria tocar, juntamente com a Buffalo Philharmonic Orchestra, na noite seguinte á do acidente.
O seu filho, Adam Niewood, também saxofonista, é um dos mais interessante músicos da nova geração para além de especialista em personalização de boquilhas de saxofone.



A sua última apresentação de Niewood foi no Rochester International Jazz Festival.



Está previsto para hoje, 2 de Março, uma cerimónia em sua memória em Glen Ridge, New Jersey onde tocarão Phil Woods, Adam Niewood, Jim McNeely, Gene Bertoncini e Bill Goodwin.
No acidente, que vitimou 50 pessoas, também perdeu a vida o guitarrista Coleman Mellett.

Gerry Niewood no MySpace
“Não é necessário ser poeta para se escrever um poema;
quem escreve um poema torna-se poeta;
quem transforma o barro em escultura, escultor”.
"O acto de transformar é transformador"
(Augusto Boal)
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